Depois da transição, o regresso à alta montanha. A Volta a França entrou em força na sua fase decisiva, com o pelotão a escalar as montanhas mais altas dos Alpes — e desta edição — em duas explosivas etapas. Na primeira, a fuga voltou a triunfar, com Ben O’Connor (Jayco AlUla) a aproveitar para triunfar pela segunda vez no Tour. Na geral, a Visma-Lease a Bike tentou atacar Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) com ataques a mais de 70 quilómetros da meta, mas o esloveno nunca mostrou parte fraca, mesmo sem o apoio dos colegas, e ainda ganhou tempo a Jonas Vingegaard no final. Ao rubro estava a luta pelo terceiro lugar, com Florian Lipowitz (Red Bull-Bora-hansgrohe) e Oscar Onley (Picnic PostNL) separados por apenas 22 segundos.
“Queria a vitória, mas a camisola amarela é a minha prioridade. Quando a Visma forçou [o ritmo] no Col de la Madeleine, pensei que a vitória na etapa era possível. Eles talvez estavam a ir demasiado rápido, mesmo na descida. Atacaram-se e não houve cooperação. Esperei pelos meus companheiros de equipa, mas demorou muito. Quando chegámos ao início da montanha, pensei que a Visma iria acelerar para alcançar a fuga. O’Connor? Esteve bem. Perdemos a vitória na etapa, mas as minhas pernas estavam boas no Col de la Loze e vou continuar de amarelo. Hoje [quinta-feira] foi a etapa rainha e amanhã é a segunda etapa rainha. Mais três dias e posso tirar férias”, assumiu Pogacar no final da etapa, que lhe valeu ainda a liderança cada vez mais isolada da classificação da montanha, depois de Lenny Martinez (Bahrain-Victorious) ter perdido oito pontos por ter sido ajudado pelo carro de equipa.
“Foi um dia brutal. Foram cinco horas no selim. Não sei se já tinha feito uma etapa tão difícil no Tour… Disse-o antes da etapa, mas sim, esta foi uma etapa brutal. Senti-me bem, a equipa sentiu-se bem, tínhamos grandes planos e era possível prever que íamos atacar cedo. Conseguimos, mas infelizmente não pude ganhar tempo ao Tadej. A equipa foi incrível e quero agradecer novamente aos meus companheiros de equipa, todos apoiaram a 100% o plano. Isso dá-me muita motivação quando tenho uma equipa a trabalhar para mim desta forma. Pogacar? Ganhou alguns segundos no final, mas o Tour ainda não acabou. Ainda não…”, partilhou, por sua vez, Vingegaard.
???? Stage 19 / Étape 19 ????
???? Albertville
???? @LaPlagne
???? 93,1 km
⏰ 14:30 CEST > 17:22 CEST
⛰ 2xHC, 1×2️⃣
???? km 12,1#TDF2025???? More details and stage description on our official website pic.twitter.com/c5y7Ht92r3
— Tour de France™ (@LeTour) July 25, 2025
Assim, o pelotão chegou à antepenúltima etapa do Tour, que sofreu alterações de última hora, motivadas por um surto de dermatose nodular, uma doença de pele contagiosa que afeta bovinos na região do Col des Saisies. Deste modo, já durante a noite de quinta-feira, a organização da Grande Boucle decidiu retirar as duas primeiras subidas (Côte d’Héry-sur-Ugin e Col des Saisies) e reduzir a etapa para apenas 93,1 quilómetros. O sprint intermédio passou para Villard-sur-Doron, 12 quilómetros depois da saída de Albertville. A partir daí surgiam as principais dificuldades do dia, com o Col du Pré (categoria especial) e Cormet de Roselend (segunda cat.). Por fim, La Plagne (cat. especial) prometia voltar a causar grandes dificuldades ao pelotão, com quase 20 quilómetros e médias acima dos 7%. Em toda a história do Tour, só um vencedor da prova venceu naquela montanha: Laurent Fignon, em 1984.
Com a partida retardada para a tarde, a Lidl-Trek voltou a controlar a corrida até ao sprint intermédio, ganho, novamente, por Jonathan Milan, que deu um passo de gigante rumo à conquista da camisola verde. A partir daí, e já na primeira subida do dia, a corrida partiu-se, com muitos ataques a surgirem. Primoz Roglic (Red Bull) voltou a ser um dos intervenientes, juntamente com nomes como Jordan Jegat (TotalEnergies), Ben Healy (EF Education-EasyPost) e Tobias Johannessen (Uno-X Mobility). O grupo acabou alcançado, à exceção de Roglic, que se manteve na frente com Martinez e Valentin Paret-Peintre (Soudal Quick-Step). A Emirates continuou a impedir que a vantagem se consolidasse, mostrando intenções de lutar pela etapa. Já com o vencedor do Mont Ventoux na dianteira, Lenny Martinez foi primeiro no Col du Pré e recuperou o segundo lugar na classificação da montanha. A tendência manteve-se logo a seguir, no Cormet de Roselend, e, antes da última contagem de categoria especial do Tour, a diferença para Pogacar era de apenas em oito pontos (105-97).
???? ???????? Lenny Martinez passe en tête au col du Pré et remonte à la 2ème place. ⚪️????#TDF2025 pic.twitter.com/Ug5EgpPHcl
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???? The stunning Barrage de Roselend !
???? Le magnifique barrage de Roselend!#TDF2025 pic.twitter.com/aWpqw0ZxtH
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Kévin Vauquelin (Arkéa-B&B Hotels) e Jegat foram os primeiros candidatos a ceder, com a Uno-X a aproveitar para aumentar o ritmo no grupo dos favoritos. Já com os franceses alcançados e a chuva a reaparecer na prova no vale, Roglic foi alcançado a 21 quilómetros do alto e ficou para trás logo no início da subida, motivando uma ofensiva da Decathlon AG2R La Mondiale, que tinha dois corredores com Felix Gall. O austríaco testou o grupo a 15 quilómetros do fim, reduzindo-o para apenas sete elementos. Seguiu-se o ataque de Thymen Arensman (Ineos Grenadiers), com Pogacar a contra-atacar e a levar Vingegaard consigo. O neerlandês reentrou e voltou a desferir ataques, conseguindo isolar-se já dentro dos últimos 13 quilómetros. Atrás, Gall ia sendo alcançado por Healy, Lipowitz, Onley, Johannessen e Frank van den Broek (Picnic), com o grupo do camisola branca a chegar aos dois primeiros da geral a 11 quilómetros do fim.
???? Attack by @TamauPogi 14 km from the finish line! Jonas Vingegaard follows.
???? Attaque de @TamauPogi à 14 km de l'arrivée ! Jonas Vingegaard le suit comme son ombre.#TDF2025 pic.twitter.com/Dpgw6wRCwR
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O camisola amarela voltou à carga à entrada para os últimos sete quilómetros, com Vingegaard, Onley e Lipowitz a responderem. Com a diferença para Arensman a descer, Onley cedeu de vez na luta pelo pódio a dois quilómetros da meta, com Lipowitz a aproveitar para acelerar. Num final épico, o neerlandês conseguiu aguentar a vantagem e chegou ao bis neste Tour. Vingegaard lançou o sprint e terminou em segundo, ganhando tempo a Pogacar pela primeira vez, devido às bonificações. Lipowitz chegou no quarto lugar e ganhou 41 segundos a Onley, o quinto. Com este terceiro lugar, o esloveno tem praticamente carimbada a conquista da camisola das bolinhas, precisando apenas de terminar em Paris.
Ni Vingegaard ni Pogacar: ???????????????????????? ???????????????????????????????? ????
El neerlandés gana en La Plagne por escasos metros y suma su segundo triunfo. Jonas llega por delante de Tadej por primera vez en la montaña del Tour.
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— Eurosport.es (@Eurosport_ES) July 25, 2025
Na geral, Jonas Vingegaard reduziu para os 4.24 minutos a desvantagem face a Tadej Pogacar, ao passo que Florian Lipowitz já tem 1.03 de vantagem para Oscar Onley, no terceiro lugar (11.09 contra 12.12). Felix Gall entrou no top 5, a 17.12 do esloveno.