Foi anunciado em 1992, mas só em 2005 começou a ser construído. Agora, 20 anos e mais de 800 milhões de euros depois, o Grand Egyptian Museum (GEM) vai finalmente abrir na totalidade — numa festa com a presença do Presidente da República português. É nada mais nada menos que a maior instalação arqueológica dedicada a uma única civilização e fica no coração do Cairo.
Com vista para as pirâmides e recheada de artefactos escondidos do grande público há milhares de anos, o museu começou a desvendar o véu para o espólio invejável em outubro de 2024, com visitas limitadas de pequenos grupos — quando o Observador espreitou para o rico passado histórico do berço da civilização.
Entrámos no novo museu do Egito (e um dos maiores do mundo) antes do rei Tutankhamon
O complexo tem cerca de 500 mil metros quadrados e se é impressionante visto do lado de fora — com uma fachada de alabastro e hieróglifos gravados — por dentro é possível percorrer galerias que acompanham a evolução do Egito: pré-história, Império Antigo, Império Médio, Império Novo, Época Baixa e Império Romano.
A joia da coroa: só agora será aberta ao público geral uma galeria inteiramente dedicada ao rei Tutankhamon — pela primeira vez estarão expostos os cerca de cinco mil artefactos encontrados no túmulo pelo arqueólogo inglês Howard Carter (até hoje, só uma pequena parte esteve no Museu do Cairo).
No total, serão mais de 50 mil artefactos, incluindo uma estátua colossal com mais de três mil anos, 83 toneladas e onze metros de altura do faraó Ramsés II, e também um barco de 4500 anos de Khufu, o faraó que terá encomendado a construção das Pirâmides de Gizé.
Além de 24 mil metros quadrados de uma exposição permanente, terá um museu para crianças, espaço para conferências e instalações dedicadas ao ensino. “Estamos a usar a linguagem que a geração Z usa. A ‘gen Z’ não usa as descrições que lemos como pessoas idosas, preferem usar a tecnologia”, disse Ahmed Ghoneim, CEO do museu, citado pelo Guardian.
O projeto, que deveria ter sido concluído em 2009, sofreu sucessivos atrasos explicados por vários acontecimentos marcantes na região, desde a Primavera Árabe, aos conflitos no Médio Oriente, não esquecendo a Covid-19. O complexo está inserido numa série de infraestruturas que contemplam um aeroporto (a funcionar desde 2020) e uma linha de metro ainda em construção.
Situado num dos países que mais turistas recebe, o museu espera ter entre 15 a 20 mil entradas por dia. “É uma prenda do Egito para o mundo e estamos orgulhos de finalmente partilhá-lo”, disse Sherif Fathy, ministro egípcio do turismo.
Marcelo Rebelo de Sousa será um dos líderes e dignitários estrangeiros presentes na inauguração do museu, numa lista que inclui presidentes, primeiros-ministros, reis e rainhas convidados pelo Presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi. O Presidente da República portuguesa já visitou o Egito, a convite de al-Sisi, em abril de 2018, dois anos depois de ter recebido o homólogo egípcio.
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