Era o anúncio que muitos já esperavam, mas que acabou por surpreender tudo e todos. Já passava da meia-noite desta terça-feira quando, num surpreendente comunicado, o Nottingham Forest anunciou o despedimento de Nuno Espírito Santo, técnico português que estava no clube desde dezembro de 2023. Três parágrafos e seis linhas foram suficientes para os tricky trees dizerem adeus a uma das principais figuras da sua melhor temporada no século XXI. A hora pouco convidativa e a forma como a saída foi conduzida pelo clube, sem qualquer fotografia ou vídeo do treinador, revelam aquilo que foram as últimas semanas do emblema inglês. Para já, o futuro deverá passar por Ange Postecoglou, que abandonou o Tottenham no final da última época.

Treinador Nuno Espirito Santo despedido do Nottingham Forest

“O Nottingham Forest Football Club confirma que, devido às circunstâncias recentes, Nuno Espírito Santo foi hoje [segunda-feira] dispensado das suas funções como treinador principal. O clube agradece a Nuno pela sua contribuição durante uma era de muito sucesso no City Ground, em particular pelo seu papel na temporada 2024/25, que será para sempre lembrada com carinho na história do clube. Como alguém que desempenhou um papel fundamental no nosso sucesso na última temporada, ele terá sempre um lugar especial na nossa trajetória”, escreveu o Forest na nota publicada no seu site oficial.

Tudo aconteceu depois de um longo período de reflexão de Evangelos Marinakis, dono dos ingleses e, também, do Rio Ave, como documenta a imprensa inglesa. O grego analisou a possibilidade de restabelecer a boa relação com o português, depois de esta se ter deteriorado ao longo dos últimos meses. Contudo, segundo a Sky Sports, o proprietário do Nottingham Forest encontra-se “profundamente magoado e irritado” com o treinador, que criticou publicamente a sua gestão em duas ocasiões e no espaço de sete dias.

Dos últimos lugares ao topo da Premier em seis meses: como Nuno Espírito Santo deu vida ao histórico Forest (com números que jogam a favor)

O início desta “novela” remonta a 15 de agosto, altura em que Espírito Santo se queixou do trabalho desenvolvido ao longo da janela de transferências de verão, apontando que o seu plantel estava “desequilibrado” e “muito longe” do exigível. Curiosamente, depois dessas declarações, o clube gastou cerca de 136 milhões de euros em quatro jogadores: Omari Hutchinson (43,4 milhões), James McAtee (25,5 milhões), Douglas Luiz (empréstimo de três milhões, com cláusula de compra obrigatória na ordem dos 30 milhões) e Arnaud Kalimuendo (30 milhões). Na semana seguinte, Nuno apontou armas a Edu Gaspar, novo diretor-desportivo dos tricky trees. Segundo o treinador de 51 anos, a chegada do brasileiro, que se tornou no braço direito de Marinakis, deteriorou a sua relação com o dono do clube, que “já não era a mesma”. “Onde há fumo, há fogo”, chegou a dizer o português aos jornalistas, que acusou o dono de ser “confuso”. Nessa altura, não havia qualquer intenção de ser despedido, garantira.

A 24 de agosto, o Nottinham Forest empatou em casa do Crystal Palace (1-1) e, no final do encontro de Londres, Nuno Espírito Santo solicitou mais reforços à direção do clube, nomeadamente um guarda-redes e dois defesas. Cinco dias depois, à margem do sorteio da fase de liga da Liga Europa, Evangelos Marinakis assegurou que o português era “o homem certo para o cargo” e que estava “tudo sólido” na relação entre ambos, sublinhando que, durante a paragem para as seleções, estavam previstas reuniões. Naquela que viria a ser sua última conferência de imprensa como treinador do Forest, no dia 31, depois de perder em casa frente ao West Ham (3-0), Espírito Santo confirmou que mantinha a comunicação direta com o grego e garantiu que estava comprometido em continuar ao serviço do clube de Nottingham. No último dia do mercado, o Forest acedeu aos pedidos do treinador e contratou Nicolò Savona, Oleksandr Zinchenko e John Victor, para além de Dilane Bakwa.

Para além disso, o português assumiu publicamente não se arrepender de criticar quem estava acima de si na hierarquia do Nottinham Forest e, apesar de ter chegado a solicitar uma reunião com Marinakis, a mesma nunca aconteceu até o grego optar pelo despedimento do técnico, de acordo com a Sky Sports. Sabe-se agora que Postecoglou é o sucessor do português em Nottingham. Ao longo de duas temporadas e meia, Nuno Espírito Santos alcançou 28 vitórias e 20 empates em 73 jogos, tendo terminado com um registo positivo, já que perdeu 25 partidas. Na temporada passada levou o Forest ao sétimo lugar, que se perfila como a sua melhor classificação desde 1995, bem como ao apuramento para a Liga Europa. Na presente temporada disputou três jogos, tendo somado uma vitória, um empate e uma derrota.