Primeiro a entrega de listas no Estádio da Luz, depois uma passagem pelo aeroporto para levar aquela que seria uma das figuras do dia, a seguir uma viagem rápida para o Altis onde estaria aquela que seria a grande surpresa da apresentação. Como confidenciava Martim Mayer, um dos seis candidatos à liderança do Benfica nas próximas eleições de 25 de outubro, 9 de outubro era o primeiro passo da colocação em prática de todo um trabalho teórico que envolveu seis meses de preparação para poder avançar na corrida ao lugar que já foi do avô, Duarte Borges Coutinho, um dos melhores e mais emblemáticos líder do conjunto da Luz.
A cara da mudança de paradigma: Andries Jonker é o diretor geral para o futebol de Martim Mayer
Num dos pontos fulcrais do programa para o quadriénio 2025-2029, Martim Mayer colocava a questão do futebol no centro da discussão com uma mudança de paradigma que pudesse colocar na estrutura a figura de um diretor geral que pudesse “pensar e coordenar toda a estrutura do futebol”. “Vai ser alguém com um perfil internacional e profundo conhecimento do jogo, quer na sua vertente técnica, quer na gestão de recursos e relacionamento humano, que estará ao mesmo nível hierárquico que o treinador da equipa A e que o diretor do futebol”, tinha anunciado pouco depois do lançamento da candidatura à presidência.
“O diretor geral irá garantir que toda a estrutura do futebol do Benfica adote um modelo de jogo e uma filosofia de jogo que será a identidade do futebol do Benfica. Desta forma, todos os escalões promoverão um tipo de jogo semelhante ao praticado na equipa A do Benfica, preparando os atletas desde cedo na sua carreira e acelerando o talento para o disponibilizar à equipa A o mais cedo possível. O diretor geral do Benfica terá as seguintes áreas de atuação: definição do modelo de jogo; definição do perfil dos treinadores da formação; definição de perfis do diretor de scouting e do diretor de formação; definição de perfis posicionais para um planeamento a médio e longo prazo do plantel; definição de mapas de sucessão para garantir que os mais relevantes talentos da formação não são impedidos de chegar à equipa principal e para haver antecipadamente uma clara ideia das posições onde é preciso investir por sabermos quais as lacunas que temos de preencher nas épocas vindouras”, detalhou em relação à importância na estrutura.
Um dos grandes nomes do futebol mundial, Louis van Gaal, a marcar presença na apresentação de Andries Jonker, o Diretor-Geral para o futebol da candidatura Benfica no Sangue.#BenficaNoSangue #MartimBorgesCoutinhoMayer2025 #slbenfica #SLB pic.twitter.com/VySqEoKyCT
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Era essa figura que seria apresentada esta quinta-feira, a tal que chegara de manhã vindo de Amesterdão: Andries Jonker. Neerlandês de 63 anos, teve uma carreira como jogador em clubes mais modestos como o De Volewijckers, o Volendam, o De Meer ou o ZFC, destacando-se sobretudo pelo trabalho que teve como treinador com passagens por Barcelona (adjunto), Bayern (adjunto e técnico interino), Arsenal (diretor da Academia) e Wolfsburgo (treinador e adjunto), tendo orientado nos últimos três anos a seleção neerlandesa depois da passagem como coordenador da formação da Federação dos Países Baixos. Tem como grandes referências Rinus Michels, Johan Cruyff e Louis van Gaal, com quem trabalhou no Barça e no Bayern. E era essa a grande surpresa que estava preparada para o candidato neste dia de apresentação de Andries Jonker.
O antigo campeão europeu pelo Ajax que passou por clubes como Barcelona, AZ e Manchester United além das três passagens pela seleção dos Países Baixos (a última na fase final do Mundial de 2022, no Qatar, onde caiu nas grandes penalidades frente à futura campeã Argentina nos quartos) juntou-se ao mandatário da campanha, António Simões, na primeira fila da sala reservada para a apresentação do diretor geral, que contava já com todos os membros da lista e demais convidados. Jonker foi adjunto de Van Gaal no Barcelona e no Bayern, o que fez com que o antigo número 1 quisesse marcar presença na cerimónia desta quinta-feira.
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“O Benfica tem um novo treinador, tem um bom diretor de futebol, precisa de um diretor geral. A duração média de um treinador no Benfica foi um ano e quatro meses, 16 meses. É preciso alguém que trate tudo o que esteja por baixo da ponta do icebergue, que é a equipa A. Quero alguém que me acompanhe ao longo dos quatro anos para poder das estabilidade ao projeto. Foi preciso falar com muita gente, foi ainda preciso perceber as mutações que aconteceram com o tempo mas conseguimos fazê-lo, alguém que sabe dirigir uma equipa B e uma equipa Sub-23, alguém que olhe para a formação sem limites. Temos de materializar aquilo que somos ao longo de 121 anos de história”, começou por referir Martim Mayer na apresentação.
“Em paralelo com isso, é alguém que sabe falar com quem está, com quem trabalha a curto prazo para ter os resultados imediatos na equipa A. Só temos de abrir horizontes, ter coragem, falar nos fóruns certos, a trabalhar o Benfica de forma grande e global”, acrescentou antes de passar a palavra a Andries Jonker.
“Cresci na zona norte de Amesterdão, numa comunidade onde trabalham muito com as mãos. Pintam, que trabalham com madeira. Pessoas do trabalho, que são corretas, humildes. Eu sou assim, eu mantive isso comigo”, referiu depois o neerlandês, recordando as memórias dos duelos entre Benfica e Ajax com António Simões em campo (e o pequeno Louis van Gaal nas bancadas) e confidenciando que passou pela Luz para tirar uma fotografia com a estátua de Eusébio depois de aterrar esta manhã em Lisboa.
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“Conhecia bem o Benfica, quis ler o programa do Martim, pareceu escrito no norte de Amesterdão por aquelas pessoas que pintam, que trabalham com a madeira. É feito do coração, é feito para os fãs. O Benfica precisa ter uma identidade de jogo, um estilo que o defina. Qual? Ganhar, claro, mas jogar bem, ter um jogo atrativo”, apontou, falando de seguida do desenvolvimento do futebol feminino com exemplos dos Países Baixos e de Inglaterra e da importância de um bom scouting. “Tem de saber aquilo que são as ideias, aquilo que se procura. O Louis [van Gaal] no Bayern tinha tudo mas faltava uma peça porque jogava com três avançados e não dois. Faltava isso. Quando chegou o Arjen Robben, ficou como queria”, contou, antes de recordar também o trajeto que foi sendo feito por Saka desde os nove anos na formação do Arsenal e todo o trabalho que teve em fazer de Emre Çan um “jogador” além de ser apenas um jovem talentoso de 17 anos.
“O Barcelona é mais do que um clube, como diz o lema. Temos de trabalhar em conjunto. Quando um miúdo pálido e pequeno chegou à equipa quando o Louis era o treinador, não o conhecia, continuava a achar que ele era demasiado pequeno, depois vi… Era o Andrés Iniesta. Temos de definir uma identidade de jogo para depois encontrarmos a possibilidade de termos metade da equipa formada na nossa casa. Como acontecia no Barcelona, como aconteceu no Arsenal. Sei que o Benfica não tem ganho tanto como se quer, sei que há muita vontade de ganhar. Este é um plano grande, global e estarei muito contente em juntar-me se for essa a escolha”, completou o neerlandês antes da fotografia da praxe já com Simões… e Van Gaal.
“O Andries foi meu adjunto, um adjunto excelente. Quando se é meu adjunto, tem de ser alguém muito bom. Faz todas as funções num clube, faz de tudo. Não imaginam. Acho que é alguém que entra muito bem num clube como o Benfica, pela cultura que tem. É como Ajax mas chega-se a uma certa altura onde não se ouvem as vozes das pessoas com maior experiência. Relação com Mourinho? São pessoas adultas, sabem ouvir-se. Eles foram meus assistentes, por isso são muito bons… Acredito no Benfica, acredito no Ajax, ainda sou conselheiro do Ajax e um dia ainda nos vamos encontrar numa final”, comentou Van Gaal.
“Andries Jonker é uma peça importante para o nosso projeto. Não podemos estar organizados apenas atrás do treinador, temos de ajudar o treinador e o diretor Mário Branco. Nós somos a candidatura que dá as respostas ao como se faz, fizemos agora em relação ao futebol e vamos fazer em todas as áreas. Aquilo que quero é trazer uma proposta para o Benfica, depois os sócios escolhem e espero ser o presidente. O Louis ban Gaal é amigo há muito tempo do Andries, está aqui como tal. Eu trabalho para o Benfica e este também é o resultado de vários meses de trabalho que temos nesta candidatura”, salientou Martim Mayer.