Depois de pedidos de esclarecimento sobre novas informações relativas ao acidente do Elevador da Glória, Carlos Moedas convocou esta segunda-feira uma reunião extraordinária da Câmara de Lisboa para dia 13 de outubro, o dia seguinte às eleições autárquicas. Fonte do gabinete de Moedas diz que “a data agendada é a data mais cedo possível para não partidarizar um tema que deve merecer todos os esclarecimentos técnicos, como assim tem sido feito”. Acrescenta que o “pedido apressado” para a reunião se deve ao facto de os socialistas terem visto no acidente “uma oportunidade para tentar politizar e ganhar votos“.
Os vereadores oposição a Moedas na CML fizeram requerimentos para uma reunião extraordinária após terem sido noticiadas pela TVI novas informações relativas ao acidente que matou 16 pessoas. O pedido dos vereadores de PS, Livre, BE e Cidadãos por Lisboa foi feito “na sequência das falsidades, omissões e incongruências destapadas pela comunicação social, a prestar pelo Senhor Presidente da Câmara, pelos demais responsáveis políticos, bem como pelo Presidente do Conselho de Administração da Carris”.
Uma das informações revelada pela TVI que levou a este requerimento são a existência de uma carta da Comissão de Trabalhadores da Carris, enviada a Moedas, no dia 20 de setembro de 2023, alertando para a “manutenção deficiente dos veículos” e para a “negligência da empresa em matéria de higiene e segurança”. Esse documento “contradiz frontalmente as afirmações públicas do Senhor Presidente e de outros responsáveis políticos, que garantiram nunca ter recebido informação sobre problemas no Elevador da Glória”, consideram os vereadores.
Outra das informações foi a ocorrência de dois acidentes anteriores ao do Elevador da Glória, um em outubro de 2024 e outro em maio de 2025, confirmados pela Carris, que os vereadores da oposição acusam de ter sido “publicamente negados pelo Presidente do Conselho de Administração da Carris e pelo Vice-Presidente da Câmara Municipal”.
Os vereadores também querem discutir o facto de o acidente de outubro de 2024 ter sido “efetivamente reportado e discutido em sede de Comissão de Apreciação e Risco”, algo que “contraria as declarações do Presidente do Conselho de Administração da Carris, que afirmara não ter conhecimento de quaisquer problemas de manutenção”, acrescentam.
Por fim, estes vereadores também querem ser esclarecidos após ter sido noticiado que a manutenção frequente dos elevadores incluía operações como “apertos dos trambolhos”, “pontos de amarração nos trambolhos 1 e 2” e “esticador entre o Trambolho 1 e 2”. A oposição a Moedas afirma que esta informação está “em contradição com as informações prestadas pelo mesmo responsável, que declarou que esses elementos apenas eram verificados nas inspeções gerais (de 4 em 4 anos) ou aquando da substituição do cabo (de 600 em 600 dias).”
Em resposta ao Observador, o gabinete de Carlos Moedas diz que “o PS viu na tragédia do elevador da Glória uma oportunidade para tentar politizar e ganhar votos”. “Só isso justifica o pedido apressado para uma terceira reunião sobre o tema, em menos de 3 semanas!”.
Nas duas reuniões camarárias realizadas sobre o acidente, “os senhores vereadores tiveram a oportunidade de questionar e pedir todas as informações que quiseram sobre o tema”, diz o gabinete do social-democrata. “Não percebemos o sentido deste pedido do PS, para além da questão de um eventual aproveitamento político”, acrescentam. “Relembramos que todos os dados e elementos estão a ser objeto de investigação pelas autoridades e inspeções competentes. Continuamos totalmente disponíveis para esclarecer os lisboetas.”
Os vereadores do PCP assinaram outro requerimento em que dizem que a reportagem em causa “trouxe a público informações até agora desconhecidas do órgão Câmara Municipal de Lisboa, informações essas que contradizem outras anteriormente prestadas ao executivo municipal e publicamente pelo Presidente da Câmara e pelo Conselho de Administração da Carris.”