Em Abril, a Stellantis realizou testes para validar as baterias sólidas FEST (de Factorial Electrolite System Technology), fabricadas pela Factorial Energy. Então, o grupo certificou as células com electrólito sólido criadas por esta empresa norte-americana, fundada por dois técnicos de origem chinesa, a CEO Siyu Huang e o CTO Alex Yu, ambos formados nos EUA, onde a Factorial se financiou.
De acordo com a Stellantis e a Factorial, as inovadoras baterias provaram possuir uma densidade energética de 375 Wh/kg, ou seja, 30% a 40% superior às baterias tradicionais de iões de lítio, o que se traduz por mais energia armazenada. Isto é o que permite aumentar a autonomia sem incrementar o peso do veículo, ou disponibilizar a mesma autonomia reduzindo o peso da bateria, o que permite antever uma redução dos custos dos modelos equipados com este tipo de acumuladores, ou não fosse a bateria a “peça” mais cara num veículo eléctrico.
Depois de garantir até mais 40% de autonomia para o mesmo peso de acumuladores, os testes preliminares de Abril demonstraram ainda que as baterias FEST da Factorial são capazes de recarregar de 15% a 90% em somente 18 minutos. E, como se isto não bastasse, os acumuladores da empresa norte-americana demonstraram funcionar sem limitações com temperaturas exteriores entre -30°C e +45°C — um bom desempenho quando se sabe que os acumuladores não apreciam baixas temperaturas.
Mas há outras grandes vantagens nas baterias da Factorial, uma vez que, ao possuírem um eletrólito sólido, reduzem para zero a possibilidade de incendiar por avaria ou erro de fabrico que desencadeie um thermal runaway (fuga térmica ou sobreaquecimento descontrolado), tornando-se mais seguras. Por outro lado, as baterias sólidas prometem ser substancialmente mais baratas, ainda que a Factorial ou a Stellantis não se tenham pronunciado sobre o ganho expectável, mas que certamente irá contribuir para tornar os carros eléctricos mais baratos.
Agora testes em condições reais de utilização
Desta vez, a Stellantis instalou um pack de baterias sólidas da Factorial num dos seus veículos, mais precisamente um Dodge Charger Daytona, montado sobre a mais recente plataforma multienergia do grupo, a STLA Large. Os ensaios em estrada e em cidade vão procurar agora provar a validade desta tecnologia norte-americana, que já demonstrou ser válida para 600 ciclos. Trata-se de um valor interessante, mas que deverá ser ultrapassado folgadamente, pois o que se espera das baterias sólidas é que superem os 1000 ciclos (mil operações de carga/descarga), para maior longevidade.
A Stellantis não é o único construtor que trabalha com a Factorial, dado que também a Mercedes e a Hyundai/Kia investiram neste fabricante de acumuladores sólidos. A Mercedes, em testes similares, já provou que o seu EQS era capaz de viajar durante 1205 km com as baterias sólidas da Factorial, depois de, com baterias NMC811 de série, fornecidas pelos chineses da CATL ou da Farasis, os 122 kWh úteis de capacidade permitirem “apenas” atingir 876 km entre recargas, o que representa um incremento de autonomia de 37,5%.
Resta agora aguardar para ver quando é que os construtores que são clientes da Factorial vão oferecer o primeiro modelo comercializado em série com baterias sólidas. Ao que tudo indica, a norte-americana Karma, propriedade dos chineses do Wanxiang Group e que adquiriu a falida Fisker, será a primeira a estrear as baterias FEST na venda ao público em 2027. A Stellantis surgirá logo a seguir, com as 14 marcas do grupo a oferecerem uma possibilidade única de massificar as vendas de baterias sólidas, o que também é necessário para as tornar mais acessíveis.