Como sempre acontece na temporada de Fórmula 1, o Campeonato do Mundo parou durante praticamente todo o mês de agosto. Entre o Grande Prémio da Hungria e o Grande Prémio dos Países Baixos passaram quatro semanas sem competição, mas quando os carros voltaram às pistas ainda reinava uma ideia: um dos McLaren seria campeão do mundo. Aquilo que ninguém esperava era que aquelas quatro semanas fizessem tanta diferença.
Desde que o Mundial recomeçou, ao longo do último mês e das últimas quatro corridas, a McLaren só conseguiu ganhar numa ocasião — e foi logo na primeira, no último dia de agosto, com Oscar Piastri a vencer nos Países Baixos. De lá para cá, Max Verstappen triunfou em Monza e em Baku e George Russell, este domingo, ganhou em Singapura. Ou seja, depois de só ter deixado escapar três etapas entre janeiro e agosto, a McLaren leva agora quatro provas consecutivas sem vencer e tem visto a vantagem dos dois pilotos na classificação diminuir a olhos vistos.
Depois do Grande Prémio de Singapura deste fim de semana, Oscar Piastri continua a liderar o Mundial com 336 pontos, enquanto que Lando Norris está no segundo lugar com 314. Na terceira posição, porém, Max Verstappen já tem 273 — uma desvantagem clara, é certo, mas que abre a porta à possibilidade de o tetracampeão mundial ainda conseguir intrometer-se na luta pelo título. Algo que, antes de agosto, era totalmente impensável.
Pelo meio, também este fim de semana e em Singapura, a McLaren aproveitou o terceiro lugar de Lando Norris e o quarto de Oscar Piastri para carimbar desde já a conquista do Mundial de Construtores, renovando o título alcançado na temporada passada e assumindo uma superioridade clara face às outras equipas quando ainda faltam seis corridas para o fim da época. Algo que não mascara a clara quebra de rendimento individual dos dois pilotos — mesmo que a própria McLaren tenha explicações para o que se está a passar.
Ainda antes da corrida de domingo, depois de nem Lando Norris nem Oscar Piastri terem conseguido lutar com George Russell e Max Verstappen pela pole-position em Singapura, o team principal da equipa explicou que existe “um padrão” para os resultados menos positivos das últimas semanas. “Acontece quando temos travagens com solavancos e bermas. No Canadá não fomos o melhor carro [venceu George Russell], em Baku não fomos o melhor carro e em Singapura não somos o melhor carro”, começou por dizer Andra Stella.
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LAP 1/62
Norris made contact with Verstappen and Piastri on the first lap! ????#F1 #SingaporeGP pic.twitter.com/DdiXJbwpem
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“Não é uma surpresa por inteiro porque sabemos em que condições desenvolvemos o nosso carro. De uma forma genérica, ganhamos tempo a meio das curvas, mas cada metade de curva destes circuitos é demasiado curta. Aqui tudo é dominado pelas travagens e a tração, mas com estes solavancos e as bermas estamos a sofrer um bocadinho. Ao longo do fim de semana percebemos que a Mercedes estava em condições de ter setores muito competitivos. O mesmo com o Max. E os nossos pilotos estavam a fazer comentários semelhantes aos que fizeram em Baku e no Canadá. É um regime em que não somos os mais competitivos”, acrescentou, vincando ainda que a equipa tem tido dificuldades na adaptação aos pneus Pirelli neste tipo de circuitos “‘stop and start'”.
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Ainda assim, e mesmo com todas as explicações mais técnicas, Andrea Stella não esconde que a quebra da McLaren não está apenas relacionada com o tipo de pista das últimas corridas — e reconhece que o facto de a equipa já ter parado o desenvolvimento do carro atual está a encurtar a vantagem para os outros pilotos, principalmente Max Verstappen e George Russell.
“Nós parámos o desenvolvimento do carro há algum tempo porque estamos totalmente concentrados em 2026. Levámos algumas coisas para Monza, mas sem ser isso estamos focados em 2026 há muito tempo, enquanto que os nossos concorrentes continuaram a implementar melhorias. A Red Bull é um desses casos, certamente”, sublinhou, garantindo que a McLaren ainda terá muitas dificuldades em Austin, na próxima etapa, mas poderá compensar no Brasil, no Qatar ou em Abu Dhabi.
This is what winning the Constructors' Championship means ????#F1 #SingaporeGP pic.twitter.com/VDUXrl45lx
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“No início da temporada, quando tínhamos mais vantagem, podíamos lidar melhor com alguns desses circuitos. Mas agora tornou-se tudo ainda mais competitivo. A Red Bull resolveu alguns problemas e está extremamente capaz, não é surpreendente que estejam na corrida. Temos de aceitar a luta. E é isso que estamos a fazer”, terminou.
Para além da ausência de vitória e da conquista do Mundial de Construtores, o Grande Prémio de Singapura trouxe ainda mais um capítulo de uma história já conhecida para a McLaren: um duelo direto entre Lando Norris e Oscar Piastri. Logo na primeira volta, os dois colegas de equipa tocaram-se e o britânico acabou por sair à frente, com o australiano a questionar via rádio se a posição não lhe seria devolvida. A resposta foi negativa e Zak Brown, o CEO da McLaren, explicou mais tarde que a competição entre os dois é saudável.
“Eles têm sido brilhantes durante toda a temporada. Não poderíamos ter conquistado o Mundial de Construtores sem dois pilotos fantásticos. Como podem ver, estamos a deixá-los correr. Foi mais um momento de roer as unhas ali, mas eles correm agressivamente e correm limpo, correm para ganhar. Ainda falta muito para o fim da temporada e esperamos ver mais vitórias dos dois”, afirmou.
Respect ????#McLaren pic.twitter.com/U0uahkO13N
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