“Vocês são terroristas, são apoiantes de assassinos [o Hamas]”. O polémico ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, apareceu no local onde estão detidos os ativistas da flotilha Global Sumud, no sul de Israel, para se dirigir diretamente a eles, acusando-os de serem propagandistas que, ao contrário do que sempre foi referido, não traziam a bordo dos seus navios qualquer quantidade significativa de ajuda humanitária para Gaza.
O Observador confirmou, junto da embaixada israelita em Lisboa, que o vídeo que circula nas redes sociais é autêntico. Nem Greta Thunberg nem nenhum dos portugueses se consegue identificar entre as dezenas de pessoas que estão sentadas no chão, no momento que chegaram ao sul de Israel após os barcos terem sido intercetados pelas autoridades israelitas.
Os ativistas foram, numa primeira fase, detidos no porto israelita de Ashdod. “São terroristas. Estão a apoiar terroristas”, acusou Itamar Ben-Gvir, que numa fase diferente do mesmo vídeo percorre o interior dos barcos e mostra que a bordo não existia qualquer ajuda humanitária passível de ser entregue aos palestinianos em Gaza (que era um dos objetivos declarados da organização).
Israel’s National Security Minister Itamar Ben-Gvir visited detained activists from the Global Sumud Flotilla.
"These are the terrorists. They are terrorists. Look at them. Supporters of murderers. They came for Gaza, for the terrorists. pic.twitter.com/wx2bApCGbQ
— Clash Report (@clashreport) October 3, 2025
Itamar Ben-Gvir é um político controverso ligado à extrema-direita israelita, muito conhecido pelas suas posições radicais contra os palestinianos. No passado, defendeu a expulsão de árabes de Israel, apoiou grupos judaicos ultranacionalistas e foi condenado por incitamento ao racismo. No contexto do conflito com o Hamas, tem defendido respostas militares duras e medidas repressivas, incluindo a limitação de direitos a palestinianos em Gaza e Cisjordânia.
Bloco de Esquerda denuncia tentativa de “humilhação pública” por parte de ministro israelita
A dirigente do BE Joana Mortágua denunciou uma “tentativa de humilhação pública” por parte de ministro israelita contra os membros detidos da Flotilha Global Sumud, pedindo ao Governo que peça explicações ao embaixador de Israel.
“O Governo israelita publicou um vídeo de propaganda em que os membros da flotilha servem de cenário para um dos ministros mais violentos do Governo de Israel, o ministro da Segurança Interna, fazer um ato de tentativa de humilhação pública, de insulto aos membros da Flotilha, que são obrigados a sentarem-se no chão enquanto um ministro do Governo de Israel lhes berra insultos numa língua que eles não compreendem”, disse.
Joana Mortágua argumentou que “em nenhum Estado democrático um ministro se dirige a um centro de detenção ou a pessoas detidas para as insultar, numa tentativa de degradação e desumanização daquelas pessoas”, afirmando não compreender o facto de “o Ministério dos Negócios Estrangeiros ainda não ter chamado o embaixador de Israel para demonstrar claramente o seu protesto e pedir explicações”.
Não há nenhuma dignidade na forma como Israel está a tratar estes presos de forma absolutamente degradante para efeitos de propaganda interna. A palavra de Israel não vale nada. E é por isso que o Governo português deve chamar o embaixador, é isso que nós exigimos e é isso que as famílias também exigem”, disse.
Todos os membros da flotilha humanitária estão “seguros e de boa saúde”, diz o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel. Quatro já foram deportados e os restantes serão em breve, adiantou-se.
[O que realmente se passou nas eleições presidenciais de 1986, as primeiras e únicas decididas a duas voltas? Uma história de truques sujos, acordos secretos, agressões e dúvida até ao fim. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Ouça o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]