“Vamos embora!” Foi desta forma que a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, encerrou esta domingo a sua intervenção na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), sem responder a questões da comunicação social sobre a evolução do combate aos incêndios em Portugal.

As palavras foram proferidas quando os jornalistas começaram a tentar questionar a governante e Maria Lúcia Amaral se levantou da cadeira e se virou para a sua comitiva, já afastada do microfone, mas de forma ainda suficientemente audível para o som ser captado.

Antes desse momento, a ministra limitou-se a admitir que persistiam as condições meteorológicas “muito desfavoráveis” e a prolongar por mais 48 horas a situação de alerta, agradecendo aos elementos que combatem as chamas no país e a Marrocos, por permitir a continuidade dos dois aviões Canadair em território nacional até quarta-feira.

No cargo de ministra da Administração Interna há perto de três meses, Maria Lúcia Amaral está agora no centro das críticas da oposição.

André Ventura exigiu já a demissão da governante. “O Chega atingiu o seu limite e o Chega vai chamar à Assembleia da República de urgência e vai pedir ao primeiro–ministro que demita a ministra da Administração Interna”, referiu à SIC Notícias o presidente do Chega.

Por sua vez, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, denunciou “falhas graves de coordenação e essa coordenação precisa urgentemente de um comando político”, mas sem colocar diretamente em causa a ministra, procurando antes visar nas críticas o primeiro-ministro Luís Montenegro. “É por isso mesmo que avançaremos na Assembleia da República com uma comissão técnica independente para avaliar todas estas dimensões”, acrescentou.

A ativação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil também já foi diagnosticada como tardia. O anúncio da medida surgiu apenas na última sexta-feira, quando o líder socialista tinha apelado logo no início do mês e o Presidente do Chega reconheceu igualmente que já se devia ter ativado mais cedo esse instrumento de cooperação europeia para o combate aos incêndios.

No entanto, a 7 de agosto, Maria Lúcia Amaral garantia que havia meios suficientes e que esperava não ser necessário avançar com essa decisão. “Ainda não chegámos, felizmente, e esperamos e contamos não ter de chegar, à verificação de que já não somos capazes de debelar um problema com os nossos próprios meios”, disse então a ministra. O reconhecimento das dificuldades demoraria uma semana e veio a acontecer no passado dia 15.

O Ministério da Administração Interna demorou também mais de 12 horas a reagir à notícia da morte de um bombeiro na aldeia de São Francisco de Assis, na Covilhã. A informação foi conhecida ao final da tarde e a Presidência da República emitiu uma nota de pesar no espaço de uma hora, tendo também Luís Montenegro reagido na rede social X pouco depois.

Por outro lado, o Ministério liderado por Maria Lúcia Amaral apenas expressou as condolências pela morte do bombeiro ao início desta manhã de segunda-feira.