Old Trafford, Manchester United-Tottenham, um encontro de aflitos que viram as suas situações ainda mais agravadas na tabela classificativa da Premier League. Pelo meio dos adeptos, nas bancadas, não havia apenas tarjas de apoio aos red devils ou contra a família Glazer, proprietária do clube. E, sendo um português, não era nem Cristiano Ronaldo para os mais nostálgicos nem Bruno Fernandes para os mais cientes da realidade atual. Mistério desvendado, era Rui Pinto, com Man United FC e a frase “Génio dos computadores”. De uma ou de outra forma, o regresso das provas de clubes não passava ao lado do caso que abala Inglaterra.
Ainda ninguém sabe ao certo o que poderá ou não acontecer ao Manchester City. Para já, sobra um facto: o clube foi acusado por uma comissão independente de 114 das 115 violações das regras do fair play financeiro há muito em vigor. A partir daqui, entre um recurso que já terá sido apresentado, há um sem número de possibilidades que podem ser colocadas em cima da mesa, da perda de todos os títulos que remontam ainda aos tempos de Roberto Mancini no Etihad e que atravessam toda a era dourada de Pep Guardiola à perda de pontos durante algumas edições da prova, passandos por multas, proibições de inscrições de jogadores ou mesmo descidas de escalão. Nesta fase, ninguém arrisca adivinhar o próximo passo – mas também ninguém se esquece de tudo o que está a acontecer, apontando o dedo aos citizens como novos vilões da Premier.
Era neste contexto que a equipa agora liderada por Enzo Maresca voltava à competição e logo numa semana mais complicada do que é normal que começava com uma deslocação a Anfield para defrontar o Liverpool antes da receção ao bicampeão europeu PSG na Liga dos Campeões. E era neste contexto que, na sequência do regresso de todos os internacionais, o italiano tentou reunir as tropas com uma reunião onde juntou todos os jogadores para falar sobre o novo “elefante na sala” para manter a equipa tranquila e focada.
“Pessoalmente, para ser honesto, estou muito calmo. O clube foi bastante claro, confiamos completamente. Entendemos o barulho que há à volta do tema mas o nosso foco está apenas no que conseguimos controlar e isso é apenas o lado futebolístico. O ambiente está fantástico. Os jogadores estão entusiasmados pelos próximos dois jogos e pelo facto de sermos líderes da Premier League. De resto, não estão preocupados com mais nada. Sabem qual é a profissão deles e sabem que o ruído está lá mas conseguem não ligar, estão apenas focados neste momento”, comentara na antecâmara do jogo. No fundo, Maresca disse aquilo que tinha de dizer mas todos percebem que há uma nuvem negra em cima do Etihad que tão depressa não irá desaparecer.
There were tense scenes as a large group of City fans were escorted into the away end a few minutes ago. There were a couple of minor scuffles with stewards and some beer was thrown but other than that order was maintained pic.twitter.com/tGWKyjtd96
— Chris Slater (@chrisslaterMEN) October 11, 2026
???? Manchester City fans have sneaked hundreds of inflatable bananas into Anfield’s away end today, reviving a tradition sparked by striker Imre Varadi’s “Imre Banana” nickname after relegation in 1987.
It's a nod to their time in the lower leagues and with another potential drop… pic.twitter.com/zhvkB3iSgF
— Football Tweet ⚽ (@Footballtweet) October 11, 2026
E o primeiro teste seria em Anfield. Após cinco vitórias consecutivas a abrir a liga, frente a Bournemouth, Crystal Palace, Coventry, Manchester United e Sunderland, o City defrontava um Liverpool que também ainda não tinha perdido mas que somava apenas dois triunfos em cinco encontros. Levava cinco, chegou às seis: numa partida que teve alguns momentos de tensão pelas provocações aos adeptos visitantes logo na chegada a Anfield, e que voltou a contar com muitas bananas insufláveis no setor visitante em alusão a uma trend que remonta ao final dos anos 80 quando o City desceu de divisão (o que mostra bem como todos vão levando a questão com humor…), a entrada de Doku e a expulsão de Gravenberch (62′) precipitou a queda dos reds, com o belga a assistir Haaland para o 1-0 (65′) e a marcar o 2-0 (68′). Até aí, os visitados tinham sido melhores; a partir desse momento, tudo mudou e os citizens passearam para novo triunfo, com olés das bancadas e o melhor golo para o 3-0 na parte final por Cherki após assistência de Gvardiol (78′).