Nesta altura, nada acontece por acaso quando se fala de Benfica e esta semana acabou por ser um exemplo paradigmático de tudo o que tem acontecido no conjunto da Luz. Esta segunda-feira, e já depois de ter dado uma entrevista ao CM onde não desfez o tabu em relação a uma candidatura às eleições dos encarnados mas deixou muitas críticas ao rumo tomado desde que Rui Costa assumiu aquilo que descreve como o “legado” que deixou ao longo de quase duas décadas, Luís Filipe Vieira voltou a ser notícia por ter um projeto, de novo revelado pelo CM, para uma Luz com 120.000 espectadores tendo a renovação do Santiago Bernabéu como inspiração, uma torre para unidade hoteleira, outra torre para escritórios, um espaço para galerias comerciais ou mais um pavilhão multiusos, entre outras ideias projetadas. Agora, percebe-se o timing da ideia.
????️ O ???????????????????????????? ???????????????????????????????? é um projeto que irá transformar e valorizar a Catedral e toda a sua envolvente, elevando a experiência benfiquista a um novo patamar e reforçando a afirmação do Clube a nível nacional e internacional. ???? https://t.co/7m9NbU8xye pic.twitter.com/WR7ugaugBu
— SL Benfica (@SLBenfica) July 22, 2025
O antigo presidente do Benfica tentou fazer uma jogada de antecipação à apresentação preparada para esta terça-feira ao final da tarde, na Luz. A notícia motivou muitas críticas por parte dos candidatos já conhecidos à exceção de Rui Costa mas todos perceberam o intuito da mesma. Com um pormenor: aquilo que estará a ser apresentado, e que será conhecido como “Benfica District”, vem do clube e não do candidato, num projeto de grande envergadura que será lançado e prevê o ano de 2030 como data de conclusão, coincidindo com a organização do Campeonato do Mundo desse ano entre Portugal, Espanha e Marrocos. “O Benfica District vai transformar e valorizar o Estádio da Luz e a sua envolvente para um novo patamar de vivência do clube e da sua afirmação nacional e internacional”, destaca o resumo do trabalho que será agora conhecido.
“É o mais ambicioso projeto previsto para a cidade de Lisboa e vai criar uma nova centralidade até 2030. O Benfica District é um projeto transformador para o espaço do Estádio da Luz, posicionando aquele território como um destino nacional e internacional de excelência para o desporto e o entretenimento – alinhando-o com os mais emocionantes desenvolvimentos do género em todo o mundo –, melhorando a experiência clubística dos sócios e adeptos e criando um espaço de vivências nos 365 dias por ano. O projeto, que resulta de um trabalho gradual e que se intensificou nestes últimos 18 meses, procura responder às necessidades de modernização e de valorização do património do clube, às exigências desportivas das diversas modalidades, à ambição de gerar uma renovada dinâmica da vivência do universo do clube e ao posicionamento do Benfica como referência global, conjugando a identidade, a história, as conquistas e os caminhos de futuro para a instituição”, salienta a ideia liderada pela Populous, que projetou também a Luz.
Benfica District ficará com dois pavilhões para as modalidades mas acrescentará ainda uma arena de 10.000 lugares
Mas o que trará de novo o projeto “Benfica District”, que conta também com a colaboração do escritório de arquitetura Saraiva + Associados? Os detalhes serão conhecidos na apresentação ao final da tarde desta terça-feira mas já se sabem alguns dos principais ícones do projeto de transformação de toda a zona que circunda o Estádio da Luz e que aumentará e muito tudo aquilo que se conhece hoje na envolvência.
- Pavilhão multiusos com 10.000 lugares, que permitirá não só receber grandes eventos no plano desportivo como concertos, eventos culturais ou eSports, com essa particularidade de passar a ser (de longe) a maior infraestrutura deste tipo a pertencer a um clube desportivo;
- Dois pavilhões multiusos cobertos de última geração, com capacidade para 2.500 e 1.500 lugares, que acolherão os jogos de modalidades como basquetebol, voleibol, andebol, hóquei patins, futsal, boxe e muito mais, que irão substituir os dois pavilhões existentes e também a piscina;
- Uma piscina comunitária com 25×25 metros, com comodidades modernas para “um recurso recreativo para adeptos e residentes”;
- Um teatro/espaço para eventos, com capacidade para 500 pessoas;
- Um campo de futebol ao ar livre no terraço e uma pista de corrida, “criando ambientes imersivos de treino e fitness no coração de Lisboa”;
- Instalações comerciais, hoteleiras e residenciais;
- Um novo espaço de convívio para antes e depois dos jogos do Benfica com 100×40 metros, aumentando o que existe nesta altura como praça para sócios e adeptos em frente à fachada principal do Estádio “inspirada nas famosas praças cívicas de Lisboa como a Praça do Rossio” com capacidade para mais de 10.000 pessoas e que poderá funcionar também de forma diária por ter lojas, restaurantes e esplanadas.
Em paralelo com tudo isso, o Estádio da Luz continuará a sofrer renovações, desta vez a um nível “macro”. “Uma nova fachada, fluida e dinâmica na sua arquitetura, redefine a sua forma através de uma perspetiva contemporânea, moderando a luz e o calor para proporcionar sombra aos átrios e melhorar o conforto dos sócios e adeptos, preservando ao mesmo tempo as icónicas vigas curvas do telhado. A fachada apresenta iluminação LED integrada que tece uma camada digital dinâmica em toda a estrutura, iluminando a arquitetura nos dias de jogo. Será adicionado um novo quarto nível à infraestrutura, fora da arquibancada, com possibilidade de escritórios e oferta de hospitalidade premium”, explica.
Nova praça para os sócios e adeptos antes e depois dos jogos do Benfica será outro dos ex-libris do projeto
“Este é um projeto ambicioso e estratégico, a pensar nos sócios, nos adeptos e no clube, que pretendemos começar a concretizar de imediato, para criar melhores condições no estádio, para as modalidades, para projetar o Benfica ainda mais no país e no mundo como a grande referência desportiva de Portugal e a tempo de estar concluído para as grandes competições internacionais que o país vai acolher. É um projeto à Benfica, que gera melhores condições para a competição, para experienciar o clube e para acolher quem quer viver o que é ser parte da Chama Imensa, do maior de Portugal. É uma aposta para nos fazer mais fortes, mais valiosos e ainda mais liderantes”, destaca Rui Costa na apresentação de todo o projeto.
[É sábado. No lobby de um hotel de Albufeira um assassino misterioso espera junto ao bar por um convidado especial: representa a Organização para a Libertação da Palestina. Quando o vê entrar, o terrorista dispara quatro tiros e foge. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]
“Este plano diretor é um exemplo de como empreendimentos de uso misto, ancorados em locais únicos, podem revitalizar todo um território e assumir-se como referência cultural e comunitária. O Estádio da Luz não será apenas a casa da orgulhosa história do Benfica, mas um catalisador para o seu futuro, vibrante e liderante pelas experiências que acolhe e proporciona aos sócios, aos adeptos e aos visitantes do Benfica District, portugueses e estrangeiros”, salienta Tom Jones, diretor sénior e arquiteto do projeto.
“O Estádio da Luz é um dos estádios mais emblemáticos do mundo e o lar das legiões de adeptos apaixonados do Benfica. Este projeto emocionante irá modernizar o estádio e a área circundante, introduzindo novas comodidades em todo o plano diretor, que incluem uma nova arena multiusos, pavilhões desportivos e uma praça para os adeptos, beneficiando tanto os adeptos nos dias de jogo como a comunidade durante todo o ano. Irá proporcionar uma nova experiência aos adeptos e ajudar o clube a aumentar as receitas, estabelecendo uma nova referência na Europa, à medida que Portugal se prepara para o Mundial de 2030″, aponta Jorge Betancor, diretor da Populous que lidera as operações da empresa.