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Morreu Hulk Hogan, o lendário lutador de wrestling tinha 71 anos

Este artigo tem mais de 1 ano

Foi uma das figuras mais icónicas da luta livre norte-americana durante a década de 80 do século XX, marcando uma era na WWE. Os últimos anos foram marcados pela polémica e pelo apoio a Trump.

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Getty Images

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Morreu, aos 71 anos, Hulk Hogan, o icónico ex-lutador e um dos principais protagonistas do wrestling durante as últimas duas décadas do século XX e os primeiros anos do século XXI. Foi campeão do mundo por 12 vezes, entre as várias empresas onde trabalhou, atingindo o Hall of Fame da maior empresa do género, a WWE, em 2005. Os últimos anos, porém, foram marcados por declarações racistas divulgadas numa sex tape e uma aproximação a Donald Trump, atual Presidente dos Estados Unidos, que apoiou nas últimas eleições.

À NBC, o manager, Chris Volo, revelou que o lutador morreu na sua casa, na cidade de Clearview, no estado norte-americano da Florida. Segundo a polícia da localidade, citada pela estação norte-americana, Hogan sofreu uma paragem cardíaca fatal, não havendo suspeitas de crime.

Apesar de ser conhecido por este nome, não lhe foi o que lhe foi dado à nascença. Nasceu Terry Gene Bollea a 11 de agosto de 1953, na cidade de Augusta, no estado norte-americano da Georgia. Durante a infância, Bollea demonstrou aptidão pelo desporto, tendo jogado basebol infantil. Porém, aos 16 anos, terá começado a ver luta livre profissional, tendo começado a praticá-la em 1977, ano em que cumpriu 23 anos.

Como Terry Bollea se transformou em Hulk Hogan

Terry Gene Bollea só se tornou Hulk Hogan quando, depois de dois anos de experiência em empresas mais pequenas, se juntou à WWE (então WWF) em 1979, com o nome a vir por sugestão de Vince McMahon Sr., o fundador da companhia norte-americana e pai do homem que o sucederia: Vince McMahon. Esta primeira passagem pela foi relativamente curta, durando apenas dois anos, até 1981.

Em 1982, Hogan teve o seu primeiro papel em Hollywood, representando Thunderlips no filme Rocky III (1982). Sylvester Stallone, o ator que fez do pugilista, disse no Instagram estar de “coração partido” com a notícia da morte de Hogan.

“Tive o prazer de conhecer esta personalidade brilhante e showman quando ele tinha 26 anos. Ele era absolutamente maravilhoso e a sua incrível habilidade tornou Rocky III incrivelmente especial“, escreveu Stallone.

Até 1983, Hogan lutou pela American Wrestling Association, onde foi ganhando popularidade e estava marcado para ser o futuro de uma empresa que queria crescer. Porém, perante a expansão da WWE, que comprou várias empresas regionais para se tornar na maior do país, o lutador voltou a onde começou. E voltou para ser o protagonista.

A relação com a WWE e a passagem para a WCW

Durante esta segunda metade da década de 80 do século XX, Hulk Hogan tornou-se uma das figuras mais icónicas da chamada “era de ouro” da luta livre norte-americana, protagonizando a explosão da popularidade da empresa. Na rede social X, a WWE disse estar “entristecida” pela morte do lutador, chamando-lhe “uma das figuras mais reconhecíveis da cultura popular” que ajudou a empresa “atingir reconhecimento global” nos anos 80.

Durante entrevistas encenadas, o “bom da fita” (babyface, nos termos usados no wrestling) foi-se tornado um símbolo devido ao seu bigode em forma de ferradura e a falar alto a gritar a sua típica frase: “Whatcha gonna do, brother?“, rasgando (quando a tinha vestida) a camisola de alças com as cores vermelha e amarela — paleta de cores que se tornou imagem de marca.

Durante grande parte desta época, Hogan foi o campeão do principal título, destacando-se a vitória contra Andre The Giant na terceira edição do megaespetáculo anual Wrestlemania, em 1987, ou nos duelos com outro dos principais protagonistas, Randy Savage, culminando no confronto na Wrestlemania V, em 1989.

▲ Hulk Hogan no combate contra Andre The Giant na Wrestlemania III

WWE via Getty Images

No início da década de 90, porém, a sua carreira enfrentou alguns sobressaltos, especialmente após a descoberta de um escândalo sobre uma alegada distribuição de esteroides, que envolveu a WWE e ao seu dono Vince McMahon num longo processo em tribunal até 1994, no qual Hogan testemunhou.

Um ano antes, em 1993, o lutador já tinha mudado de ares, saindo para assinar pela World Championship Wrestling (WCW), empresa sediada no estado norte-americano da Georgia e então da propriedade do magnata televisivo e fundador da CNN, Ted Turner.

Aqui, a popularidade de Hulk Hogan pôs mais olhos a verem a WCW, uma empresa então considerada regional do sul, permitindo-a começar a rivalizar com a WWE. Foi quando a estrela virou, pela primeira, para o lado mau da força (virou heel, nos termos usados no wrestling) no evento Bash at the Beach, em 1997, que a sua carreira voltou a explodir em termos de popularidade.

O papel de mau da fita e o último combate em 2006

O lutador, então com 42 anos de idade, teve um verdadeiro renascimento na carreira, trocando as boas ações e os típicos pedidos às crianças para “tomarem as suas vitaminas e rezarem” pela vontade de mandar na empresa, puxando pelo seu histórico em Hollywood para mostrar aos rivais e aos fãs que era melhor e, com o seu grupo New World Order (NWO), tomar conta do espetáculo.

Depois deste momento, o amarelo e vermelho foram trocados pelo preto e branco, sendo rivalizado por poucos durante o seu reinado no topo, onde chegou partilhar o ringue da WCW com estrelas como o basquetebolista Dennis Rodman e o apresentador Jay Leno.

A seguir a este segundo auge, a carreira da estrela entrou numa trajetória maioritariamente descendente, especialmente com a queda de popularidade da NWO. A WCW enfrentou problemas financeiros e, depois de uma fusão do grupo de Ted Turner, foi vendida pela WWE em 2001.

No ano seguinte, voltou à WWE, acabando por voltar a ser o “bom da fita” e declarar o regresso da Hulkamania, pintada a vermelho e amarelo. A passagem durou até 2005 e foi um regresso à ribalta e às vitórias dos títulos de campeão, tendo abandonado a empresa depois do contrato acabar.

A sex tape, os comentários racistas e o apoio a Trump

Nos últimos anos, Hogan, que lutou pela última vez em 2006 na empresa TNA, acabou por receber um contrato da WWE dedicado a lendas da modalidade, fazendo aparições pontuais. Porém, em 2015, a divulgação de um vídeo de sexo com declarações racistas sobre o namorado da filha, Brooke, levou a críticas que acabaram no fim do contrato de lendas e a sua expulsão do Hall of Fame.

Hogan, à revista People, “pediu desculpas” do que fez, dizendo que tinha sido “inaceitável” da sua parte “ter usado essa linguagem ofensiva” e que não havia “desculpa” para o fazer. Para a WWE, em 2018, esta e as várias desculpas que pediu foram suficientes para repo-lo no Hall of Fame da empresa, como explicaram no comunicado da altura.

Em 2024, o agora ex-lutador assumiu protagonismo político, discursando na Convenção do Partido Republicano que nomeou Donald Trump. Numa entrevista à televisão Fox News, disse que o momento em que o atual Presidente se levantou depois de uma bala lhe ter atingido a orelha foi o momento em que decidiu apoiar publicamente o republicano.

“Quando o vi levantar-se com o punho no ar e o rosto ensanguentado, como um guerreiro, como um líder, percebi que era disso que os Estados Unidos precisavam”, contou então Hogan.

No discurso na Convenção, Hulk Hogan disse que “tinha estado no ringue com alguns dos tipos mais mauzões do planeta” mas que o então candidato era “o tipo mais duro deles todos“.

“Deixem a Trumpmania correr solta, brother!“, disse, referenciando a sua “Hulkamania” enquanto rasgava a camisola ao seu estilo típico. “Deixem a Trumpmania governar novamente! Deixem a Trumpmania tornar a América grande novamente!”, acrescentou.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu na rede social Truth Social que tinha perdido o seu “grande amigo”, deixando fortes elogios ao discurso “elétrico” que fez na Convenção Republicana.

“Hulk Hogan era MAGA até ao fim“, recordou o líder norte-americano.

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