Ao 17.º dia, os sprinters voltaram a impor-se na Volta a França. Antes das decisões nos Alpes, a etapa que terminou em Valence voltou a ser talhada para os homens mais rápidos do pelotão, com Jonathan Milan (Lidl-Trek) a sair por cima e a chegar ao seu segundo triunfo neste Tour, empatando com Tim Merlier (Alpecin-Deceuninck). Num dia que serviria de transição, a chuva decidiu intrometer-se na corrida e acabou por provocar diversas quedas, a últimas das quais no último quilómetro, deixando Merlier e Biniam Girmay (Intermarché-Wanty) fora da discussão final. Carlos Rodríguez (Ineos Grenadiers) também caiu e foi um dos principais azarados do dia.
“O dia foi relativamente tranquilo, mas não fácil, porque foi rápido e o tempo estava mau no final. Estou feliz por a etapa ter terminado e todos termos chegado em segurança. Vamos para duas grandes etapas alpinas. O mau tempo chegou e os próximos dias não devem ser muito melhores. Normalmente adapto-me, mesmo que no final prefira o sol. O objetivo é manter a camisola amarela, apenas isso. Para amanhã [quinta-feira], podemos esperar que a Visma-Lease a Bike tente entrar na fuga e faça as subidas a toda velocidade. Mais tarde, no Col de la Loze, farão de tudo para me deixar para trás. Estarei pronto para enfrentar o que vier. Conheço La Loze, é uma subida magnífica e está entre as mais difíceis que já fiz. Talvez este lado seja um pouco menos difícil do que aquele que escalámos em 2023…”, afirmou Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG).
“Não foi um dia fácil. Com a chuva, foi um final um pouco perigoso. A equipa manteve-me bem posicionado, portanto foi um bom dia para nós. Quinta-feira? Ainda não pensei na etapa. Quando estou numa etapa, só penso nela e não no dia seguinte. Será uma etapa muito difícil, provavelmente a etapa mais difícil deste Tour“, perspetivou Jonas Vingegaard (Visma), que ia voltar a um palco onde foi feliz, já que, em 2023, foi no Col de la Loze que garantiu a sua segunda vitória na Volta a França, ao descartar Pogacar, num momento que ficou eternizado pelo célebre “I’m gone. I’m dead”.
???? 3 monsters and 5.450m of positive elevation stand in front of the riders for a stage that will do some damage!
???? 3 monstres et 5.450m de D+ se dressent devant les coureurs pour une étape qui fera des dégâts !#TDF2025 pic.twitter.com/TE3IZnH32a
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Foi assim que chegámos à etapa rainha deste Tour, que ligou Vif à Col de la Loze, num total de 171,5 quilómetros. Pelo meio, os ciclistas tinham que enfrentar três subidas de categoria especial, numa tirada com cerca de 5.550 metros de desnível positivo acumulado. Depois do sprint intermédio, logo aos 23 quilómetros, seguiu-se o Col du Glandon, uma subida feita em três fases, com quase 22 quilómetros e uma inclinação média de 5,1%. Feita a descida até Saint-Étienne-de-Cuines, apareceu o mítico Col de la Madeleine, com 19,2 quilómetros a 7,9%. Após nova descida, até Notre-Dame-de-Briançon, faltava La Loze, feita pela vertente de Courchevel, com 26,4 quilómetros a 6,5%, num verdeiro teste à resistência física e psicológica.
A etapa começou a jogar-se antes da partida real em Vif, com Pogacar a envolver-se num choque com um dos carros da Visma. Segundo o campeão do mundo, a colisão foi leve e não causou impacto. “Talvez estivéssemos demasiado perto, mas talvez o motorista deles quisesse testar os meus travões? Bati no carro, mas está tudo bem”, assumiu, antes de voltar a falar da etapa: “Estou pronto para ir com tudo. Arriscar tudo diria que é um pouco exagerado, arriscar o segundo lugar, entendo. Hoje é o dia D, a etapa rainha e hoje é para ir com tudo do início ao fim”. Também antes da etapa foi conhecido o abandono de Carlos Rodríguez, que sofreu duas quedas na véspera e foi diagnosticado com uma fratura pélvica. O espanhol só deverá a competir em 2026.
"He brake checked me"
Tadej Pogačar reveals he crashed into the Visma | Lease a Bike car this morning ????????????#TDF2025 pic.twitter.com/06XbCCuyhn
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Como seria de esperar, a Lidl controlou a corrida até à passagem em Rioupéroux, com Milan a levar de vencido mais um sprint intermédio, que lhe permitiu aumentar para 92 pontos a vantagem para Pogacar. A fuga formou-se pouco depois e voltou a ser numerosa, com destaque para as presenças de Primoz Roglic (Red Bull-Bora-hansgrohe), Felix Gall (Decathlon AG2R La Mondiale), Jordan Jegat (TotalEnergies), Tim Wellens (Emirates) e Matteo Jorgenson (Visma). Lenny Martinez (Bahrain-Victorious) também aproveitou os muitos pontos para se intrometer na fuga e voltar à liderança isolada da camisola da montanha, passando em primeiro no topo do Glandon. Na descida, Gregor Mühlberger (Movistar) caiu e perdeu o contacto com a dianteira. Com a vantagem estabilizada nos dois minutos por conta do controlo da Visma, Kévin Vauquelin (Arkéa-B&B Hotels) foi o primeiro homem da geral a descolar, seguindo-se Ben Healy (EF Education-EasyPost), ainda a mais de dez quilómetros do topo da Madeleine.
A 5,5 quilómetros do alto, já sem Enric Mas, que abandonou depois de não ter conseguido chegar à fuga, a aceleração de Sepp Kuss (Visma) cortou de vez o grupo, deixando Pogacar sozinho e Florian Lipowitz (Red Bull) a segurar-se ao máximo. No quilómetro seguinte, a 72 da meta, foi a vez de Vingegaard desferir o primeiro ataque, com o esloveno a seguir na sua roda. O duo acabou por alcançar a fuga e Jorgenson assumiu o trabalho em prol do seu líder. No Col de la Madeleine, Vingegaard passou em primeiro, com Pogacar na sua roda. Apesar da superioridade numérica, a Visma entrou numa toada mais defensiva no plano e Ben O’Connor (Jayco AlUla) aproveitou para atacar, descolando com Jorgenson e Einer Rubio (Movistar). Lipowitz reentrou no grupo nessa fase e atacou de imediato, não encontrando resposta. Mais à frente, Gall também tentou sair do grupo, mas a resposta de Vingegaard impediu-o. Seguiu-se novo ataque do austríaco, com Roglic a responder.
???? Let's go! Jonas Vingegaard attacks! @TamauPogi stays on his wheel!
???? Et c'est parti ! Jonas Vingegaard attaque ! @TamauPogi ne le lâche pas d'une semelle !#TDF2025 pic.twitter.com/Q1z2V6qSBj
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No início da subida final, o grupo de Oscar Onley (Picnic PostNL) chegou ao grupo do camisola amarela, que voltou a contar com Jhonatan Narváez, Marc Soler e Adam Yates, com o dinamarquês a reforçar-se com Kuss e Simon Yates. Com essa mudança de números, Jorgenson abandonou o duo da dianteira e não conseguiu apoiar os companheiros por incapacidade física. Já dentro dos últimos 20 quilómetros, Jegat voltou a descolar e O’Connor isolou-se a 16 quilómetros da meta. Com Narváez a assumir a perseguição, Vauquelin e Roglic voltaram a passar por dificuldades e Lipowitz foi alcançado. À entrada para a fase decisiva, só Adam Yates, Onley, Roglic e Gall aguentavam o ritmo de Pogacar e Vingegaard, que voltou a atacar a dois quilómetros do alto. Ben O’Connor somou, assim, a primeira vitória em 2025, a segunda no Tour e a quarta em Grandes Voltas, tendo já completado a trilogia. Ainda houve tempo para Pogacar acelerar e deixar todos para trás, chegando em segundo, a 1.45 minutos, com Vingegaard a fechar o pódio, a 1.54.
Zirvede zafer Ben O'Connor’dan! #TDF2025 pic.twitter.com/2unXBiGHWS
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Na geral, Tadej Pogacar aumentou para 4.26 minutos a vantagem para Jonas Vingegaard e isolou-se na liderança da montanha, com mais 16 pontos que o dinamarquês e 33 que Lenny Martinez. Florian Lipowitz segurou o terceiro lugar por apenas 22 segundos, com Oscar Onley a posicionar-se em quarto (11.01 contra 11.23). Primoz Roglic completa o lote dos cinco primeiros, a 12.49 do compatriota.
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