Foi o rastilho para a onda de violência que na semana passada invadiu Torre Pacheco, uma localidade de Múrcia, Espanha, mas, em entrevista ao El País, revela agora que “não queria nada do que aconteceu” e que “não acha que seja correto ir atrás deles”, referindo-se à comunidade magrebina da localidade que tem sido alvo de “caça” por parte de grupos extremistas e xenófobos.
Domingo Tomás Martinez, de 68 anos, é o homem que na manhã da passada quarta-feira foi agredido brutalmente por um grupo de jovens que, referiu na altura, pareciam ser de origem magrebina. De cara inchada, contou aos meios de comunicação espanhóis que tinha sido atacado sem motivo aparente. “Não queria esta ribalta”, lamenta na entrevista ao El País, acompanhado pela mulher, Encarna. Esta acredita terem utilizado “a agressão de Domingo para levar a violência à aldeia. Para fazer aos outros o que lhe fizeram a ele”. “Todos nós, que somos daqui, sabemos que isto não tem nada a ver com as pessoas da cidade. O ódio veio de fora e agarrou-se à agressão do meu marido”, acrescenta.
O ataque na rua a este residente de Torre Pacheco — que foi gravada para publicar nas redes sociais — despoletou ainda mais violência na localidade e Domingo Tomás Martinez começou a ser usado para instigar o ódio contra os imigrantes. “Foi dito tudo, até foram difundidas imagens de um homem que não era meu marido”, conta Encarna, referindo-se também à descrição de que o seu marido era um “homem velho”, de forma a alarmar a população. “Eu já não sou um miúdo. Mas também não sou um velho. Vou e venho na minha mota. Tenho bom aspeto, para ser sincero”, disse Domingo.
Os três alegados agressores foram detidos esta semana. Um deles, acusado da agressão, foi capturado no País Basco e residia na localidade há apenas uma semana aquando do ataque. Os outros dois arguidos estavam na localidade há pouco mais de mês e meio. Todos viviam numa casa abandonada perto do local onde Domingo foi atacado.