A notícia pode complicar seriamente a vida ao Presidente da Argentina, Javier Milei, e já levou o governo a tomar “medidas preventivas”. Na sexta-feira, a polícia argentina fez buscas em mais de uma dezena de casas de luxo e escritórios — incluindo a sede de uma agência do Estado que atribui subsídios por deficiência — no âmbito de uma investigação sobre corrupção que implica os conselheiros mais próximos de Milei e que tem por base uma gravação feita em segredo.
Segundo a AP e a Reuters, assim como a imprensa local argentina, a investigação levou a buscas em 15 locais diferentes, em Buenos Aires ou perto, e envolve figuras como Diego Spagnuolo, advogado pessoal de Milei e presidente da agência em causa, ou Karina Milei, irmã do Presidente libertário da Argentina. O caso tornou-se um “calvário” para Milei, escreve o La Nación, que descreve o “pânico” no governo de que apareçam novas gravações — “tremem só de ouvir o nome de Spagnuolo”.
Os investigadores que conduziram as buscas de sexta-feira apreenderam registos de contabilidade, telemóveis (incluindo o de Spagnuolo) e computadores. A Reuters acrescenta que foi apreendida uma máquina para contar dinheiro na casa do advogado.
Conforme escreve a AP, a investigação foi espoletada por gravações — que chegaram à imprensa local — em que se ouve Spagnuolo a descrever um esquema de subornos que beneficiaria altos responsáveis do governo, através de contratos na área da Saúde. Nas gravações, feitas em segredo e num ambiente que parece ser público, como um café, Spagnuolo alega que há empresas farmacêuticas, como a Suizo Argentina, que subornam Karina — chefe de gabinete e conselheira de Milei — para que o governo lhes compre os medicamentos necessários para as pessoas com deficiência.
O então advogado de Milei diz que estão a “roubar” a agência que lidera, que os responsáveis de topo do governo argentino estão a pedir valores de 8% de suborno nos contratos às empresas farmacêuticas e que Karina receberia 3% desse valor (e o próprio Spanguolo 1%). Fala em valores de 500 a 800 mil dólares mensais (426 a 682 milhares de euros) entregues a Karina. E diz que contou o esquema a Milei, mas que “não fizeram nada para o corrigir”.
Isto levou mesmo a que Spagnuolo fosse despedido, como o executivo de Milei anunciou na quinta-feira, sem confirmar se os áudios são verdadeiros, mas culpando a oposição por tentar sujar a imagem do executivo meses antes das eleições intercalares argentinas. Ainda assim, o porta-voz do Presidente, Manuel Adorni, falou do “óbvio aproveitamento político” do caso mas confirmou que Milei decidiu despedir o advogado como “medida preventiva”.
O advogado que espoletou a investigação — e que defende também a antiga Presidente Cristina Kirchner, condenada por corrupção e banida da vida política –, Gregorio Dalbón, pediu ao tribunal que investigue Spagnuolo, Karina Milei, Eduardo “Lule” Menem (o conselheiro mais próximo de Karina) e os responsáveis da Suizo Argentina por acusações de fraude, suborno e conflitos de interesse.