Era o primeiro Grande Prémio em que a evidência já se tinha tornado a realidade. Depois de semanas de rumores, a Prima Pramac Yamaha anunciou que será Jack Miller a fazer dupla com Toprak Razgatlıoğlu no próximo ano — ou seja, que Miguel Oliveira estava fora dos planos da equipa para 2026, algo que fez com que o piloto português também se apressasse a indicar que não vai estar na grelha do MotoGP na temporada seguinte. 

Ora, neste contexto e duas semanas depois do melhor resultado da época com o 12.º lugar na Hungria, Miguel Oliveira continuava a ter como objetivo cumprir aquilo a que sempre se designou: competir, lutar pelas melhores posições possíveis e não deixar que o pseudo despedimento o colocasse numa zona de fragilidade. Assim, no Grande Prémio da Catalunha deste fim de semana, o piloto português começou por ser 16.º numa qualificação onde Álex Márquez ficou com a pole-position, à frente de Fabio Quartararo e Marc Márquez, mas esmerou-se na corrida sprint.

A resposta de Miguel no caos de Barcelona: português termina Sprint marcada pelas quedas e pelo drama à beira dos pontos

Beneficiando de algumas quedas que tornaram a prova de sábado algo caótica, Miguel Oliveira trepou até ao 10.º lugar na corrida sprint e ficou à beira dos pontos, mostrando-se satisfeito com a própria prestação. “Claro que ter três pilotos a cair à minha frente ajudou-me a ficar mais perto dos pontos. Na última volta tinha o Ai Ogura atrás de mim, mas não o consegui manter afastado devido à maior velocidade na reta. Estou satisfeito com a minha corrida e com a forma como geri o pneu traseiro. Amanhã vai ser um desafio muito grande terminar a corrida principal em boa posição. Precisamos de compreender como melhorar a eletrónica da mota e, ao mesmo tempo, poupar os pneus até ao fim”, atirou o piloto natural de Almada depois da sprint que Marc Márquez venceu.

Já este domingo, Marc Márquez arrancou melhor do que o irmão e agarrou a liderança desde logo, com Pecco Bagnaia a destacar-se ao conquistar nove posições nas duas voltas iniciais. Mais atrás, depois de ainda ter caído para 17.º no arranque, Miguel Oliveira voltou a aproveitar quedas para se posicionar em 14.º. Já na quarta volta e lá à frente, o feitiço virou-se contra o feiticeiro e Álex Márquez ultrapassou Marc Márquez com uma bela manobra, recuperando o primeiro lugar.

O piloto português manteve-se muito consistente e foi subindo de ritmo ao passar de cada volta, chegando mesmo ao 10.º lugar a meio da corrida, beneficiando também do abandono de Johann Zarco. Na luta pela última posição do pódio, Enea Bastianini bateu Pedro Acosta na reta da meta e posicionou-se atrás de Marc Márquez, ainda que o espanhol da Ducati tivesse a capacidade de nem sequer permitir grandes ataques por parte do italiano.

Apesar de os dois irmãos terem chegado a andar separados por cerca de três décimas, Álex Márquez deu uma demonstração de força e resistiu às investidas do irmão para vencer mesmo o Grande Prémio da Catalunha para carimbar o segundo triunfo da carreira. Marc Márquez e Enea Bastianini encerraram o pódio, seguidos de Pedro Acosta e Fabio Quartararo, e Miguel Oliveira ainda conseguiu roubar mais uma posição a Raúl Fernández para terminar no nono lugar — alcançando, mais uma vez e pela segunda etapa consecutiva, o melhor resultado de toda a temporada.