O vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Filipe Anacoreta Correia, que tem os pelouros da mobilidade e das empresas municipais (como é o caso da Carris), afirmou, esta sexta-feira, que é sobre ele — e não sobre Carlos Moedas — que devem ser apuradas responsabilidades políticas sobre o acidente no Elevador da Glória, no qual morreram 16 pessoas.
“Se é para apurar responsabilidades políticas, elas devem ser apuradas em mim, de forma inequívoca”, afirmou Anacoreta Correia em entrevista à SIC Notícias. “Ninguém colocou a questão da pessoa que politicamente está envolvida com a Carris, que sou eu”, acrescentou, sublinhando que isso significa que “não se está a pedir responsabilidade política ao responsável”.
Pelo contrário, diz Anacoreta Correia, estão a ser feitas críticas a Moedas com “fins meramente eleitorais”, que demonstram um “oportunismo inaceitável” num momento em que “ainda corpos na morgue”. Anacoreta Correia, por seu turno, assinalou que não hesitaria em demitir-se se houvesse qualquer indicação de que houve falhas de índole política.
Por outro lado, Anacoreta Correia afirmou que ainda não há qualquer dado objetivo que permita imputar responsabilidades políticas a quem quer que seja. O vice-presidente da autarquia reiterou várias vezes na entrevista que é necessário esperar pelos resultados da investigação — e reforçou a autonomia operacional da Carris.
Anacoreta Correia foi ainda questionado sobre se tinha conhecimento das queixas dos sindicatos da Carris sobre falhas na manutenção — e garantiu que não. O vice-presidente da autarquia disse que teve este trimestre uma reunião com sindicalistas e que nenhum lhe comunicou essas queixas. No entanto, disse que esses registos, se existirem, devem ser tornados públicos.