Há qualquer coisa de mágico quando se junta no mesmo fim de semana, no mesmo dia ou na mesma frase Miguel Oliveira e Pertamina Mandalika International Street Circuit, na Indonésia. O último ano não correu da melhor forma, com uma queda com alguma gravidade logo na primeira sessão de treinos a condicionar o resto das coisas, e 2023 também foi mais modesto, com um 12.º lugar quando rodava ainda com a Aprilia. No ano de estreia este século, depois de duas provas no final da década de 90, o português ganhou um lugar na história no país e no próprio MotoGP, olhando de sorriso nos lábios para uma prova marcada por uma carga de água com raios à mistura que adiaram o arranque da corrida para fazer mais uma serenata à chuva com a KTM de fábrica para a quarta de cinco vitórias que conseguiria no principal escalão do motociclismo.

Não é para quem quer, é para quem pode: Miguel Oliveira faz história em Mandalika e vence Grande Prémio da Indonésia

Hoje, os tempos são outros. Não conseguem atingir um patamar diametralmente oposto ao que havia nessa altura mas mudaram de forma pronunciada. Alheio ao impacto das mudanças, Miguel Oliveira voltou a dar uma lição de como ser piloto é muito mais do que conduzir uma moto, terminando o primeiro dia no traçado de Mandalika com uma surpreendente primeira passagem direta à Q2 da época logo na semana em que viu confirmado o seu futuro para o ano de 2026 fora do MotoGP e em estreia no Mundial de Superbike.

Está desfeito o tabu: Miguel Oliveira deixa MotoGP sete anos depois e junta-se à BMW no Mundial de Superbike

“Quando me dei conta de que seria difícil para mim conseguir um lugar em MotoGP a tempo inteiro, não comecei imediatamente à procura mas tive de considerar seriamente a situação, porque também me foi oferecida a oportunidade de ser piloto de testes e o fator decisivo para mim foi o desejo de competir. Esse fogo ainda está bastante vivo e a única forma de o fazer seria no Mundial Superbike. Por isso, o que tentei fazer foi procurar as ferramentas mais competitivas para fazê-lo, a nível de equipa e de moto. Senti que a BMW é a opção certa para mim”, explicara o português já na Indonésia, depois da confirmação oficial de todas as partes da mudanças para a BMW a partir de 2026 onde ficará com o lugar de Toprak Razgatlioglu.

“Estou orgulhoso com o que fiz no Mundial de Velocidade. Venci corridas de Moto3, Moto2 e MotoGP, não foi o ideal mas a minha carreira no MotoGP levou-me a fazer amigos e deixar as pessoas conhecerem-me, o que é muito bom. Acho que é difícil correr no MotoGP quando o máximo que se pode fazer é um top 10. É bom ir para outro campeonato onde, em teoria, tenho hipóteses de vencer, a moto é boa para vencer corridas e vou-me dedicar a isso. A sensação aqui na Indonésia é ambígua, lesionei o pulso aqui no ano passado, venci em 2022, vou recordar-me para sempre dessa vitória e espero que as pessoas se lembrem de mim nos bons momentos”, acrescentara o piloto da Yamaha, ainda antes do arranque dos treinos livres.

Um sincero agradecimento a Miguel Oliveira pela jornada até agora. Vamos separar-nos no final da temporada mas o nosso apoio e respeito permanecem inalterados. Desejamos-te tudo de bom neste novo capítulo! Boa sorte”, tinha também destacado a Yamaha em comunicado.

O primeiro ensaio não correu da melhor forma, com Miguel Oliveira a não passar de um 19.º lugar a rodar quase um segundo e meio acima do mais rápido da manhã (Luca Marini), a redenção estava a chegar: entre afinações na moto e outra noção de onde poderia fazer a diferença nos setores, o português aproveitou uma melhoria geral da Yamaha face à Ducati, a grande derrotada do dia, e alcançou o nono melhor registo, ficando qualificado de forma direta para a Q2 onde tem no mínimo um top 12 da grelha garantido mas com possibilidades de chegar também à sua melhor posição de apuramento na temporada de 2025.

Marco Bezzecchi foi o mais rápido na sessão vespertina com o registo de 1.29,240, com Fermín Aldeguer e Pedro Acosta a seguirem-se no top 3. Miguel Oliveira acabou com o tempo de 1.29,930, ainda a 0,690 do italiano da Aprilia, entrando na Q2 de forma direta tal como Luca Marini, Raúl Fernández, Joan Mir, as Yamaha de fábrica de Fabio Quartararo e Álex Rins e Álex Márquez. Desta forma, de também com alguma surpresa à mistura, nomes como o campeão mundial Marc Márquez, Pecco Bagnaia, Franco Morbidelli ou Brad Binder terão de passar pela Q1. Jack Miller, companheiro do português, acabou em 16.º (1.30,405).

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