O Presidente norte-americano, Donald Trump, numa conferência de imprensa sobre a transferência do Comando Espacial para o Alabama, deu a notícia: “Nos últimos minutos, atacámos um barco que estava a vir da Venezuela. Era um barco que transportava muita droga. Vinha da Venezuela”. Depois do ataque, Maduro acusou EUA de inventar uma “narrativa” para atacar o país e o ministro das Comunicações da Venezuela, Freddy Ñáñez, afirmou que as imagens partilhadas por Trump foram criadas com inteligência artificial.

Na Truth Social, Donald Trump partilhou um vídeo do momento e deu mais detalhes. “As Forças Armadas norte-americanas conduziram um ataque contra os narcoterroristas [do cartel] Tren de Aragua”, escreveu o Presidente norte-americano, referindo que a organização é controlada pelo homólogo venezuelano, Nicolás Maduro.

Donald Trump indicou que o ataque causou 11 vítimas mortais. “Aconteceu quando os terroristas estavam em águas internacionais a transportar narcóticos ilegais e a caminho dos Estados Unidos”, frisou Donald Trump, garantindo que nenhum militar norte-americano ficou “ferido” na sequência deste ataque.

Sobre o cartel Tren de Aragua, Donald Trump acusou-o de “assassínios em massa, tráfico de drogas, tráfico sexual e atos de violência e terror nos Estados Unidos e no Hemisfério Ocidental”. E deixou um aviso: “Que seja um lembrete para qualquer pessoa que esteja a pensar colocar drogas nos Estados Unidos. Tenham atenção”.

Os Estados Unidos enviaram vários navios de guerra para a costa venezuelana ultimamente. O cerco militar tem sido criticado pelas autoridades venezuelanas, que alegam que Donald Trump pretende mudar o regime liderado por Nicolás Maduro.

O Presidente norte-americano não abordou estas acusações nem conferência de imprensa, nem nas redes sociais, mas tem vindo a justificar as ações militares com o facto de estar a entrar “muita droga” nos Estados Unidos desde a Venezuela.

Com submarinos nucleares e navios de guerra, Trump cerca militarmente a Venezuela. Pode levar ao fim do regime de Maduro?

O secretário de Estado, Marco Rubio, também recorreu às redes sociais para confirmar a informação avançada por Donald Trump. No X, o líder da diplomacia norte-americana confirmou que os Estados Unidos levaram a cabo um “ataque letal no sul das Caraíbas” contra uma “embarcação com drogas que tinha partido da Venezuela”.

Marco Rubio assinalou que o barco estava a ser usado por uma “organização narcoterrorista”.

Maduro diz que EUA querem “petróleo venezuelano” e ataca Rubio: “Quer manchar as mãos de Trump de sangue”

O Presidente venezuelano falou à imprensa após os ataques, sem fazer referência direta aos mesmos. O líder da Venezuela disse que os Estados Unidos inventaram uma “narrativa” para atacar o país. Nicolás Maduro atacou também quem dizer ser o “manda-chuva” da Casa Branca: o secretário de Estado, Marco Rubio. “É ele quem manda na Casa Branca e a máfia de Miami, que quer encher as mãos do Presidente Donald Trump de sangue.”

Nicolás Maduro acusou os Estados Unidos de desejarem o “petróleo e o gás natural” venezuelano. “Querem-no grátis. Esse petróleo não pertence a Maduro e muito menos aos estrangeiros, pertence ao povo da Venezuela”, enfatizou, em declarações citadas pela Telesur.

O Presidente venezuelano também considera que os norte-americanos pretendem terminar com o regime do país. Mas deixou a garantia de que a Venezuela vai manter a defesa da “paz, soberania, com o povo, igualdade, democracia e liberdade”. Ao contrário de Maduro, o ministro das Comunicações da Venezuela, Freddy Ñáñez, abordou diretamente o ataque norte-americano de terça-feira, afirmando que as imagens partilhadas por Trump foram criadas com inteligência artificial.

O ministro da Defesa venezuelano classificou o ataque norte-americano como “absurdo” e pediu aos EUA para se preocuparem “em criar programas sérios” para combater o narcotráfico. “Vejam o fracasso que tiveram na Colômbia com sete bases militares; lá, não conseguiram acabar com a produção de drogas e, onde quer que intervenham, não há resultados eficazes”, atirou Vladimir Padrino López. “O narcotráfico não se combate com mísseis, é a narrativa deles, é absurdo”, disse.

“Depois da DEA [Drug Enforcemente Administration] ter saído daqui, começámos a ser mais eficazes porque a DEA — isto não é uma perceção, é uma convicção — é realmente um cartel”, afirmou, fazendo referência às operações de cooperação entre essa agência dos EUA com o regime venezuelano, que terminou em 2005, a pedido de Nicolas Maduro. Para as ações militares ordenadas pela administração Trump contra a Venezuela tem uma justificação: “o que acontece nos Estados Unidos é que há uma questão interna, mas a questão eleitoral deixou Marco Rubio louco, que perdeu o apoio da Flórida e quer recuperá-lo à força, através de ameaças contra nós.”