Duas pessoas foram constituídas arguidas no processo em que se investiga um acidente com um balão de ar quente, no Alqueva, em março de 2024. O Ministério Público diz ao Observador que o caso, de que resultou uma morte — de um dos passageiros, que terá saltado à água para aliviar o peso a bordo —, ainda está “em investigação”.
O acidente aconteceu a 29 de março. Um balão de ar quente que tinha partido ainda de madrugada da Ermida de São Sebastião, em Reguengos de Monsaraz, entra em contacto com a água do Alqueva no momento em que já se preparava para terminar a viagem, que durava há cerca de duas horas.
Ao Observador, três passageiros que seguiam a bordo relataram que “quando os pilotos quiseram aterrar, sentiram dificuldades” devido ao vento que se fazia sentir no local. A certo ponto, descrevia um dos passageiros, “o nosso balão consegue encontrar uma aberta, mas o vento começa a empurrá-lo mais na direção da água”. O balão de ar quente foi perdendo altitude e acaba por falhar a aterragem em terra. “Quando o piloto tenta elevar novamente, já não foi capaz e o cesto entra na água uns 20 centímetros”, dizia ainda. “Em vez de ter aterrado, o piloto amarou. Estávamos muito perto da costa, a pouquíssimos metros de terra”, contava na altura a namorada do passageiro que morreu.
Nas primeiras horas, surgiram informações contraditórias sobre como “José” (nome fictício) teria entrado na água. As testemunhas ouvidas pelo Observador no dia do acidente relatavam que teria sido o próprio piloto a pedir a “dois ou três homens” que se lançassem à água “para arrastar o cesto para terra, com ajuda das cordas” que estavam a bordo do balão.
“Ele não caiu, não se atirou, não teve um ataque de pânico. Saiu do balão por sugestão do piloto”, sublinhou a namorada, contrariando as informações de que “José” se teria sentido mal durante a viagem e pedido para abandonar o equipamento; ou que teria caído inesperadamente do cesto onde o grupo seguia. “Nessa altura, para tentar arrastar balão para terra, [o piloto] pediu que três homens saltassem para a água e puxassem a corda para terra”, confirmou outra das testemunhas.
Acidente mortal com balão no Alqueva. Investigação aponta falhas nos procedimentos de segurança
No relatório final sobre o acidente, divulgado em dezembro do ano passado, o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) apontava falhas de segurança na operação e falhas do piloto responsável pelo balão de ar quente. “Das informações e dados recolhidos pela investigação, a causa provável para o pedido do piloto a passageiros para auxiliarem na manobra de aterragem, colocando o passageiro que acedeu ao pedido na condição insegura que veio a resultar na sua morte, deveu-se ao contacto do cesto do balão com a água e consequente perceção de necessidade de controlo externo do mesmo”, referia o relatório.
Segundo a autópsia realizada na altura, o homem acabou por morrer por “afogamento”.