Nos últimos dias é possível que tenha cruzado com algum vídeo de influencers a degustar um doce vermelho envernizado que quase parece uma peça de porcelana. Ao partir a crosta de caramelo, vê-se a camada de brigadeiro de chocolate branco e, por dentro o morango fresco. Este é o “morango do amor”, um doce que se tornou uma febre no Brasil graças às redes sociais e agora chega a várias confeitarias brasileiras em Portugal.

Trata-se de um doce inspirado em outra iguaria típica das festas juninas brasileiras, a maçã do amor. A sobremesa é uma maçã num palito, envolta numa crosta vermelha cristalizada, criada pelo catalão José Maria Farre Angles em 1955, um ano depois de chegar à capital do estado de São Paulo, no Brasil, com a família. O empresário aproveitou a fruta em quantidade farta no país para desenvolver um doce que pudesse vender em praças, feiras e festas juninas — as festas celebradas no mês de junho em vários estados brasileiros. Entretanto, foi em 1960 que a iguaria recebeu um nome, quando foi apresentada na primeira Feira de Utilidades Domésticas. De acordo com o que conta Leandro Lopes Farre, o neto do criador do doce, ao jornal Estado de S. Paulo, Angles convocou uma reunião familiar para nomear a sobremesa. A decisão recaiu sobre “maçã do amor”, uma referência bíblica à maçã que expulsou Adão e Eva do paraíso.

Contudo, há controvérsias sobre a verdadeira origem do doce. É que anos antes, em 1908, o norte-americano William W. Kolb já inventara a “candy apple”, ou “maçã rebuçado”. Diz-se que o dono de uma loja de doces estava a fazer algumas experiências com rebuçados de canela vermelha para vender durante o período de Natal e achou que envolver maçãs no caramelo vermelho seria uma boa forma de chamar a atenção para a sua montra. Entretanto, as maçãs com intenção decorativa acabaram por parecer mais interessantes do que os doces em si, e William W. Kolb terá vendido as “candy apples” por cinco cêntimos cada aos transeuntes que as consideraram apetitosas suficientes para as comer.

Apesar de só ter viralizado nas redes sociais agora, o “morango do amor” já existe há alguns anos, e não se sabe ao certo quem foi o primeiro confeiteiro a confecionar a receita. Contudo, um dos primeiros vídeos a viralizar no TikTok foi de Eliezer Lima, que a 30 de abril mostrou-se a morder um dos morangos produzidos pela Santa Bala Doces Caramelizados, de Goiânia, no estado de Goiás. Nas redes sociais, Eliezer está a ser considerado o precursor da trend e a confeitaria autoproclama-se a “doçaria que viralizou o morango do amor”.

@eliezer_lima0 Respondendo a @Veridiana Hoffmann provando o melhor morango de Goiânia #fyp #goiania #gyn #balascaramelizadas #morangodoamor #doceriagoiania #santabala #balas ♬ som original - Eli

Em Portugal é possível experimentar a iguaria de norte a sul, em várias confeitarias brasileiras. No Porto o quiosque Açaí Concept do ViaCatarina Shopping, em Cascais e Estoril nos cafés Carolina Sales, no Centro Comercial Colombo em Lisboa, na Georgia Brigadeiros, no LoureShopping no quiosque da Morangos Please ou em Faro, na Natalie Brownie.

[Horas depois do crime, a polícia vai encontrar o assassino de Issam Sartawi, o dirigente palestiniano morto no átrio de um hotel de Albufeira. Mas, também vai descobrir que ele não é quem diz ser. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o segundo episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro aqui]