Dezanove fotografias de parede e um teatro de papelão construído por Mário Viegas em criança figuram na exposição A Graça da Desgraça sobre o trabalho deste ator, a inaugurar sexta-feira, no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada.
Composta, sobretudo, por imagens cenográficas captadas em palco, ainda que contenha imagens de estúdio, A Graça da Desgraça — Comédia e Tragédia em Mário Viegas tem curadoria de Paulo Baptista Ribeiro, do Museu Nacional do Teatro e da Dança (MNTD)
No teatro de papelão construído por Mário Viegas em criança, em vez dos fantoches criados pelo ator, a mostra exibe uma composição videográfica, com uma série de excertos de atuações do artista, individual ou acompanhado.
Inaugurada na sexta-feira, pelas 18h30, a exposição acompanha a nova criação da Companhia de Teatro de Almada (CTA) — Elogio do Riso, um espetáculo de Hajo Scüler, Rodrigo Francisco e Maria Rueff, que interpreta.
Entre as fotografias de cena de Mário Viegas, que fazem parte do espólio doado pelo ator ao MNTD, e que estão reproduzidas na mostra, constam imagens dos trabalhos Baal, a mesma do cartaz da mostra, Papa sobre papa, Deus os fez, Catástrofe Beckett, Chapéu de palha de Itália e Suicidário.
Mário gin tónico, Godot, Rei das Berlengas, Krapp, Endgame, Festa é festa e D. João VI são outras imagens expostas.
Desenhos de Mário Viegas sobre a peça O Fantasma no Teatro ABC, e outro, em estilo banda desenhada, sobre a apresentação de Mário gin tónico no “Teatro Experimentali do Puôrto”, como está grafado no desenho, mostram-se também em Almada.
Outro lado da exposição consiste na Auto-Photo Biografia (não autorizada) de Mário Viegas, livro de grande formato escrito pelo próprio ator antes de morrer e lançado postumamente pela sua irmã, com quase 250 páginas com fotografias, recortes, banda desenhada e outros apontamentos pessoais que detalham a vida e carreira do ator, que nasceu em Santarém em 1948 e morreu em Lisboa, em 1996, aos 47 anos.
Num vídeo gravado para a CTA pelo curador da mostra, disponível na página do Teatro Municipal Joaquim Benite na rede social Instagram, Paulo Baptista Ribeiro explica a escolha do título da exposição com o facto e de o humor em Mário Viegas “ter sempre um lado trágico”.
“E o que Mário Viegas nos tenta dizer, citando, por exemplo, Samuel Beckett, é que não há nada mais engraçado que a desgraça”, frisa Paulo Baptista Ribeiro.
O curador explica ainda que a mostra é composta por reproduções de obras do “importante espólio” de Mário Viegas doado ao museu, numa exposição em que tentam retratar “o humor negro, trágico-cómico de um conjunto de peças e filmes e também outro tipo de ‘performances’ da carreira de Mário Viegas”.
Patente até 21 de dezembro, na Galeria de Exposições do Teatro Municipal Joaquim Benite, a mostra pode ser visitada de quarta-feira a sábado, das 12h00 às 21h30, e, aos domingos, das 12h às 19h.
Com produção de Ana Miffon e André Caldeira, a mostra tem design de Miguel Abreu. No inventário do museu estiveram Inês Oliveira e Manuela Gomes dos Santos, e, na biblioteca, Ana Sofia Patrão.
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