A pedido do PCP, Carlos Moedas vai convidar a anterior administração da Carris, nomeada por Fernando Medina, para prestar esclarecimentos à Câmara de Lisboa na reunião extraordinária que se realizará um dia depois das eleições. Numa resposta a um pedido de informação do vereadores comunistas a que o Observador teve acesso, o executivo de Moedas afirma que foi essa administração que nomeou o júri do procedimento da contratação, em 2022, da empresa de manutenção dos elétricos (Main) — o órgão responsável por analisar as propostas e submeter essa avaliação à Carris. Ainda assim, seria já o atual presidente da Carris, Pedro Bogas, a assinar a adjudicação desse mesmo contrato.
Depois de ter sido noticiado pela TVI que Moedas recebeu uma carta de uma comissão de trabalhadores, em 2023, que pedia uma reunião com o presidente municipal e com o presidente da Carris Pedro Bogas, a resposta da CML reitera que “não foram apresentadas ao Conselho de Administração quaisquer queixas relativas à manutenção dos ascensores e elevador”. A carta referida não menciona especificamente problemas com elétricos ou ascensores da cidade.
A Câmara insiste que “foram discutidas questões relativas à manutenção em geral de autocarros e elétricos, com a Organizações representativas do Trabalhadores, tendo-se inclusive realizado uma reunião com a Comissão de Trabalhadores especificamente centrada em temas da manutenção, na qual estiveram presentes, inclusive o Diretor da Manutenção do modo autocarro e o Diretor de Manutenção do modo elétrico”.
Uma das outras questões levantadas pelos vereadores do PCP foi a razão para o “preço anormalmente baixo” apresentado pela Main no concurso público em causa: o preço base do concurso rondava os 1,7 milhões de euros e a proposta vencedora seria próxima dos 900 mil. O executivo de Moedas afirma que o júri nomeado pela administração de Tiago Faria, escolha do PS para a Carris, que concluiu “não existir um preço anormalmente mais baixo”.
As informações prestadas pela equipa de Moedas sugerem que isso terá acontecido por duas razões: não haver variação significativa entre o preço da proposta e o preço histórico do contrato de manutenção corrente e a avaliação positiva do desempenho que existia da prestação do serviço de manutenção da Main, que nos três anos anteriores já era responsável por esse serviço. “Note-se que o segundo classificado se conformou com a decisão do júri, não tendo impugnado judicialmente a decisão do procedimento”, acrescenta a Câmara na resposta à equipa de acompanhamento do acidente na Calçada da Glória, composta por um representante de cada partido que integra o executivo municipal.
Além disso, a nota esclarece que o objeto, as obrigações do prestador e os serviços de manutenção a prestar eram os mesmos nos dois contratos assinados com a Main (2019 e 2022), sublinhando que não variaram consoante o preço. “Um prestador não se pode eximir do bom e integral cumprimento do contrato com base no preço a que se vinculou ser maior ou menor”, afirma-se.
O pedido de informação do PCP afirmava que uma notícia da TVI criava dúvidas, a ser apuradas pela GPIAFF (Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários), sobre as “condições de realização das operações de inspeção e manutenção”; a “formação, experiência e proficiência dos técnicos”; a “fiscalização da execução da prestação de serviços pela entidade contratante”; e os “critérios de seleção do prestador de serviços”.
Na nota que será esta terça-feira entregue, a câmara diz que não comentará o teor do relatório do GPIAAF e aguardará pelas conclusões da respetiva investigação. “Bem como pelas conclusões das restantes investigações em curso, nomeadamente do processo de inquérito promovido pelo Ministério Público e das auditorias interna e externa promovidas pela Carris”, acrescenta.
A equipa de Moedas salienta, porém, que na nota informativa, publicada no fim de semana após o acidente, se conclui que “o mesmo tipo de cabo é usado neste ascensor há cerca de seis anos”. Por fim, acrescentam que “a possibilidade de audição das organizações representativas dos trabalhadores da CARRIS, é bem acolhida pela Câmara Municipal de Lisboa e deve ser promovida pelo Conselho de Administração da CARRIS”.
*Notícia atualizada às 11h00 de 24/09/25 clarificando que foi o atual presidente da Carris a adjudicar o contrato com a Main em 2022