Estão de volta as emoções do melhor futebol da Europa. De um lado o vencedor da Liga dos Campeões. Do outro a equipa que conquistou a Liga Europa. Podiam ser consideradas as duas melhores equipas do Velho Continente, não estivéssemos a falar de duas competições distintas. Ainda assim, PSG e Tottenham vão estar presentes na próxima edição da Liga dos Campeões, onde prometem ir longe. Para adoçar o apetite, os dois conjuntos podiam fazer história esta quarta-feira, já que nenhum dos dois tinha levantado o primeiro troféu internacional da temporada: a Supertaça Europeia. O conjunto francês chegou à final pela segunda vez (perdeu 9-2 no agregado em 1996, com a Juventus), depois de ter conquistado a Champions pela primeira vez, ao passo que os ingleses estrearam-se nesta prova, embora tenham erguido a Liga Europa pela terceira vez.

A primeira final europeia da temporada teve ainda o condão de ser protagonizada por portugueses, a começar pela equipa de arbitragem liderada por João Pinheiro, com os assistentes Bruno Jesus e Luciano Maia, o VAR Tiago Martins e o AVAR Fábio Melo. Para além disso, a ausência de João Neves prometia ter impacto no desafio, depois de o médio ter sido expulso frente ao Chelsea, na final do Mundial de Clubes, por puxar o cabelo a Marc Cucurella. Ainda assim, os parisienses contavam com o contributo de Nuno Mendes, Vitinha e Gonçalo Ramos, tendo ainda o lesionado Renato Sanches no seu plantel. Nos londrinos, João Palhinha foi o único português presente, juntando-se ao antigo colega de equipa no Sporting, Pedro Porro, nos últimos dias.

Ficha de jogo

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PSG-Tottenham, 2-2 (4-3, g.p.)

Supertaça Europeia 2025

Dacia Arena, em Udine (Itália)

Árbitro: João Pinheiro (Portugal)

PSG: Lucas Chevalier; Achraf Hakimi, Marquinhos, Willian Pacho, Nuno Mendes; Vitinha, Warren Zaïre-Emerry (Lee Kang-in, 68’); Khvicha Kvaratskhelia (Fabián Ruiz, 60’), Désiré Doué (Gonçalo Ramos, 77’), Bradley Barcola (Ibrahim Mbaye, 68’); Ousmane Dembélé

Suplentes não utilizados: Matvey Safonov, Renato Marin; Lucas Beraldo, Lucas Hernández e Noham Kamara

Treinador: Luis Enrique

Tottenham: Guglielmo Vicario; Kevin Danso, Cristian Romero, Micky van de Ven; Pedro Porro, Rodrigo Betancur, João Palhinha (Archie Gray, 72’), Pape Sarr (Lucas Bergvall, 90’), Djed Spence; Mohammed Kudus (Mathys Tel, 79’) e Richarlison (Dominic Solanke, 72’)

Suplentes não utilizados: Antonín Kinsky, Brandon Austin; Brennan Johnson, Wilson Odobert, Ben Davies, Jun’Ai Byfield e Luka Vuskovic

Treinador: Thomas Frank

Golos: Van de Ven (39’), Romero (48’), Lee (85’) e Ramos (90+4’); Solanke, Bentancur, Ramos, Dembélé, Lee, Porro e Nuno Mendes, falharam Vitinha, Van de Ven e Tel

Ação disciplinar: cartão amarelo a Richarlison (53’), Barcola (55’), Pacho (58’), Danso (62’) e Dembélé (90’)

O PSG começou a nova temporada em grande forma, depois de ter conquistado praticamente tudo o que tinha para conquistar em 2024/25: Ligue 1, Taça de França, Supertaça francesa e Liga dos Campeões. Ainda assim, os rouge et bleu falharam a entrada na eternidade do futebol ao perderem o Campeonato do Mundo de Clubes. Apesar dessa falha, terminar o ano de 2025 com seis troféus conquistados ainda era uma opção plausível, já que a equipa de Luis Enrique tem ainda pela frente a Taça Intercontinental, em dezembro. Gigi Donnarumma foi a outra grande ausência dos parisienses para esta Supertaça Europeia, que surgiu ao sexto dia de pré-época, com o italiano a ser riscado da lista de convocados por estar na porta de saída. Para colmatar a sua ausência, os dirigentes franceses, com Luís Campos à cabeça, contrataram Lucas Chevalier e Renato Marin, bem como o central Illia Zabarnyi.

Já os spurs voltaram a ficar aquém nas competições nacionais, mas deu uma boa mostra na Liga Europa e conquistar a prova, bem como a vaga para disputar a fase de liga da Liga dos Campeões. Ainda assim, a época esteve longe de ser positiva, prova disso foi a saída de Ange Postecoglou, que foi substituído por Thomas Frank, dinamarquês que esteve no Brentford durante nove temporadas. A juntar à mudança no comando técnico, o mercado de transferências dos lilywhites também tem sido mexido, com Son Heung-min, uma das lendas modernas do clube, a despedir-se para rumar à MLS. Pierre Hojbjerg também se despediu de Inglaterra, ingressando no Marselha. Em sentido inverso, Mohammed Kudus, Luka Vuskovic e Kota Takai juntaram-se a Palhinha como contratações, sendo que Mathys Tel, Kevin Danso assinaram em definitivo.

“Preparámos esta partida com alegria, mas não sei qual é o nível que podemos oferecer. Será difícil, mas faremos de tudo para ganhar este troféu. Na última temporada conquistámos tudo. Queremos continuar a fazer história. É esse o nosso objetivo. No ano passado, acho que ninguém pensava que seríamos capazes de ganhar a Liga dos Campeões, mas conseguimos. Para o futuro temos outros sonhos. Acho que temos essa mentalidade de querer ser ainda melhores, de melhorar a equipa. Claro que será muito difícil, tendo em conta a temporada passada, mas é essa a nossa mentalidade. Será um grande desafio para nós”, antecipou Enrique.

“Para o clube, para a equipa, para mim e para todos os envolvidos no Tottenham é um jogo muito importante. É um grande desafio e uma oportunidade ainda maior. É assim que o meu cérebro funciona, vejo oportunidades em vez de pressão ou qualquer outra coisa. Portanto, para mim, é uma grande oportunidade e vamos definitivamente aproveitá-la e dar tudo. Sou um grande crente nos princípios e na estrutura da equipa, ofensiva e defensivamente, por isso, para mim, é necessário que haja uma estrutura clara na fase um e na fase dois, quando estamos a construir e queremos controlar o jogo, e também na fase três, quando queremos marcar. Acho que tenho uma boa equipa e um bom plantel. Nesta janela de transferências estamos definitivamente no mercado e faremos tudo o que pudermos para formar o melhor e mais forte plantel possível”, disse, por sua vez, Frank que, na revista de lançamento da partida, deixou um “here to win” (“aqui para ganhar”) como mote.

Para o primeiro jogo oficial da história entre as duas equipas, Luis Enrique surpreendeu no seu onze inicial e montou a equipa num 4x2x3x1, com Désiré Doué a jogar no vértice mais avançado do meio-campo, que contou com Warren Zaïre-Emery ao lado de Vitinha e Fabián Ruiz no banco, assim como Gonçalo Ramos. O lado esquerdo da defesa pertenceu a Nuno Mendes, ao passo que, na baliza, a novidade foi Lucas Chevalier, já que se esperava a titularidade de Matvey Safonov. Nos spurs, Thomas Frank também surpreendeu e apostou numa formação com cinco defesas, com Kevin Danso a juntar-se a Micky van de Ven e ao novo capitão Cristian Romero no centro da defesa. João Palhinha também foi lançado de início, estreando-se em jogos oficiais com a sua nova camisola, assim como Mohammed Kudus.

Os ingleses tiveram uma entrada destemida e, logo no primeiro minuto, Porro tentou um golo de bandeira de fora da área, com a bola a sair por cima (1′). Na resposta, as jogadas ao primeiro toque e as contantes trocas de posição levaram o PSG à área do Tottenham, com Vitinha a abrir em Bradley Barcola na esquerda mas, na conclusão da jogada, o remate de Khvicha Kvaratskhelia saiu fraco e ao lado (8′). A partir daí, os parisienses começaram a assumir-se e a baixar o ritmo do jogo, circulando a bola entre os seus jogadores, embora com dificuldades para entrar no último terço ofensivo, por conta do bloco compacto dos lilywhites. Pouco depois, o Tottenham voltou à carga numa perda de bola de Ousmane Dembélé, com Richarlison a recuperar e a atirar para uma grande defesa do francês (23′). Na reta final do primeiro tempo, os ingleses desataram o nó de bola parada, com Marquinhos a falhar o tempo de salto e a permitir a Palhinha atirar à barra, depois de defesa de Chevalier, com Van de Ven a aparecer a completar para dentro (39′).

Sem alterações ao intervalo, os ingleses tiveram uma grande reentrada e, no segundo minuto, Richarlison quando dilatou o marcador, atirando para mais uma boa intervenção de Chevalier (47′). Pouco depois, Porro assumiu a cobrança de um livre na direita e levantou para o segundo poste, onde Romero apareceu completamente a cabecear de cima para baixo para o 0-2, com o guarda-redes a ficar mal na fotografia (48′). Logo a seguir foi a vez de Kudus desferir um cruzamento perigoso, com Danso a cabecear ligeiramente ao lado (53′). Em cima da hora de jogo, Luis Enrique colocou Fabián Ruiz no lugar de Kvaratskhelia, já depois de Porro ter voltado a ameaçar de livre (59′). Com Doué na sua posição de raiz, o PSG até introduziu a bola no fundo das redes, mas havia fora de jogo de Achraf Hakimi (66′). Já com Ibrahim Mbaye e Lee Kang-in no ataque, os londrinos continuaram confortáveis na partida e refrescaram a equipa com Archie Gray — por troca com Palhinha — e Dominik Solanke.

Para a reta final da partida, o técnico catalão lançou Ramos no ataque e o dinamarquês respondeu com Tel e, na ressaca de uma bola aliviada pela defesa inglesa para a entrada da área, Vitinha tocou à esquerda para Lee Kang-in, o sul-coreano ajeitou e desferiu um belo remate cruzado para o fundo da baliza de Guglielmo Vicario (85′). O PSG quase chegou ao empate logo a seguir ao golo, com Romero a cortar um remate com selo de golo de Nuno Mendes (89′). No tempo de compensação, Frank lançou Lucas Bergvall e, num lance pela direita, Dembélé recebeu de Hakimi e desferiu um grande cruzamento para a pequena área, com Gonçalo Ramos a ganhar a frente e a completar de cabeça para o empate (90+4′). Nos penáltis, Vitinha começou por falhar a baliza no primeiro remate francês, mas uma defesa de Chevalier, a remate de Van de Ven, e um tiro ao lado de Tel acabaram por permitir a reviravolta do PSG, que conquistou a Supertaça Europeia após o remate certeiro de Nuno Mendes (2-2, 4-3 g.p.).