O presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, foi esta segunda-feira recebido pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, em Nova Iorque, onde abordaram assuntos como a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Numa publicação da UA na rede social X, a organização informou que Youssouf e Guterres estabeleceram uma reunião bilateral, na véspera do início da 80.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, e abordaram uma “ampla gama de prioridades compartilhadas”.
AU Commission Chairperson Concludes AU–UN Bilateral, and AU–UN–EU Trilateral in New York.
The Chairperson of the African Union (AU) Commission, H.E. Mahmoud Ali Youssouf, concluded a series of high-level engagements at the United Nations Headquarters in New York, underscoring… pic.twitter.com/LOkW8vJLiV
— African Union (@_AfricanUnion) September 22, 2025
“A reforma do Conselho de Segurança da ONU, a reforma das instituições financeiras internacionais, a diplomacia preventiva, os esforços de mediação na República Democrática do Congo e no Sudão, o financiamento das operações de paz, o alívio da dívida, o financiamento climático, a segurança alimentar e o sistema de comércio mundial”, estão entre os assunto abordados, de acordo com a UA.
Ambos os líderes reafirmaram o compromisso de trabalhar em solidariedade para promover estas prioridades e também destacaram o potencial de África para “impulsionar o seu próprio crescimento”, salientando “a natureza insustentável da carga da dívida africana” e concordando com a urgência de “uma arquitetura financeira justa, classificações de crédito mais equitativas e financiamento climático”, de acordo com informações partilhadas pela UA.
A possível reforma do Conselho de Segurança é discutida na ONU há mais de três décadas, mas até agora pouco progresso foi feito, com numerosas propostas rivais em cima da mesa e sem que nunca se tenha conseguido manter negociações sérias sobre o assunto.
O Conselho é composto por 15 membros: cinco permanentes com direito a veto — Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia — e 10 não permanentes, atribuídos aos grupos regionais que vão rodando por períodos de dois anos.
Nos últimos anos, não só países africanos, mas também Estados como a China, a Alemanha ou a França manifestaram apoio à representação permanente de África no Conselho.
Sobre esse assunto, e também em Nova Iorque, o Presidente do Quénia, William Ruto, afirmou esta segunda-feira, numa reunião com líderes africanos, que a exclusão da África do Conselho de Segurança da ONU é “inaceitável”. Ruto assistirá esta semana à 80.ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
“A exclusão da África do Conselho de Segurança das Nações Unidas é inaceitável e indefensável”, sublinhou Ruto na VII Cimeira do Comité dos Dez Chefes de Estado e de Governo da União Africana (C-10) sobre a Reforma do Conselho de Segurança.
“Devemos corrigir esta injustiça histórica para que a ONU cumpra a sua função”, afirmou o Presidente queniano, ao destacar que os líderes africanos devem “amplificar a voz da África em todas as plataformas, unir-se em prol de uma representação justa e defender a posição africana comum”.
No seu discurso perante o C-10, o mandatário argumentou que África tem “uma participação desproporcionada na agenda do Conselho de Segurança e é um dos maiores contribuintes para as operações de manutenção da paz da ONU”.
No entanto, lamentou, continua “a ser o único continente sem representação permanente” defendendo que “esta injustiça histórica deve acabar” e que “é o momento de agir, agora”.
A 80.ª Assembleia Geral das Nações Unidas terá lugar de 22 a 30 de setembro em Nova Iorque, onde se irão reunir líderes de mais de 200 países.