O porta-voz do Livre estabeleceu esta sexta-feira como meta para as eleições autárquicas “triplicar” ou até “quintuplicar” o número de eleitos, que são oito, eleger vários vereadores e “ganhar municípios” onde se candidata em coligação com o PS.

“Agora, onde antes triplicámos ou quintuplicámos o número de candidaturas, acho que podemos triplicar ou quintuplicar o número de eleitos locais, vamos eleger vereadores, vamos ganhar municípios e vamos ganhar freguesias”, antecipou Rui Tavares, à margem do comício de encerramento da campanha do Livre, realizado na zona exterior do Pavilhão Multiúsos de Gondomar, no Porto.

Esta foi a primeira vez durante a campanha que o porta-voz do Livre estabeleceu metas eleitorais, para um partido que tem atualmente apenas oito eleitos no país e nestas eleições conta com 49 candidaturas, mais de metade resultantes de coligações à esquerda.

O Livre quer “ajudar o campo progressista” a ganhar câmaras como Lisboa, Sintra e Coimbra, contando aí com a ajuda de partidos como o PS, além de BE ou PAN, dependendo do município. “Nos municípios onde temos coligações, e em que o Livre tem uma voz marcante, nós vamos ganhar, eu acredito que podemos ganhar municípios”, afirmou.

Além destes municípios, o partido quer eleger Helder Sousa como vereador no Porto e ter responsabilidades em freguesias cujas lideranças encabeça, como Areeiro, Alvalade e Avenidas Novas, fortes apostas do partido nesta campanha eleitoral

Rui Tavares salientou que o Livre não tem medo de ter responsabilidades autárquicas, à semelhança de outros partidos da sua família verde europeia. “O Livre, ao contrário de outros partidos que sempre fugiram um pouco a ter responsabilidades autárquicas, quer mesmo ter freguesias e apresentá-las como modelo, e depois sermos julgados por isso, se acertamos ou não”, acrescentou.

Nas últimas eleições autárquicas, de 2021, o Livre conquistou oito eleitos locais, que mantém até esta sexta-feira: um vereador e uma deputada municipal em Lisboa (Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes), onde se candidatou em coligação com o PS, deputados municipais em Oeiras, Felgueiras e Vila Real de Santo António e três membros nas assembleias de freguesia de Penha de França, Lumiar e Carnaxide e Queijas.

Livre acusa PM de “vender gato por lebre” ao aconselhar voto em candidatos “alinhados” com Governo

O porta-voz do Livre também primeiro-ministro de “vender gato por lebre” ao aconselhar o voto em candidatos “mais alinhados” para estabelecer uma relação de parceria com o Governo, considerando que eleitos de esquerda serão mais reivindicativos.

“Eu respondo abanando a cabeça e dizendo que Montenegro está a vender gato por lebre às pessoas”, acusou Rui Tavares, à margem do comício de encerramento de campanha do Livre para as autárquicas de domingo.

Rui Tavares respondia às palavras do também presidente do PSD em Aveiro, quando esta sextas-feira apelou aos portugueses que escolham “muito bem” os presidentes de Câmara, aconselhando-os a votar “nos mais qualificados e mais alinhados” para estabelecer relação de parceria com o Governo.

O deputado deu como exemplo a autarquia de Lisboa, na qual ainda é vereador, e onde viu Carlos Moedas tanto com governos liderados pelo PS como pelo PSD e CDS-PP. “Eu vi Carlos Moedas com um governo do PS: inútil. E vi Carlos Moedas com um governo de Montenegro, continuou inútil, não fez nada. Nós temos proposta atrás de proposta aprovadas na câmara que Carlos moedas não exigiu ao Governo”, acusou.

Na ótica de Rui Tavares, “mais vale ter presidentes de Câmara mais reivindicativos, que junto do Governo saibam exigir” e que “não tenham problemas em confrontar o Governo de turno”.

Apesar de salientar que as escolhas de voto de todos são legítimas, Tavares realçou que o país está virado à direita e pediu que os eleitores reequilibrem a politica do país”, que tem atualmente um Governo e um presidente da Assembleia da República à direita, um Presidente da República dessa família política, e o maior partido da oposição na extrema-direita, o Chega.

“Agora é altura dos portugueses, que nunca quiseram pôr os ovos todos no mesmo cesto, e que não gostam da viragem que a política está a tomar, de reequilibrarem a política, isso vai-nos ajudar a todos”, defendeu.