As duas Assembleias Gerais de sábado, as intervenções e entrevistas que se seguiram no dia seguinte, todas as presenças em meios de comunicação ou Casas do clube, a deslocação a Londres para defrontar o Chelsea para a Liga dos Campeões. O Benfica tem dominado a atualidade desportiva, sendo que pelo meio houve o espaço para, em menos de 48 horas, surgirem três intervenções ligadas à arbitragem no Campeonato: uma sobre a falta sobre António Silva que levou ao golo de livre direto do Gil Vicente em comparação com o lance de Otamendi que levou ao golo anulado diante do Rio Ave, uma segunda para comparar o golo de Luis Suárez na Amoreira frente ao Estoril pelo posicionamento de Pedro Gonçalves em comparação com um que tinha sido anulado a Ángel Di María na Taça de Portugal diante do Sporting em 2023/24 pelo movimento na área de Casper Tengstedt, um terceiro sobre três encontros em que os leões terão sido beneficiados.

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Apesar de a última comunicação ter sido no domingo, o Sporting não teve qualquer intervenção pública a esse propósito. No entanto, e aproveitando a partida da comitiva verde e branca para Itália, onde defronta esta quarta-feira o campeão Nápoles para a Champions, Frederico Varandas, presidente dos leões, não deixou passar as críticas feitas pelo rival, respondendo de forma dura aos comunicados das águias.

“Entendemos o momento sensível que o Benfica atravessa, que é um momento eleitoral, e respeitamos isso, mas também existem limites. Chega a um ponto em que obriga a pôr os pontos nos ii. A retórica de há alguns meses a esta parte começa a ser demais. Não é por se dizer mil vezes uma mentira que passa a ser verdade. Se é assim que querem, reponho a verdade mil vezes. É assim que querem, cá estaremos sempre para falar sobre factos. Sobre arbitragem, entramos no ridículo em que temos um comunicado sobre um lance no jogo do Estoril. Como é óbvio, para mim, o Maxi Araújo não faz falta nenhuma, o Pote [Pedro Gonçalves] não está à frente de lance nenhum do guarda-redes. Depois do jogo vou no carro com muita atenção e ouço a conferência e o treinador do Estoril queixou-se, e até tinha razão, num lance de fora de jogo do João Carvalho em que o auxiliar levantou a bandeirola. Não vi ninguém do Estoril a comentar nenhum destes lances”, começou por referir o líder da formação de Alvalade no aeroporto Humberto Delgado.

O que é que acontece? Acabam os jogos e pensam onde vão buscar coisas, aqui ou ali… Muito bem, então vou fazer o exercício ao contrário. Estrela-Benfica, para quem não gosta desses contactozinhos, podem comentar esse penálti? AVS-Benfica, o penálti, como foi o contacto? Benfica-Gil Vicente, o contacto na área do [Leandro] Barreiro ao minuto 90+8′. O futebol aí já é para homens e não é para meninos? No Alverca-Benfica, não ficou por mostrar um segundo amarelo ao [Richard Ríos]? Se quisesse usar a cartilha, esse modusoperandi, era muito fácil.”

“Mas vamos também ao FC Porto. No Rio Ave-FC Porto, os golos de canto foram os dois legais? Há um que acho que não foi… Outro exemplo, o Sporting-FC Porto. Um grande jogo de futebol, muito bem disputado, para mim o resultado mais justo seria o empate mas o FC Porto vence, até marca no momento em que o Sporting está melhor, depois faz um golaço, estivemos a perder por 2-0 mas depois ficou 2-1. Se analisar esse jogo dessa forma então o contacto físico ao Geny [Catamo] na área, não é dez vezes superior aos dois contactos de pénaltis que vi na Vila das Aves e na Amadora? Uma mão na área num remate que o Luis Suárez faz, também não? Eu poderia ir por aí, acho que não faz sentido, que não é a nossa forma de estar, mas não me atirem areia para os olhos. Eu sei porque estão a fazer isso, primeiro é porque querem desviar atenções e depois porque o elemento escolhido é a equipa mais forte, é quem lhes mete medo. E eu aí concordo, até concordo com eles”, prosseguiu o presidente leonino na mesma declarações no aeroporto.

“Este ano disse aos meus jogadores quando a época arrancou que o bicampeonato foi uma ligeira convulsão para o futebol português, mexeu com muita coisa, há 70 anos que não se via uma coisa assim. O tricampeonato, se acontecer, é um terramoto, é um terramoto… Isto assusta muita gente, vai haver muita pressão, muito ruído para que não aconteça, eu sei. Se temo que possa ter impacto? Não, não temo porque eles não perceberam ainda que isso alimenta ainda mais os nossos jogadores e a nossa vontade de ganhar. Sabe porquê? Porque há 40 anos que esperávamos por isto, há 40 anos que queríamos ser o alvo a abater. E vou dar uma novidade: gostamos de estar nesta posição, sentimo-nos confortáveis nesta posição e, mais, queremos ficar aquilo por mais algum tempo nesta posição”, salientou Frederico Varandas, antes de mudar o assunto das arbitragens para os comunicados voltando a visar o Benfica a esse propósito.

“No ano passado criticaram-me que falei de arbitragem num momento decisivo mas não faleu de arbitragem, só critiquei uma comunicação tóxica e ruidosa que os nossos rivais fazem. O Benfica faz, o FC Porto agora não porque está em primeiro mas lembro-me como foi no ano passado. Critiquei essas comunicações e levei 60 e tal dias. O Benfica faz um comunicado a seguir à final da Taça, parecia que tinha rebentado a Terceira Guerra Mundial, a seguir faz um novo comunicado antes da final da Supertaça a criticar o árbitro, Fábio Veríssimo. E até perdemos, perdemos a Supertaça que perdemos e dei os parabéns ao árbitro. Por cada comunicado destes o Conselho de Disciplina pune com 1.000 euros, 1.800 euros… Eu critiquei uma comunicação que é tóxica para os árbitros e levo 61 dias. Mas sabem o que é mais curioso? O sucesso está a mexer com muita gente mas o Sporting domina o futebol por mérito dentro de campo”, frisou.

“Vi recentemente um espetáculo imperdível na campanha eleitoral do Benfica, onde vi o ex-presidente e agora candidato Luís Filipe Vieira onde disse, como estivesse quase a dar a previsão do tempo para a semana ou assim, ‘Isto do futebol português era assim: eu e o senhor Pinto da Costa sentávamo-nos e decidíamos o futebol português’. Quem era o presidente da Liga, quem era o presidente do Conselho de Arbitragem… Ele disse isto e toda a gente ficou tudo calada, acharam normal. Eu não acho normal e o Sporting também não. Foi isto durante 40 anos. E quando as pessoas veem que há um futebol independente, íntegro e onde o presidente do Sporting não escolhe árbitros… Digo isto pela saúde dos meus filhos, eu fico a saber no dia do jogo quem é o árbitro porque é a forma como nós vemos o futebol”, criticou Varandas.

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“Hoje reparei que o atual presidente do Benfica e candidato [Rui Costa] disse esta frase: ‘Devolvi a credibilidade ao Benfica’. Vamos lá analisar isto. Credibilidade desportiva? Não, nos últimos dez anos o Benfica não teve resultados desportivos. Credibilidade financeira? Não, o Benfica teve bons resultados financeiros, é uma boa máquina ao nível de produto financeiro, de criar receitas. Mas sabem o que é que ele quis dizer? Quis dizer ‘Retomámos à ética, às boas práticas’. É isto que diz o presidente do Benfica. E também assisti ao atual presidente do FC Porto [André Villas-Boas], na Alfândega do Porto, a lançar a candidatura a dizer ‘Tem de acabar o clima do medo, o FC Porto precisa de um novo futuro, bons princípios com ética e transparência’. Não é o presidente do Sporting que diz que havia falta de ética e transparência nos nossos rivais, são os atuais presidentes que o dizem. O presidente do Sporting hoje lidera um clube que é campeão por mérito, bicampeão por mérito e que vai lutar pelo tricampeonato por mérito”, concluiu.

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