A economia da zona euro está a registar um impulso inesperado e os analistas veem “boas notícias” na divulgação de um dos mais importantes indicadores usados para avaliar as tendências económicas futuras. O índice de gestores de compras (PMI) de outubro mostrou que a atividade económica no setor privado cresceu ao ritmo mais forte dos últimos 17 meses, com a Alemanha a ganhar ímpeto e França a perdê-lo.
O indicador calculado pela S&P Global, que reúne várias “pistas” sobre o desempenho da economia em tempo real, subiu para 52,2 pontos em outubro, uma melhoria relevante face aos 51,2 pontos registados em setembro. Esta evolução positiva do indicador já corre há 10 meses consecutivos, sinalizando uma tendência clara de expansão da atividade.
A leitura superou largamente as previsões dos analistas consultados pela Reuters, que antecipavam uma ligeira descida para 51,0, sendo que valores acima dos 50 pontos indicam crescimento e valores abaixo de 50 pontos sinalizam uma contração da atividade.
“Os dados preliminares de outubro sugerem que a economia da zona euro poderá ter acelerado um pouco no início do quarto trimestre”, comentou Adrian Prettejohn, economista da Capital Economics, sublinhando o contraste “muito nítido” entre Alemanha e França.
Em França, a atividade voltou a contrair-se mais do que o previsto, penalizada pela queda da procura interna e por um ambiente político instável. Já na Alemanha, o maior motor económico da Europa, o setor privado registou o crescimento mais forte em dois anos e meio, impulsionado pelos serviços.
A nível global, nas maiores economias da Europa, o setor dos serviços foi, aliás, o principal dinamizador. O índice PMI setorial (para os serviços) a subir para 52,6 pontos (contra os 51,3 em setembro), o nível mais alto em 14 meses. Já na indústria transformadora também houve sinais de recuperação: a produção avançou ligeiramente para 51,1 pontos, enquanto o índice geral do setor subiu para 50,0, após 49,8 no mês anterior.
Para o economista Ralph Solveen, do Commerzbank, este relatório confirma as “boas notícias para a economia europeia e para a Alemanha em particular”.
O economista diz, em nota partilhada com o Observador, que “com esta tendência ascendente, que se estende por vários meses e se intensificou ainda mais em outubro, o PMI composto dá esperanças de que a economia da zona euro recupere nos próximos meses”. “A economia alemã irá provavelmente crescer ligeiramente acima da média devido à sua política orçamental bastante expansionista, mas sem apresentar uma recuperação forte”, antevê o especialista.