O secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, deixou, esta quarta-feira, vários avisos ao regime que lidera a Venezuela. Comentando o “ataque letal” desta terça-feira contra um navio no sul das Caraíbas que causou onze vítimas mortais, o chefe do Pentágono avisou que os ataques Estados Unidos da América (EUA) “não vão ficar por aqui” — e a ofensiva em águas venezuelanas contra o narcotráfico vai continuar. E advertiu o Presidente do país, Nicolás Maduro: “Devia estar preocupado” com o seu futuro e têm de “tomar decisões”.
“Está é uma missão muito séria para nós. Não se limitará a este ataque. Qualquer outro traficante nestas águas que saibamos que seja um narcoterrorista enfrentará o mesmo destino. Não vamos ficar por aqui”, avisou Pete Hegseth, numa entrevista concedida esta quarta-feira de manhã à Fox News.
#URGENTE | Secretario de Defensa Hegseth:
“El que debería estar preocupado es Maduro. Está involucrado en narcotráfico y nos afecta (…) debe tomar decisiones (…) El cambio de régimen es una decisión presidencial y estamos preparados con el Ejército”.
— Orlando Avendaño (@OrlvndoA) September 3, 2025
Usando a mesma narrativa do que vários membros da administração Trump, Pete Hegseth acusou Nicolás Maduro de ser o “cabecilha de um narcoestado que não foi eleito”, numa alusão às eleições presidenciais venezuelanas do ano passado que a oposição liderada por María Corina Machado garante ter vencido. “Os EUA têm uma recompensa de 50 milhões de dólares por ele”, lembrou ainda o governante.
“Sabemos que [Nicolás Maduro] está envolvido neste tipo de narcotráfico que afeta diretamente o povo norte-americano”, prosseguiu Pete Hegseth, que frisou que os Estados Unidos têm demonstrado o “seu poderio militar” nas Caraíbas — e isso deve ser visto como um aviso a Nicolás Maduro: “Tem de tomar algumas decisões sobre se quer continuar a ser um narcotraficante”.
Questionado sobre se os Estados Unidos desejam mudar o regime na Venezuela, o secretário da Defesa remete a decisão para o Presidente, Donald Trump. “É uma decisão presidencial”, destacou Pete Hegseth, adiantando, ainda assim, que as forças norte-americanas “estão preparadas com todos os recursos do exército”, caso o líder norte-americano decida avançar com a decisão de derrubar Nicolás Maduro.
“Ganhámos a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial. Não somos apenas defensiva, somos ofensiva”, disse Pete Hegseth, sublinhando que o Departamento da Defesa quer ter “guerreiros” à sua disposição. “Estamos a trabalhar com a Casa Branca para isso”, garantiu.
Confrontado com a versão venezuelana de que o vídeo partilhado por Donald Trump do ataque à embarcação que causou onze vítimas mortais tinha sido gerado por inteligência artificial, Pete Hegseth recusou esse cenário: “Não foi, definitivamente, inteligência artificial. Eu assisti ao vivo, sabíamos exatamente o que estávamos a fazer e o que representava”.