A Europa tem os instrumentos certos mas falha no ritmo de execução para travar a crise climática e ambiental, considera a organização ambientalista WWF, que alerta que Portugal continua vulnerável à escassez hídrica, incêndios e degradação ambiental.
A análise surge a propósito de um relatório da Agência Europeia do Ambiente, divulgado na segunda-feira, que revela as tendências mais recentes sobre o estado do ambiente e que reforça a crescente urgência dos desafios ambientais.
O documento, “Europe’s Environment 2025” confirma que a Europa é a região do planeta que mais rapidamente aquece — duas vezes acima da média global — , registando perdas económicas 2,5 vezes superiores às da década anterior devido a fenómenos climáticos extremos, como secas e incêndios.
Esta terça-feira, em comunicado, a WWF Portugal apela a medidas mais ambiciosas para proteger ecossistemas, promover agricultura sustentável e reduzir a dependência de fósseis.
Persistem dificuldades na adaptação e na proteção da biodiversidade, já que mais de 80% dos habitats protegidos estão em mau estado, e os sistemas alimentares continuam a ser um dos principais fatores do seu declínio, diz a organização, acrescentando que também a resiliência hídrica está em risco, com 30% do território europeu e 34% da população em situação de stress hídrico, fortemente agravado pela agricultura intensiva.
A WWF Portugal destaca que o relatório reconhece progressos nacionais, nomeadamente na redução de emissões, na qualidade do ar, na expansão da agricultura biológica — que cresceu 278% entre 2012 e 2022. Mas acrescenta que o país enfrenta “condições particularmente adversas”, com temperaturas elevadas, secas prolongadas, escassez de água e elevado risco de incêndios florestais.
“Portugal precisa agir já para tornar a gestão da água mais eficiente e sustentável, promovendo a conservação dos recursos hídricos e incentivando culturas e práticas agrícolas adaptadas às condições locais”, disse, citada no comunicado, Bianca Matos, coordenadora de Políticas e Clima da WWF Portugal.
A organização ambientalista salienta ainda os pontos positivos sobre Portugal como a melhoria da qualidade do ar, refletindo a aposta em energias renováveis, mobilidade sustentável e descarbonização do setor energético. E o consumo de energia renovável em Portugal, que tem aumentado significativamente, superando a meta da UE de 2020 e atingindo níveis muito acima da média europeia.