Já tinha falado depois da Assembleia Geral, voltou a falar na SIC Notícias, quis deixar tudo claro fazendo um comunicado. Martim Mayer, um dos seis candidatos à presidência do Benfica, deu também a sua versão dos factos sobre o que se passou nas duas reuniões magnas, aproveitando também para focar em alguns pontos que considera mais importante quando o clube está a menos de um mês do sufrágio eleitoral.
“Este é um momento fundamental na nossa história e os benfiquistas merecem saber a verdade. O que ontem [sábado] se passou nas duas Assembleias Gerais do Sport Lisboa e Benfica não honra o nosso emblema e não honra quem fez do Benfica a maior instituição nacional. É triste ver que as assembleias magnas do nosso clube são uma manifestação de regimentos – dois muito concretos – que marcam presença com o intuito de violar os valores democráticos do clube, que querem apenas criar confusão, insultar, não respeitar a opinião contrária e tentar criar uma imagem de poder quando temos mais de 400 mil sócios. Isto não é o Benfica!”, apontou o empresário, visando as candidaturas de João Noronha Lopes e João Diogo Manteigas.
“Não podemos continuar calados a ver candidatos a usar o Benfica para tentar chegar ao fim que pretendem. O que se passou foi resultado de um comportamento que deve ser denunciado. Os sócios têm de ter a clareza de ver quem são os candidatos por detrás das máscaras que põem e do perfil que vendem, e que por vezes poderá não corresponder à realidade”, acusou, antes de falar de forma pormenorizada sobre o caso.
“Após Luís Filipe Vieira se ter inscrito para falar na Assembleia Geral de aprovação do Relatório e Contas, João Diogo Manteigas dirigiu-se a mim, após já o ter feito a João Noronha Lopes, a informar que iria sair do recinto da Assembleia Geral juntamente com as suas centenas de apoiantes quando o ex-presidente do Benfica tomasse a palavra, perguntando-me diretamente e olhos nos olhos se me queria juntar à iniciativa, sugestão que rejeitei de imediato. Logo depois, fui informado por Noronha Lopes, que também havia rejeitado a sugestão depois de ter conferenciado com a sua equipa. E isto foi o que se passou”, referiu.
“Não sei se João Diogo Manteigas incitou os seus apoiantes a abandonar ou não a Assembleia, mas sei o que me propôs e aos demais candidatos, tentando depois fazer o papel de salvador do dia, ao querer ir falar para pedir a todos os sócios que deixassem Luís Filipe Vieira discursar, querendo ser a força apaziguadora. Só que ser o pirómano e o bombeiro ao mesmo tempo não é mais do que uma estratégia pérfida e eleitoralista. Pior, está convencido que é muito esperto e que faz suas as Assembleias Gerais do Benfica. Que fique bem claro: não há benfiquistas de primeira e de segunda categoria e haver um grupo que se arvora de purista do benfiquismo mas que são os primeiros a irem contra os seus valores é reprovável”, destacou.
“Aprovar o Regulamento Eleitoral era defender os interesses do clube e dos seus sócios. Primeiro, porque é fundamental que todos votem. O Benfica é um clube universal. Não é um clube de Portugal. É um clube do Mundo. Ontem esteve na Assembleia Geral o delegado das Casas do Benfica nos EUA e Canadá, o senhor Manuel Constantino, e ao pedir que possibilitassem que os sócios no estrangeiro pudessem votar por via eletrónica foi contestado, insultado e assobiado pelos apoiantes dos dois candidatos. Quem chumbou ontem o Regulamento Eleitoral fê-lo utilizando como premissa que rejeita o voto eletrónico, mas a aprovação deste regulamento não confirmava a aceitação do voto eletrónico. Qualquer lista poderia rejeitá-lo após a formalização das listas após o dia 10 de outubro”, prosseguiu Martim Mayer no seu comunicado.
“Deixo aqui uma mensagem muito clara. Ser sério, em qualquer processo eleitoral, pode não dar votos. Mas independentemente do resultado que a minha candidatura tiver, serei sempre sério e verdadeiro, respeitando o Benfica da sua fundação. Nunca me irão ver a criar promessas vãs ou a fazer-me passar por algo que não sou. Por fim, quero destacar outro ponto fundamental do Regulamento Eleitoral que foi reprovado: os debates. Fomos a primeira candidatura a exigir debates. Fizemo-lo diretamente à BTV com o conhecimento da Mesa e tornámos pública essa posição em dois momentos. Pedimos debates 1×1 e ainda um debate com todos os candidatos. O Regulamento Eleitoral assegurava, pelo menos, esse debate entre todos e espaço nos meios de comunicação do clube. Agora ficamos sem saber se os benfiquistas poderão ser informados das ideias e projetos de cada lista. Se os candidatos terão oportunidade de discutir o futuro do clube. Caberá ao Presidente da Mesa decidir”, recordou o empresário, ainda sobre o chumbo da véspera.
“Que fique claro para todos, quem não debate não tem perfil para ser presidente do Sport Lisboa e Benfica. Quem não debate fá-lo porque tem medo e porque não acredita verdadeiramente na sua proposta para o futuro do Benfica. Quem não debate mostra desrespeito por todos os sócios do clube, desonra o Sport Lisboa e Benfica e o seu legado democrático”, concluiu Martim Mayer no comunicado deste domingo.