Depois de um domingo de entrevistas, uma segunda-feira de entrevista. Depois do regresso às vitórias do futebol na receção ao Gil Vicente e de duas Assembleias Gerais no Pavilhão da Luz que chumbaram não só o Relatório e Contas mas também o Regulamento Eleitoral, Rui Costa, presidente do Benfica, falou ao jornal Record sobre vários temas com essa garantia: ao contrário daquilo que tem sido dito por outros candidatos, sente-se mais do que preparado para assumir a atual função e aponta várias coisas boas neste mandato, deixando algumas “farpas” de forma indireta a João Noronha Lopes e também a Luís Filipe Vieira.
“No Benfica não se desiste, jamais desisto do meu clube. Estes quatro anos também me fizeram perceber que estou pronto para este cargo e mais do que pronto para continuar um percurso que não foi fácil. Sei de onde vim e para onde quero ir. Sei o que posso dar a este clube que tanto amo. Fui sempre fazendo reflexões, ponderando todas as possíveis tomadas de decisão. Mostrei-me presente numa altura em que pouca gente tinha a coragem de o fazer, num momento extremamente delicado para o clube e isso faz-me acreditar que nestes quatro anos, mesmo com menos títulos do que pretendíamos, muita coisa foi bem feita e preparada para o futuro ser mais risonho em títulos. Este trabalho tem continuidade”, apontou.
“É natural que numa fase como esta, onde há uma campanha eleitoral vasta, o que salta à vista é que o Benfica não ganhou aquilo que tinha que ganhar, apesar de termos estado em todas as decisões. Nunca deixei de assumir que queria ganhar mais, mas não posso esquecer de onde parti. E como tenho dito, não como chavão da minha candidatura mas porque é uma realidade, tenho a plena consciência de que devolvi ao Benfica a credibilidade que tinha perdido nos últimos anos. Hoje discute-se se o Benfica está bem financeiramente e desportivamente, não se discute se o Benfica tem problemas jurídicos ou não; se tem problemas judiciais ou não. Essa foi a principal razão para que naquele dia tivesse assumido a presidência. Não me podia esconder quando muita gente fez, não podia dizer que não ao Benfica, não podia rejeitar este desafio. Tenha a certeza absoluta de que hoje o Benfica está muito mais pronto para ganhar”, reforçou na mesma entrevista ao Record, antes de elencar os pontos em que considera ter colocado o clube melhor.
“Os ativos do Benfica, sobretudo a remodelação que foi feita no futebol profissional, a estratégia desportiva que foi utilizada… Não se ganhou, é verdade, mas no ano passado não fomos campeões e não ganhámos a Taça de Portugal por detalhes. Avaliávamos quatro anos completamente diferentes. Para além de tudo isso, não me posso esquecer de que quando entrámos agarrei num clube com mais de 60 jogadores sob contrato, um plantel principal com 13 jogadores acima dos 30 anos e com bastante influência no onze. Isto não é sobre a qualidade dos jogadores em si, mas sobre o quanto podem render economicamente ao clube no futuro. E o Benfica até tinha uma situação financeira estável mas não tinha ativos para preparar o futuro”, disse.
Em paralelo, Rui Costa recordou também os tempos em que era administrador da SAD dirigida por Vieira. “Não concordava com tudo mas o Benfica não deixou de ganhar o que ganhou. Não é só estar aqui a dizer que herdei tudo de mau e nada de bom. O Benfica também construiu uma história positiva nos anos anteriores. Só que a minha função não implicava tanta coisa que ainda hoje se fala. As decisões políticas eram de outra esfera. Pensar em demitir-me? Do Benfica não se desiste. Eu nunca estive no Benfica por uma agenda de A, B, C ou D. Nem quando era jogador, quando estive para abraçar o Benfica. Estar dentro da casa estes anos deu-me preparação para chegar o dia em que tudo aconteceu. Não ia ter medo de assumir o meu clube num momento tão dramático. Essa preparação foi conhecer o clube por dentro e por fora”, acrescentou.
Admitindo que vai fazer algumas alterações nas listas, Rui Costa criticou ainda algumas movimentações na antecâmara das eleições como o nome de Bernardo Silva. “Dizer que vou trazer, vou fazer, vou acontecer… São estratégias eleitorais dos anos 80. Não estou nos anos 80. Não vou prometer coisas que não são de prometer. Tenho visto muita demagogia. Acredito que o Bernardo Silva um dia volte a vestir a camisola do Benfica por todo o seu benfiquismo”, apontou, explicando também o porquê da distribuição de um prémio a todos os colaboradores: “Não é tão habitual pois nos últimos anos os resultados não permitiram. Foi um prémio de reconhecimento. Não compro pessoas e muito menos compro benfiquistas. Não tem nada a ver com eleições, estas pessoas fizeram um trabalho extraordinário”.
Mais à margem do tema das eleições, Rui Costa falou ainda da saída de Bruno Lage, da capacidade de adaptação de José Mourinho aos plantéis que encontra e também ao que se passa no futebol português, no seguimento de três comunicados em menos de 48 horas contra as arbitragens nos jogos do Benfica e também do Sporting. “Não sou a pessoa que quer que o futebol português seja a peixeirada total. Venho de dentro do campo. Mas não quero ser pisado. O Benfica adotou uma estratégia, que considera ser a mais benéfica. Não se sente respeitado e manifesta-se. O que se passou no jogo do Sporting é mais uma evidência. Percebemos que há dualidades. Não foi só depois da final da Taça. Aí, explodi a seguir ao jogo, porque aquilo foi tão flagrante… Temos sido mais fortes e mais ativos nesta situação, porque estamos a alertar para os problemas. Quando acabou a AG, estava a ser bombardeado pelo que houve na Amoreira”, salientou.
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