Com um novo “chefe” aos comandos do grupo que reúne italianos, franceses e norte-americanos, a Stellantis está apostada em tornar-se mais eficiente, suspendendo modelos que não vendem e apostando nos veículos de que os clientes mais gostam (e compram). António Filosa, o novo CEO do grupo que substituiu o português Carlos Tavares, está agora a livrar-se das pontas soltas, que é como quem diz os modelos que menos fazem bater o coração (e as carteiras) dos potenciais compradores, apostando forte nas marcas — e há 14 no grupo — e nos veículos que mais vendem.
Um dos primeiros modelos na mira de Filosa é o SUV compacto Alfa Romeo Tonale que, enquanto as vendas da marca aumentaram cerca de 33% durante a primeira metade de 2025, esteve longe de contribuir para o sucesso comercial do construtor transalpino. De acordo com a Automotive News Europe, no Velho Continente, o Tonale caiu 42,1% nas vendas de Janeiro a Agosto, transaccionando apenas 10.840 unidades, enquanto nos EUA baixou 28% e ficou-se pelas 1.156 unidades, o que levou a produção a parar entre 29 de Setembro e 10 de Outubro. E até o Dodge Hornet, o “irmão” do Tonale que também é fabricado em Pomigliano e daí exportado para os EUA, não está a conhecer melhores resultados, com a procura a cair 52% e as vendas a não ultrapassarem 5.647 unidades.
Contudo, a Stellantis não desistiu por completo do Tonale, pois tem previsto a introdução de um restyling para 2026, ainda que não esteja confirmado. Menos mal que a Alfa Romeo compensa a falta de vendas mais generosas no Tonale com a boa reacção do mercado ao SUV Junior, modelo ainda mais compacto (4,17 m de comprimento em vez de 4,53 m), mas que desde cedo granjeou o favoritismo do clientes. O Junior, SUV do segmento B, já somou 45.000 encomendas nos 38 países em que está a ser comercializado, sendo que ainda há mais mercados para explorar.
Outra das vítimas destes cortes da Stellantis é o sempre popular Panda, mas não confundir com o Grande Panda (lançado apenas em 2024, a versão mais recente e com maiores dimensões que também oferece versões eléctricas). O original Panda, que é igualmente construído na fábrica de Pomigliano, suspendeu a produção de 29 de Setembro a 6 de Outubro. E esta não será a primeira vez que o “velhote” Panda — mas sempre muito apreciado por alguns sectores do mercado, apesar de já contar com 14 anos de longevidade — viu a fabricação posta em pausa. Sucede que o citadino italiano viu as vendas caírem 5%, para 84.793 unidades, apenas entre Janeiro e Agosto de 2025.
O Tonale e o Panda não são os únicos modelos da Stellantis rumo à suspensão temporária da produção, uma vez que o Opel Mokka e o DS3 também vão deixar de sair das linhas fabris, mas estes entre 13 e 31 de Outubro. A produção destes dois SUV compactos é tradicionalmente assegurada pela fábrica do grupo em França, mais precisamente em Poissy, com a Stellantis a admitir à Reuters que está a adaptar a produção à procura do mercado. De acordo com a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis, as vendas da Stellantis caíram 8,1% até Julho, com a Opel, Citroẽn, Fiat, DS e Lancia em queda, enquanto Peugeot, Jeep e Alfa Romeo sobem, comparadas com 2024.