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Comida Independente. Alimentos de Portugal e arredores, uni-vos na nova mercearia de Lisboa

Este artigo tem mais de 3 anos

Rita Santos, a proprietária desta novidade, passou um ano à procura dos produtos (e produtores) que melhor representam o património gastronómico nacional. Porquê? Para que todos os possamos provar.

A seleção de enchidos da Comida Independente
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A seleção de enchidos da Comida Independente

Diogo Lopes / Observador

A seleção de enchidos da Comida Independente

Diogo Lopes / Observador

Tomate espanhol em janeiro ou morangos franceses pelo Natal — o que há de errado nesta frase? De forma curta e simples: tudo.

Atualmente existem vários produtos hortícolas, frutícolas e não só que, no espaço de meio século, passaram a ser presença regular em todas as bancas de super ou hipermercado pelo mundo inteiro. O final da Segunda Guerra Mundial marcou uma viragem nos nossos hábitos alimentares graças à chamada “industrialização alimentar” e, com tudo isso, fomo-nos esquecendo de que a natureza funciona de forma cíclica e que tudo tem o seu tempo.

Tomate? Só é suposto haver algures entre junho e finais de setembro. Morangos? Sabem melhor entre abril e junho. Nos últimos tempos, porém, tem havido uma tentativa de recuperar esses hábitos através do trabalho de vários chefs, produtores e algumas lojas parecidas com a recém-inaugurada Comida Independente.

O balcão da Comida Independente vai começar a ter fregueses muito em breve, quando o espaço começar a vender alguns petiscos. © Diogo Lopes/Observador

Rita Santos é a cabecilha de todo este projeto que assentou num piso térreo perto da zona de Santos, em Lisboa. Depois de mais de 20 anos ligada ao mundo empresarial, a proprietária desta novidade decidiu mudar de vida. Vem de uma família que gosta “de comer muito e bem”, sempre procurou ter “alguma cultura de restaurantes” e isso, diz, foi bagagem essencial no momento em que decidiu abraçar a “paixão de longa data” e criar este espaço que pretende “valorizar o património gastronómico nacional” e a forma como ele é produzido.

“Queremos que a loja seja uma expressão das coisas únicas que nós temos, e só se consegue ser único quando se é especial e pequeno”.

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É por entre paredes forradas a azulejos brancos e um chão reminiscente de mercearias de outros tempos que Rita e a sua equipa — Inês Ruivo e Evaristo (“Sim, só Evaristo”) — vendem o melhor de Portugal inteiro, que lhes chega vindo de pequenos produtores artesanais espalhados de norte a sul.

A gulosa seleção de queijos da Comida Independente. Só nesta vitrine estão mais de dez produtos D.O.P. © Diogo Lopes/Observador

Produtos da época — os frescos, por exemplo, vêm da Moita todas as sextas-feiras e são cultivados sem qualquer tipo de químicos por Vasco Correia –, artesanais e eticamente comercializados são então a espinha dorsal que se forma nas prateleiras metálicas desta loja.

Na prática, o tipo de alimentos que aqui vai poder comprar são todos aqueles que encontraria num supermercado convencional — até porque a Comida Independente assume-se como “uma loja de bairro, no fundo”, que refuta os rótulos de “gourmet” ou “biológico” –, mas a diferença é que todos estes vêm de “fonte segura” e com qualidade. Há queijos como os chèvres produzidos em Maçussa (perto da Azambuja) ou os terrinchos de Trás-os-Montes, paios e chouriços de Vinhais ou de Alcoutim (a selecção de enchidos foi feita com a ajuda do chef Nuno Diniz, uma sumidade do fumeiro nacional), marmelada branca de Odivelas, carne Barrosã (compram meia vaca e só “matam” outra quando a anterior se vender toda), muxama de atum algarvia, sal de Castro Marim, chá dos Açores e conservas de todas as formas e feitios, até de carne (perdizes em escabeche, mais concretamente).

4 fotos

Portugal é quem manda nesta loja, mas isso não impede que não haja alguns produtos estrangeiros que, apesar de cumprirem os mesmos requisitos éticos e qualitativos de todos os seus congéneres lusitanos, não existem por cá. Veja-se o exemplo do queijo Roquefort — “não temos nenhum queijo azul” –, dos chocolates santomenses de Cláudio Corallo ou de alguns vinhos franceses, alemães, espanhóis e italianos.

Pegando no tema vinho, vale a pena salientar a garrafeira da Comida Independente, que é caracterizada por uma forte aposta nos chamados vinhos naturais (não têm adição de sulfitos ou não são prensados, por exemplo) e biodinâmicos. A seleção que aqui vai encontrar à venda foi composta em parceria com Os Goliardos, revendedores de muitas referências nacionais e internacionais deste tipo de néctar.

De destacar também que em breve vai ser possível sentar-se ao balcão da loja para petiscar uma tábua de enchidos e queijo, beber um copo de vinho ou até partilhar um café.

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“Não foi fácil chegar até aqui”, diz Rita Santos no final da conversa. Hoje, quem entrar nesta loja vai encontrar tudo organizado e bonito, mas a verdade é que foi preciso muito trabalho para chegar a este ponto. De um modo geral, o processo de abrir canais de comunicação/comércio com produtores muito pequenos “é um processo complicado”, seja por não terem capacidade logística ou económica para cobrir as necessidades de lojas deste género, porque não conseguem garantir uma cadência constante de produção ou simplesmente porque não têm forma de garantir uma rentabilidade digna e justa (“para muitos micro-produtores de vacas, por exemplo, não lhes é rentável enviar uma ou duas cabeças de gado para o matadouro. Fica demasiado caro e o retorno não é suficiente para compensar”).

O caso das leguminosas que Rita vende também mostra que não é assim tão simples comprar algo tão básico como um pacote de feijão português.

“Foi um desafio encontrar leguminosas portuguesas porque elas são quase sempre esmagadas pelo preço das que são produzidas lá fora, em escala. As monoculturas que existem no mundo acabam por abafar outras produções mais pequenas”.

Felizmente, porém, toda a regra tem exceção e ainda há quem lute pela preservação, pessoas como Ana Bárbara, por exemplo, que foi uma das várias “pessoas que ajudaram muito” a dar corpo a este projeto. “Ela fez um trabalho exaustivo, durante seis anos, em que reuniu vários pequenos produtores de carne no norte do país. Convenceu-os a juntarem-se, a levarem gado em conjunto aos matadouros (para que fosse mais rentável) e ainda facilitou a comercialização da carne em várias cidades do país”, explicou Evaristo.

Conseguirão as pessoas mudar alguns hábitos alimentares? Esta é uma pergunta que só será respondida mais para a frente. Contudo, a abertura de espaços como esta Comida Independente são um óptimo presságio.

Comida Independente.
Rua Cais do Tojo, 28, Lisboa. 92 540 4510. De terça-feira a domingo, das 10h às 20h. (fecha segunda-feira ).

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