Para preparar o eléctrico mais acessível do mercado, proposto a partir de 16.900€, para enfrentar um crescente número de adversários, a Dacia reviu os atributos comerciais do Spring, melhorando os aspectos que mereciam maiores críticas. Da potência à capacidade de arranque, passando pela velocidade de carregamento e do comportamento em curva, nada ficou como dantes. Excepto o preço, que permaneceu inalterado.
Por dentro e por fora, não espere alterações no Dacia Spring (as únicas mexidas estão sob o chassi, para uma melhor protecção aerodinâmica), que continua a ser vendido nas versões Essential (a mais simples) e as Expression e Extreme, sendo esta última a mais completa. Tudo o que mudou está sob a carroçaria, a começar pelos motores, com a unidade de 45 cv a ser substituída por outra com 70 cv, uma melhoria de 55,5%, enquanto o motor com 65 cv utilizado até aqui cedeu o seu lugar a outro com 100 cv, um incremento de 53,8%.
Quando equipado com o motor de 100 cv, o Spring (que pesa cerca de 1000 kg) supera os 100 km/h em apenas 6,9 segundos, o que o torna no Dacia mais rápido do momento, deixando a milhas as anteriores versões com 45 cv e 65 cv, a primeira a anunciar 19,1 segundos de 0-100 km/h e a segunda 13,7 segundos. Mas, para trás, fica igualmente o mais rápido dos Sandero (11,6 segundos), do Duster (10,1 segundos), do Jogger (10,0 segundos) e do Bigster (9,7 segundos), transformando a “tartaruga” do antigo Spring na “lebre” da marca romena.
À frente uma barra estabilizadora, enquanto a bateria é instalada numa posição mais central, para distribuir melhor o peso pelos dois eixos
Curiosamente, porque o motor é mais moderno e agora está montado num conjunto formado com o inversor e todos os sistemas de controlo, para ganhar eficiência, a autonomia praticamente não é reduzida, apesar do aumento da potência e da redução da capacidade da bateria. O antigo acumulador com 26,8 kWh brutos (25 kWh úteis), com a química NMC (níquel, manganês e cobalto), foi trocado por um outro LFP (fosfato de ferro-lítio) com 24,3 kWh de capacidade útil. A autonomia, considerando sempre jantes de 15”, era de 228 km e passa agora a ser de 225 km, mas a nova bateria tem a vantagem de realizar carregamentos a 40 kW em corrente contínua (DC), em vez dos anteriores 30 kW, o que garante cargas mais rápidas (de 20% a 80% em 29 minutos). Em corrente alternada (AC), mantêm-se os 7 kW.
Outra das melhorias tem igualmente a ver com a eficiência, mas desta vez ao nível do comportamento. Se até aqui o Spring não montava barra estabilizadora no eixo dianteiro, o que provocava um comportamento “bamboleante” em curva, as novas versões deverão revelar-se mais incisivas e eficazes, permitindo ritmos de condução mais rápidos sem as limitações anteriores. Também a contribuir para um comportamento mais ágil está a disposição da nova bateria, agora mais ao centro do chassi e entre os eixos, em vez de mais chegada atrás, o que distribui de forma mais equitativa o peso entre os eixos dianteiro e traseiro.