“Ao longos dos últimos 35 anos somamos apenas dez títulos de campeão nacional e cinco Taças de Portugal. Considerando todas as provas nacionais disputadas, a taxa de insucesso foi de 80%. Nos últimos cinco anos, com três títulos conquistados em 20 disputados a nível nacional, apenas um referente ao título de campeão nacional, a taxa de insucesso subiu para 85%. Em 15 anos gastaram-se mais de mil milhões em compras de jogadores e mil e setecentos milhões em vendas. Destas vendas, 652 milhões referem-se a jogadores formados pelo Benfica. Se excluirmos o valor de vendas de jogadores da formação, o saldo é próximo de zero. A continuação deste raciocínio, tem de ter em consideração que só nos últimos três anos o Benfica comprou 29 jogadores e vendeu 45 e do grupo de 29 jogadores que iniciou a época passada, 15 já saíram e dos 10 que chegaram ao longo da época, metade já saíram. Comigo, este paradigma irá mudar”, destaca Martim Mayer.

O candidato à presidência do Benfica, que tem o antigo campeão europeu António Simões como mandatário, faz o diagnóstico sobre o que se passa no futebol dos encarnados mas apresenta também soluções que quer implementar para virar a página, nomeadamente com a criação do cargo de um diretor geral “que pensará e coordenará toda a estrutura do futebol”. “Vai ser alguém com um perfil internacional e profundo conhecimento do jogo, quer na sua vertente técnica, quer na gestão de recursos e relacionamento humano, que estará ao mesmo nível hierárquico que o treinador da equipa A e que o diretor do futebol”, ressalva.

“O diretor geral irá garantir que toda a estrutura do futebol do Benfica adote um modelo de jogo e uma filosofia de jogo que será a identidade do futebol do Benfica. Desta forma, todos os escalões promoverão um tipo de jogo semelhante ao praticado na equipa A do Benfica, preparando os atletas desde cedo na sua carreira e acelerando o talento para o disponibilizar à equipa A o mais cedo possível. O diretor geral do Benfica terá as seguintes áreas de atuação: definição do modelo de jogo; definição do perfil dos treinadores da formação; definição de perfis do diretor de scouting e do diretor de formação; definição de perfis posicionais para um planeamento a médio e longo prazo do plantel; definição de mapas de sucessão para garantir que os mais relevantes talentos da formação não são impedidos de chegar à equipa principal e para haver antecipadamente uma clara ideia das posições onde é preciso investir por sabermos quais as lacunas que temos de preencher nas épocas vindouras”, acrescenta um dos seis candidatos à presidência.

Por tudo isso, seria sempre um nome forte em quem Martim Mayer iria apostar para essa inversão daquilo que é o atual paradigma. Um nome que será apresentado esta quinta-feira em termos oficiais, numa unidade hoteleira em Lisboa, à tarde, já depois de formalizada a entrega dos nomes que irão a sufrágio no dia 25 de outubro. Andries Jonker, neerlandês de 63 anos, é o nome em quem vai recair essa aposta.

Nascido em Amesterdão, Jonker teve uma carreira como jogador em clubes mais modestos como o De Volewijckers, o Volendam, o De Meer ou o ZFC, destacando-se sobretudo pelo trabalho que teve como treinador com passagens por Barcelona (adjunto), Bayern (adjunto e técnico interino), Arsenal (diretor da Academia) e Wolfsburgo (treinador e adjunto), tendo orientado nos últimos três anos a seleção neerlandesa depois da passagem como coordenador da formação da Federação dos Países Baixos. Tem como grandes referências Rinus Michels, Johan Cruyff e Louis van Gaal, com quem trabalhou no Barça e no Bayern.

Jonker coincidiu, enquanto coordenador da formação, com uma das últimas gerações dos Países Baixos, que teve nomes como Patrick Kluivert, Edgar Davids, Clarence Seedorf, Marc Overmars ou Edwin van der Sar, entre outros. Após passar pelo Volendam, foi convidado por Louis Van Gaal para número 2 quando se cruzaram na Federação neerlandesa, estando nas equipas técnicas do Barcelona e do Bayern, onde chegou a ser treinador interino “Jonker merece um grande elogio. Desde que assumiu o cargo, tem sido muito claro sobre o que quer ver. Não preciso de o bajular mas é muito significativo quando jogadores como o Schweinsteiger ou o Lahm falam bem dele”, referiu na altura Arjen Robben, antigo avançado dos bávaros.

Mais tarde, entre 2014 e 2017, Jonker foi o escolhido para liderar toda a formação do Arsenal. “Tínhamos muitos bons candidatos mas ele era o único que podia trazer uma dimensão internacional para a academia, porque queremos dar grande ênfase ao desenvolvimento dos jovens, uma área em que já somos fortes. Jonker tem a experiência certa para liderar a nossa academia. Trabalhou nos Países Baixos, na Alemanha e em Espanha, por isso pode ajudar-nos a sermos ainda melhores”, justificou Arsène Wenger. Saiu quando o francês deixou o comando do conjunto principal e esteve depois no Wolsburgo, onde apostou em Victor Osimhen, goleador nigeriano que está agora no Galatasaray após ter sido campeão em Nápoles. Como é comum nos Países Baixos, é uma figura que olha para o futebol com três premissas claras: ganhar, jogar sempre o melhor futebol possível e inspirar pessoas. Foi isso também que justificou a aposta de Mayer.

[Há um novo candidato a Belém. Soares fica em choque com o anúncio do amigo que considera irmão. Freitas elege Zenha como principal adversário. “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui.]