Eis o primeiro El Clásico da temporada. Este domingo, o futebol de alto nível voltou a concentrar-se na Avenida de Concha Espina, em Madrid, desaguando no mítico Estádio Santiago Bernabéu, naquele que é um dos jogos capaz de parar o planeta. O Real Madrid chegou a esta partida no primeiro lugar do Campeonato espanhol, no qual tinham vencido todos os jogos à exceção do dérbi frente ao Atlético de Madrid (fora, 2-5). Por outro lado, o Barcelona chegava à capital espanhola na segunda posição, mas a apenas dois pontos do grande rival, depois de ter consentido um surpreendente empate frente ao Rayo Vallecano (casa, 1-1) e perder com o Sevilha (fora, 1-4). Contudo, os blaugranas tinham que lidar com um contratempo: Hansi Flick foi expulso frente ao Girona (casa, 2-1) e não esteve no banco de suplentes.

“Um clássico é especial. Tem sido assim há muitos anos. É o primeiro da temporada e deste novo projeto. Precisamos que o estádio tenha a energia dos grandes jogos e dos momentos especiais. Que nos impulsione e vibre para que depois possamos comemorar com o nosso povo. O momento é diferente, o nosso projeto é diferente e está a começar. Queremos potenciar os nossos pontos fortes e conseguir fazer um bom jogo. Recuperámos quase todos os jogadores que não puderam jogar contra a Juventus. Estamos bem. Estamos cientes da importância deste jogo, mas a dinâmica do dia a dia não muda. É um jogo especial, que temos marcado, mas não muda muito. Chegamos num bom momento em termos de motivação e competitividade. Amanhã [domingo] é o momento”, assumiu Xabi Alonso.

“É uma honra estar no banco amanhã [domingo], é uma ocasião especial. Esperamos um jogo muito difícil. Temos de mostrar os nossos pontos fortes, como a pressão alta. Se o Hansi não está presente, sentimos a sua falta, ele é a parte mais importante da equipa. É uma desvantagem, mas acontece o mesmo com os jogadores. Temos de dar o nosso melhor e gerir esta situação da melhor forma possível. Nestes jogos tudo está 50-50. Quem tiver melhor desempenho em campo vai ganhar. Temos que fazer as coisas bem, pressionar com e sem a bola, subir a linha se necessário… mas não vamos mudar a nossa forma de jogar. Isso não nos ajudaria. O Real Madrid tem uma transição muito boa, como no ano passado. O maior desafio é enfrentar a primeira linha. Todos pressionam”, partilhou Marcus Sorg, adjunto de Flick.

Nos onze iniciais, Xabi Alonso voltou a lançar Fede Valverde no lado direito da defesa, com Hansi Flick a apostar em Pedri, Frenkie de Jong e Fermín López no meio-campo, com tanto com muitos jogadores das equipas secundárias no banco, por conta das lesões que assolam o seu plantel. Como seria de esperar, o clássico começou a todo o gás, com o Real Madrid a beneficiar de um penálti logo aos dois minutos, por alegada falta de Lamine Yamal sobre Vinicius Júnior (2′). Contudo, depois de ver as imagens do lance, o árbitro considerou falta do brasileiro e anulou o lance. Pouco depois, Fermín perdeu a bola em zona proibida e lançou a transição rápida merengue, Kylian Mbappé recebeu entre os centrais e, de longe, desferiu um grande remate para o fundo das redes (12′). Ainda assim, o lance voltou a ser invalidado, por fora de jogo milimétrico do francês.

A formação da casa continuou mais perigosa e, depois de um grande passe de Jude Bellingham, Mbappé isolou-se e inaugurou o marcador (22′). A superioridade do Real Madrid prosseguiu, com Vini a colocar a bola em Dean Huijsen que, ao segundo poste, atirou para defesa de Wojciech Szczesny (30′). Pouco depois, na primeira oportunidade do Barcelona, Ferran Torres rematou para defesa de Thibaut Courtois (33′). Na resposta, em novo ataque rápido, Mbappé assistiu Vinicius, mas o guarda-redes polaco voltou a impor-se (35′). Com o jogo cada vez mais partido, Arda Güler perdeu a bola, à entrada da sua área, Marcus Rashford recebeu na meia-esquerda, cruzou atrasado e, com um remate de primeira, Fermín empatou (38′). Antes do intervalo, ainda houve tempo para Vini arrancar pela esquerda e cruzar, Éder Militão cabeceou para o meio e, completamente sozinho, Bellingham encostou para o 2-1 (43′).

A etapa complementar abriu com mais um penálti para o Real Madrid, conquistado por Bellingham, com Eric García a cortar o cruzamento do inglês com o braço esquerdo. Mbappé assumiu a cobrança, atirou forte para a esquerda, mas Szczesny defendeu (52′), com os madrilenhos a falharem um penálti num clássico mais de 34 anos depois. Na resposta, Fermín liderou um ataque em superioridade do Barcelona, só que não serviu Rashford nem Yamal e a jogada perdeu-se nas mãos de Courtois (54′). Xabi Alonso mexeu pela primeira vez no jogo depois dos 60 minutos, colocando Brahim Díaz no lugar de Güler. Pouco depois, a bola voltou a entrar na baliza culé, mas Brahim estava em posição irregular, invalidando o remate de Bellingham. Já com Dani Carvajal e Rodrygo em campo, o que deixou Vini bastante desagradado, foi a vez de Ronald Araújo e Marc Casadó saírem do banco catalão, numa toada de superioridade forasteira, com o Real Madrid na expectativa e à procura de um erro.

Para a reta final, Roony Bardghji rendeu Pau Cubarsí e o Barcelona continuou a assumir as rédeas da partida, com Jules Koundé a ficar perto de marcar depois de um grande passe de Yamal, mas não conseguiu dominar e Courtois agarrou (89′). Logo a seguir, Alonso lançou Dani Ceballos e Gonzalo García, com Gerard Martín também a entrar, e Rodrygo quase sentenciou a partida de livre, mas Szczesny voou para impedir o golo (90+8′). Até ao apito final, Pedri ainda foi expulso por acumulação de amarelos, num lance que originou uma grande confusão entre os dois bancos, com a polícia a ter de intervir. Desse lance saiu o amarelo para Andriy Lunin e um elemento do banco catalão. Depois do término da partida, Courtois foi tirar satisfações junto de Yamal e originou mais uma série de empurrões, inclusivamente com Raphinha, que viu o jogo da bancada. Feitas as contas, esta vitória deixa o Real Madrid com cinco pontos de avanço na liderança de LaLiga, tendo agora 27 contra os 22 do rival (2-1).