Deu para uma, não chegou para a segunda. Depois do quarto lugar na final dos 50 mariposa, onde partia a defender o título de campeão mundial conquistado em Doha, Diogo Ribeiro preferiu deixar cair a presença nos 100 livres e apontou todas as baterias para o último dia de qualificação entre atletas portuguesas nestes Mundiais de Singapura, tendo pela frente dois apuramentos em pouco mais de uma hora. O primeiro saiu, o segundo acabou por falhar como acontecera no ano passado e era nos 100 mariposa que focava atenções.
Os indicadores eram positivos. Apesar de ter falhado o pódio nos 50 mariposa, o português conseguiu esse propósito de bater o recorde pessoal e nacional (22,77), sinal de que houve mais mérito da concorrência, neste caso de Maxime Grousset (22,47), de Noe Ponti (22,51) e de Thomas Ceccon (22,67), do que qualquer demérito próprio do nadador do Benfica naquela que acabaria por ser a final mais rápida da distância em Campeonatos do Mundo. Por tudo isso, Diogo Ribeiro fazia um bom balanço da estreia em Singapura.
“Estar numa final deste nível, a final mais rápida da história dos 50 mariposa, enche-me de orgulho e ambição para o futuro. Na final, sabemos que todos os nadadores têm uma oportunidade para ganhar uma medalha. Infelizmente, hoje, não foi o meu dia mas fiz recorde nacional por isso estou muito contente… É um resultado super bom e agora dá-me mais confiança para trabalhar para o futuro”, analisou o jovem nadador nascido em Coimbra de 20 anos, em declarações prestadas aos meios da Federação de Natação.
Diogo Ribeiro abdica de nadar 100 metros livres nos Mundiais de natação
Agora chegava mais um desafio, um dos últimos em Singapura: qualificar-se para a quinta final de Mundiais nos 100 mariposa, numa missão mais complicada do que foi atingir esse patamar nos 50 mariposa. A nadar na oitava e última série das eliminatórias, Diogo Ribeiro terminou na quinta posição atrás do canadiano Ilya Kharun, do russo Andrei Minakov, do também canadiano Josh Liendo e do australiano Jesse Jack Coleman, chegando às meias-finais com o nono melhor registo do total a 51,34, com margem para se aproximar daquele que é o seu recorde pessoal e nacional na distância de 51,17, alcançado no ano passado em Doha.
O apuramento nos 50 livres acabou por não correr da mesma forma, com o português a falhar as meias-finais como tinha acontecido no último Mundial com um tempo ainda assim melhor do que fizera em Doha, entre os 22,14 do ano passado (18.º lugar das eliminatórias) e os 22,08 agora em Singapura (26.º). O recorde pessoal e nacional, que foi alcançado este ano quando ganhou a medalha de ouro nos Europeus Sub-23 na Eslováquia a 21,67, teria dado entrada nas meias com um dos oito melhores registos de todo o apuramento mas o foco do português, que acabara de fazer antes a qualificação dos 100 mariposa, ia noutro sentido.
????♂️Mario Mollá, que ya había conseguido la marca mínima olímpica, ha terminado séptimo en la final de los 100 metros mariposa
El portugués Diogo Matos Ribeiro se impuso, por once centésimas, a Simon Bucher.https://t.co/GvUMiTXOOG#Doha2024 pic.twitter.com/NsvFXdoZag
— Teledeporte (@teledeporte) February 17, 2024
Agora, chegava a hora da verdade. E as indicações da primeira meia-final mostravam algo que seria quase inevitável: o português teria de bater o recorde nacional e baixar a fasquia dos 51 segundos para poder ainda sonhar com uma presença na decisão deste sábado. A primeira metade da prova ainda deu esperança, com Diogo Ribeiro a virar em terceiro com um tempo melhor do que quando chegou aos 51,17, os últimos 50 metros não conseguiram dar prolongamento a essa entrada e, com um sexto lugar na segunda meia-final a 51,21, o português acabou por ficar fora da decisão, não podendo defender o título ganho em Doha.
Contas feitas, Diogo Ribeiro ficou com o 12.º tempo entre os 16 semi-finalistas, com todos os grandes favoritos a conseguirem o apuramento para a decisão: o suíço Noe Ponti (50,18), o canadiano Josh Liedon (50,24), o francês Maxime Grousset (50,25) e o canadiano Ilya Kharun (50,39). Ficaram também qualificados para a final deste sábado à hora de almoço Thomas Ceccon (Itália, 50,42), Matthew Temple (Austrália, 50,83), Andrei Minakov (Rússia, 50,87) e Simon Bucher (Áustria, 50,88).
Camila Rebelo qualificada para meias-finais dos 200 costas nos Mundiais
Pouco depois, também Camila Rebelo esteve nas meias-finais dos 200 costas, naquela que poderia ser uma última hipótese de voltar a ver um português numa decisão destes Mundiais de Singapura. Numa prova de trás para a frente, como é regra para a atleta do Louzan, a portuguesa acabou a segunda meia-final no quinto lugar com 2.09,40 e voltou a terminar com o nono melhor registo como tinha acontecido nas eliminatórias, ficando assim com o primeiro lugar de reserva para a final. A húngara Dora Molnar, com 2.09,09, foi a última qualificada para uma última corrida ao final da manhã deste sábado que contará com cinco grandes candidatas às medalhas: Xuwei Peng (China, 2.07,76), Anastasiya Shkurdai (Rússia, 2.07,85), Claire Cuzan (EUA, 2.08,13), Kayle McKeown (Austrália, 2.08,36) e Regan Smith (2.08,67).
[Horas depois do crime, a polícia vai encontrar o assassino de Issam Sartawi, o dirigente palestiniano morto no átrio de um hotel de Albufeira. Mas, também vai descobrir que ele não é quem diz ser. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o segundo episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro aqui]