Apenas dias depois do roubo de joias no Louvre e numa semana em que o mundo esteve em alerta para o tema, 33 peças de joalharias como Chopard e Tiffany & Co., com esmeraldas de 129 quilates ou raríssimos diamantes rosas, foram expostas no Café de la Rotonde, em Monte Carlo, no Mónaco, numa antecipação da primeira edição do Grande Prémio de Alta Joalharia. O timing foi pura coincidência: o evento já estava planeado e foi anunciado há cerca de um mês — criado pelo CEO da agência de comunicação de eventos Profirst, Jean-Philippe Braud, e o presidente da Monte-Carlo Société des Bains de Mer, uma rede de hotéis de luxo no Mónaco, Stéphane Valeri. A gala realiza-se na noite deste sábado, 25 de outubro, na Salle des Étoiles, no Monte-Carlo Sporting, e deve reunir gemólogos, colecionadores, especialistas e jornalistas do meio.
Durante a cerimónia serão entregues os prémios de melhor peça do ano, design, savoir faire, heritage, pedras, o melhor novo talento, o prémio especial do júri, e ainda a escolha do público, definida nos últimos dias de acordo com os visitantes da exposição no Café de la Rotonde. Pode ver as peças na galeria acima.
Entre as peças que concorrem ao prémio heritage está, por exemplo, uma tiara de diamantes em estilo art nouveau criada em 1909 e que faz parte da coleção património da Boucheron; um colar com tema de cães com 9 mil pedras preciosas da Chopard, uma choker Tiffany & Co. de 1956 com diamantes, turquesas, ametistas, safiras e espinélios e que está no Virginia Museum of Fine Arts e ainda um colar Dolce&Gabanna com uma turmalina Paraíba do Moçambique de 74,459 quilates e uma composição com mais de 800 diamantes.
▲ A tiara Boucheron de 1909 e o colar Chopard com tema de cães e 9 mil pedras
Já entre as 33 joias que concorreram ao voto popular destacam-se as criações de grandes nomes da joalharia mundial. A Boucheron, por exemplo, apresenta o Collier Tricot, um choker inspirado na herança da alta-costura de Frédéric Boucheron, que transforma cristal de rocha e diamantes numa espécie de tecido. A Chanel aposta em ousadia com o Sweater Necklace, que alia técnica e fluidez em ouro branco e esmeraldas, e o majestoso Wings of Chanel, com uma rara safira Padparadscha de 19,55 quilates ao centro.
Já a Chopard exibe duas peças da coleção Caroline’s Universe, que personifica o universo da diretora artística da casa, Caroline Scheufele. O colar traz uma esmeralda colombiana de 129 quilates. A Dior surpreende com o Diorexquis Forêt Nacrée, um jardim de pedras coloridas, madrepérola e laca; a Tiffany & Co. resgata a tradição com Legendary Bird: The Argyle Edition, onde raríssimos diamantes rosa Argyle repousam sobre ramos dourados; e a Louis Vuitton celebra o virtuosismo técnico com o Savoir Necklace, que combina opala australiana e esmeralda zambiana num jogo arquitetónico de volumes.
StEntre os novos talentos, nomes como Diane R., Jothi-Seroj, Sahag Arslanian e Tatiana Verstraeten introduzem uma linguagem poética e ao mesmo tempo experimental à alta joalharia contemporânea. A designer Diane R. apresenta o Thetys Necklace, que combina coral Konjoï, esmeralda colombiana e turmalina Paraíba num diálogo entre terra e mar. Já Jothi-Seroj revela sensibilidade lírica com o anel Celestial Pearl, onde uma pérola-lua repousa sobre um mar de safiras e diamantes, enquanto Sahag Arslanian apresenta o Lunar Eclipse Necklace, centrado num diamante amarelo de 15,59 quilates. Por fim, Tatiana Verstraeten cria uma espécie de asas com plumas de diamantes com o Collier The Barbara.
Júri composto por especialistas em joias e jornalistas
“Este projeto nasceu de uma constatação simples: a alta joalharia, como arte de luxo, merecia um lugar próprio. Com o apoio das mais prestigiadas maisons, um júri excecional e um cenário único, criámos as condições ideais para consolidar o Grand Prix como um evento imperdível no calendário internacional da alta joalharia”, explica Jean-Philippe Braud, cofundador e diretor do evento, em comunicado. “O prémio está totalmente alinhado com a nossa estratégia de reunir os principais nomes do luxo mundial no nosso resort. Há 162 anos mantemos essa promessa, combinando tradição e inovação — e este evento será mais uma demonstração desse compromisso”, afirma Stéphane Valeri.
▲ Stéphane Valerie e Jean-Philippe Braud, co-fundadores do Grande Prémio de Alta Joalharia
Fazem parte do júri nomes como Tristan Auer, arquiteto e designer, Brune de Margerie, colecionadora e historiadora de arte, além de chefe de redação de moda da ELLE, François Curiel, presidente da Christie’s Europe & Asia, Chayapa Chutrakul, empresária tailandesa, Constance Assor, chefe de redação adjunta do Le Point, Evelyne Possémé, curadora do Musée des Arts Décoratifs de Paris, Emmanuel Piat, especialista em pedras preciosas e CEO da Maison PIAT, Philippe Scordia, gemólogo e colecionador assim como o próprio Stéphane Valeri. A jornalista Fabienne Reybaud, presidente do júri, considera o evento “um reconhecimento da excelência em joias em todas as suas dimensões. Oferece um palco internacional para aqueles que imaginam, lapidam, cravam e ousam. Destacará novas expressões de luxo, sempre honrando os fundamentos sobre os quais se sustenta.”