Era a presença mais esperada, era uma conferência no mínimo tão aguardada como a do próprio homólogo Enzo Maresca. José Mourinho ainda não tinha sido confirmado no Benfica e a imprensa inglesa já falava na possibilidade de regresso a Stamford Bridge para defrontar um Chelsea onde continua a ser um dos maiores da história – mesmo não tendo conseguido os ambicionados títulos europeus e mundiais. Ao seu estilo, o treinador português não passou ao lado do passado de sucesso na equipa de Londres, não fechou a hipótese de um dia poder comandar os blues por uma terceira ocasião na carreira, mas foi colocando sempre o foco no novo clube, o Benfica, e na importância que o encontro terá para os encarnados. Mais: se a formação da Luz for dominada, até admite assinar um empate; até lá, o único pensamento passa apenas pela vitória.

“Muito mais do que a importância dos primeiros minutos, estou à espera de duas equipas que querem ganhar. Obviamente que não acredito que o Chelsea jogue para outra coisa. Jogam em casa, perderam o primeiro jogo, e nós, por uma questão de cultura de clube e também pela identidade que quero dar à equipa progressivamente, também não haverá estádio ou adversário que nos faça pensar de outra maneira. Se temos de defender bem? Obviamente. Mas o objetivo é tentar ganhar. O Chelsea perdeu em Munique num calendário muito mais acessível do que o nosso. Os pontos que perdemos foram, à partida, pontos que se pensava que íamos somar. E agora teremos de ir à caça nestes sete jogos”, começou por dizer numa conferência feita depois de cumprimentar jornalistas ingleses e rever alguns elementos do staff.

“Trabalho nas últimas horas? O trabalho foi o não trabalho… Mas esse trabalho/não trabalho era o que os jogadores mais precisavam. Finalmente tiveram três dias entre jogos. Chegámos ao último jogo com o Gil Vicente em grandes dificuldades, alguns jogadores tinham mesmo luzes vermelhas nos nossos dados. O trabalho de organização tática para amanhã [terça-feira] é mais passivo do que ativo. Gostaria de ter treinado no Seixal, não foi possível por logística e tinha duas opções: ou o treino era aberto e não podia trabalhar taticamente ou fazia 15 minutos abertos mas com as câmaras que pus lá há 15 anos…”, frisou.

Assinar o empate antes? Nem ia para jogo. Se calhar, aos 88′, assinava três vezes. Depende do jogo. Digo sempre que o empate é ótimo se o adversário for muito melhor. Se o Chelsea nos dominar, se não nos deixar jogar, o empate assina-se. Quando o jogo ainda não começou… E não estamos a falar de mata-mata, estamos a jogar a pontos. E qualquer ponto serve neste tipo de formato, ajuda a atingir, quanto mais não seja, o segundo objetivo”, destacou Mourinho.

Ainda no âmbito do encontro, o técnico ainda hoje tantas vezes tratado em Inglaterra como o Special One passou ao lado do mau histórico recente dos portugueses com equipas inglesas, neste caso em específico com o Chelsea: “Se falássemos de dez jogos… A final europeia perde no prolongamento… Não me agarro muito a esses números. Normalmente, as equipas portuguesas não têm grandes resultados contra os ingleses porque os ingleses são fortes. É o pragmatismo da coisa. Têm intensidade maior, mais tempo de jogo útil. Em Portugal há muita paragem, muita equipa que, em vez de jogar, prefere que o adversário não jogue. Aqui há um nível acima em diferentes parâmetros. Mas claro que acredito que podemos ganhar”.

Numa proporção de quase 50/50, a conferência passou também muito pelo regresso de Mourinho à casa do conjunto londrino, com essa curiosidade de três das cinco fotografias na sala de conferências de imprensa terem a sua imagem nas duas passagens pelo clube, com três Premier League, uma Taça, três Taças da Liga e uma Supertaça. “Serei sempre azul. Sou parte da história do Chelsea e eles da minha. Ajudei o Chelsea a ser um clube maior e eles ajudaram-me a ser um treinador maior. Quando disse que já não sou azul, acho que entendem. Estou a falar do trabalho que tenho, do que tenho de fazer amanhã. Não há muitos clubes que tenham este hábito das fotografias. Muitos têm medo do que aconteceu no passado, parece que querem apagar as pessoas. E isso mostra que o Chelsea é um grande clube”, destacou José Mourinho.

“O Chelsea é uma máquina vencedora que, ao longo dos últimos anos, não conseguiu conquistar troféus. O Chelsea ganhou antes de mim, continuou a ganhar e depois houve uma transformação. Houve novas equipas, houve novos treinadores. Mas o Chelsea é uma máquina de vencer. Eu sou o maior até alguém ganhar quatro Campeonatos”, disse depois sobre a ex-equipa, elogiando a importância da vitória no último Mundial.

“Novo modelo do Chelsea? Não sei qual é o modelo, nunca estudei este novo modelo. Houve um período onde, mesmo vendo de fora, colocava algumas questões. Parecia que o Chelsea tinha perdido a identidade. Mas o que aconteceu na última época voltou a colocar o Chelsea no rumo certo. Deram a responsabilidade ao Enzo [Maresca], ele impôs as suas ideias, ganhou a Liga Conferência, que é uma competição fácil para um clube tão grande. Depois, o Mundial de Clubes. As pessoas podem dizer que a Liga dos Campeões é muito mais importante, e eu também o digo, mas aquele símbolo [de campeão] significa muito”, recordou também a propósito da nova política de contratações que aposta em jovens talentos para criar uma base que possa ficar para uma década, ao mesmo tempo que falou da ligação que tem ao clube e ao estádio também pela proximidade da casa onde fica quando está em Londres, muito próxima de Stamford Bridge.

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