André Ventura confirmou que o Chega vai entregar uma proposta de comissão de inquérito parlamentar aos fogos com três objetos: a “investigação dos fogos”, do “negócio em torno dos fogos” e a “falta de prevenção”. O líder partidário prestou declarações sobre esta comissão quando estava de visita a territórios afetados pelos incêndios, na tarde deste domingo.
Sendo certo que o JPP também anunciou uma iniciativa neste sentido (e que a restante oposição admitiu viabilizar), Ventura diz que “uma CPI basta”.
Além disso, o líder do Chega promete “não desistir até ao Natal” de que o Parlamento passe a considerar que um “incendiário é um terrorista — uma alteração algo profunda no sistema penal”. Para isto, disse contar mais com a direita do que a esquerda parlamentar.
De resto, o líder do Chega sugeriu várias vezes que os incêndios são “altamente suspeitos aos olhos de todos, não é preciso ser especialista”, dizendo depois que “há mão criminosa e provavelmente um negócio”. Ventura disse ainda estar “convencido” de que existe um negócio mafioso que lucra com os fogos, embora sem falar em casos e provas concretas, e argumentou que uma CPI pode ajudar a “chegar à conclusão de se temos ou não uma teia por trás” ouvindo antigos e atuais governantes e empresários ligados à madeira.
O líder do Chega defendeu ainda que deve haver nova legislação que proíba a negociação com madeira resultante dos fogos e que quem lucra com isto “não pode ter negócios com o Estado”.
André Ventura ainda deixou críticas ao Governo, acusando Luís Montenegro de fazer uma “má gestão” da situação dos fogos. “As pessoas têm que sentir que há liderança. As pessoas têm que sentir que há alguém que se preocupa com elas e que quer saber o que é que está a falhar. Um líder tem que estar no terreno para perceber as coisas. Ninguém é líder fechado no seu gabinete”, disse o líder partidário, citado pela agência Lusa.
“Há o risco? Há. Há pessoas que nos respondem mal? Há. Há pessoas que reagem mal? Há. Mas ser político é isso. Venha saber o que é que está a correr mal para poder agir e dar um sinal ao país de coragem, de confiança e de firmeza”, reforçou.
Sobre as medidas anunciadas pelo Governo para fazer face aos prejuízos causados pelos incêndios, André Ventura classificou-as de “um pouco insignificantes”.
“O primeiro-ministro optou por fazer uma série de remendos de uma crise que geriu mal. Decidiu fazer como fez com a pós-pandemia, como fez com os hospitais em crise, como fez com as forças policiais: fazer comunicações burocráticas e cinzentas ao país, que não tinham conteúdo nenhum”, criticou.
Para André Ventura, as medidas anunciadas não vão resolver a vida das pessoas e são “remendos colocados em cima de feridas, não para as tratar, mas para fingir que se fez alguma coisa”.
“Se o primeiro-ministro quiser poder ainda fazer alguma coisa depois do desastre que foi gerir esta crise, eu diria que apoiar a comissão do inquérito [aos fogos pedida hoje pelo Chega] era um bom presságio”, desafiou.