O râguebi teve o primeiro Campeonato do Mundo em África logo em 1995. Antes, o críquete já tinha tido o primeiro Campeonato do Mundo em África ainda em 1993. O futebol só teve o primeiro Campeonato do Mundo em África em 2010. Em 2025, o ciclismo juntou-se ao râguebi, ao críquete e ao futebol e tornou-se uma das poucas modalidades a organizar um Mundial no continente africano.

Pela primeira vez, o Campeonato Mundial de Ciclismo de Estrada acontecia em África — mais especificamente no Ruanda e na cidade de Kigali, a capital do país que fica numa zona montanhosa e tem pouco mais de um milhão de habitantes. A competição arrancou já este domingo e com um contrarrelógio de 40,6 quilómetros que incluía três subidas e um total de 680 metros de desnível positivo acumulado.

De forma natural, surgiam dois claros candidatos à vitória: Tadej Pogacar e Remco Evenepoel. O primeiro, vindo de conquistar o Tour e depois de ter sido campeão mundial de estrada no ano passado, procurava o primeiro título no contrarrelógio; o segundo, que foi também medalha de ouro tanto no contrarrelógio como na prova de estrada dos últimos Jogos Olímpicos de Paris, procurava sagrar-se tricampeão mundial da etapa cronometrada depois de ter celebrado em Glasgow 2023 e Zurique 2024.

Na antevisão, Remco Evenepoel garantia que se sentia preparado para ganhar, mas não escondia que seria difícil bater o esloveno. “Não quero exagerar, mas acho que nunca me senti tão bem esta temporada. Consegui preparar-me bem, com um estágio de um mês, e tenho cinco meses de competição este ano, como geralmente acontece com quem prepara a participação no Tour. Esta é a primeira vez este ano em que consigo fazer tudo bem nos treinos. Mas se ele está aqui é porque acredita que pode vencer. Tenho de me concentrar no meu desempenho, mas vai ser um grande desafio batê-lo”, explicou o belga, que tinha como principal dificuldade o facto de o traçado ser acidentado e não apenas a rolar.

O belga Ilan Van Wilder foi líder durante um largo período de tempo e chegou a ter uma larga vantagem para o segundo classificado, o norueguês Andreas Leknessund, já que os 52 minutos, 22 segundos e 10 centésimos que registou retiravam 21.20 segundos ao segundo melhor tempo. De forma expectável, o primeiro lugar mudou de mãos mais do que uma vez na ponta final: Jay Vine tirou mais de um minuto a Ilan Van Wilder e passou pela liderança, mas o grande favorito acabou por corresponder.

Remco Evenepoel não deu qualquer hipótese à concorrência e registou o melhor tempo do contrarrelógio, sagrando-se tricampeão mundial, igualando os feitos do australiano Michael Rogers (2003 a 2005) e do alemão Tony Martin (2011 a 2013) e carimbando ainda uma das maiores distâncias de sempre para o segundo classificado com 1.14 minutos de vantagem. A grande surpresa acabou mesmo por ser Tadej Pogacar, que não foi além do quarto lugar no dia em que completou 27 anos — chegando mesmo a ser dobrado por Evenepoel, num momento totalmente inesperado e que marca claramente a temporada. Jay Vine ficou então com a segunda posição e Ilan Van Wilder encerrou o pódio.

De recordar que, neste Campeonato do Mundo do Ruanda e na categoria de elite, Portugal está representado por Afonso Eulálio (Bahrain Victorious), António Morgado (UAE Emirates), Ivo Oliveira (UAE Emirates) e Tiago Antunes (Efapel), que só irão competir na prova de fundo. João Almeida e Nélson Oliveira são as ausências mais notadas, mas estarão presentes no Campeonato da Europa que vai decorrer em Drôme-Ardèche, França, na primeira semana de outubro.