“Violenta” e “uma tempestade num copo de água”. É assim que Anette Nutzhorn, zoóloga-chefe do Jardim Zoológico de Aalborg, na Dinamarca, descreve a atenção que o estabelecimento tem recebido, em declarações ao Nordjyske. O apelo do zoo, na passada quinta-feira, para a doação de animais de estimação, que tenham de ser eutanasiados, para servir de alimento para os seus predadores tem sido alvo de críticas.
No seu site, o jardim zoológico coloca desde logo a questão: “Quer doar o seu cavalo para alimento?”. Desde que não tenha estado doente nos 30 dias antes da entrega e tenha um passaporte, entre outras condições, o animal pode ser entregue ao zoo, que depois o vai eutanasiar e usar como comida. Este processo resulta ainda num benefício fiscal para o dono.
Aceitam-se também animais de pequeno porte, como coelhos, galinhas e porquinhos-da-Índia. Numa publicação na sua página no Facebook, o Zoo de Aalborg explica que estes “constituem uma parte importante da dieta” dos seus predadores, especialmente do lince-europeu, que “precisa de presas inteiras, que se assemelhem ao que caçaria naturalmente”.
Desta forma, o zoo assegura que “nada é desperdiçado” e garante o “comportamento natural, nutrição e bem-estar” dos animais. Apesar de pedir apenas animais “saudáveis”, mas que “tenham de ser eutanasiados por algum motivo”.
A vice-diretora do Zoo de Aalborg, Pia Nielsen, descreve a importância de alimentar predadores com carne, “de preferência com pele e ossos”, para lhes dar uma dieta “o mais natural possível”, cita-a o The Guardian, Por isso, na sua opinião, “faz todo o sentido deixar que animais, que têm de ser eutanasiados por várias razões, possam ser usados desta maneira”. Adianta ainda que esta prática é comum na Dinamarca, e que o zoológico já o faz “há vários anos”.
Aliás, Anette Nutzhorn diz ao Nordjyske que o zoo tem esta iniciativa desde que abriu, e que nunca viveu este tipo de polémica. Ainda assim, mantém que está “disposta” a falar sobre o assunto, até porque o jardim zoológico foi criado “para falar sobre a natureza e ecossistemas”.
Entretanto, face ao interesse internacional, o Zoo de Aalborg fechou as secções de comentários das publicações sobre esta iniciativa. Adianta ainda, num acrescento feito aos posts originais, que é compreensível que o projeto “desperte sentimentos e interesse”, mas que “a retórica odiosa e malévola não é necessária”. Posto isto, termina ao dizer que a organização tem “todo o gosto em responder a perguntas, por mensagem ou por email”.
Texto editado por Dulce Neto