A jornalista Paula Moura Pinheiro, o historiador Francisco Bettencourt e o escritor Samuel F. Pimenta são três dos seis distinguidos com o Prémio Alumni NOVA FCSH/2025, atribuído pela Universidade Nova de Lisboa, foi esta terça-feira divulgado.
A curadora e crítica de arte Isabel Carlos, antiga diretora do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, o produtor e programador Miguel Ribeiro e a empreendedora social Joana Bordalo, cofundadora da Associação Native Scientists, são os outros laureados.
Este prémio “pretende homenagear os antigos alunos que se distingam nas suas áreas profissionais de formação”, dividindo-se nas três áreas científicas da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa (UNL): Ciências Sociais, Artes e Humanidades, lê-se no comunicado da UNL.
Paula Moura Pinheiro, jornalista, radialista, realizadora e apresentadora de televisão, licenciada em Comunicação Social pela FCSH da UNL, é distinguida com o Prémio Carreira Ciências Sociais.
“Além de toda uma carreira dedicada à difusão séria e ética da cultura, Paula Moura Pinheiro tem um percurso notável na divulgação e defesa do Património português e de origem portuguesa, no programa Visita Guiada, disponibilizando ao público informação preciosa sobre monumentos, tradições, história local, bibliotecas, arquivos e museus, através do debate sobre questões de atualidade abordadas a partir de enquadramentos concretos e de entrevistas a especialistas”, refere a mesma fonte.
A atual diretora artística do Pavilhão Julião Sarmento, Isabel Carlos, foi distinguida com o Prémio Carreira Artes.
Isabel Carlos é crítica de arte desde 1991, tendo complementado a sua formação de base em Filosofia com um Mestrado em Comunicação Social na FCSH. Entre outras funções que desempenhou, foi assessora para a área de exposições da Lisboa 94: Capital Europeia da Cultura, cofundadora e subdirectora do Instituto de Arte Contemporânea e membro dos júris da Bienal de Veneza, em 2003, do Turner Prize, em 2010, e do The Vincent Award, em 2013, entre outros.
O Prémio Carreira Humanidades distingue Francisco Bettencourt, professor no Departamento de História do King’s College, em Londres.
Mestre pela UNL e doutorado pelo Instituto Universitário Europeu, de Florença, lecionou na UNL de 1982 a 1996. Foi diretor da Biblioteca Nacional entre 1996 e 1998, e diretor do Centro Cultural Gulbenkian em Paris entre 1999 e 2004.
“O seu contributo para o estudo da História inclui a história do racismo no mundo atlântico, a história do mundo de língua portuguesa, a história comparada da expansão europeia e a história da inquisição em Portugal, Espanha, Itália e nas colónias da Península Ibérica”.
Da sua bibliografia fazem parte A História da Expansão Portuguesa, coorganizado com Kirti Chaudhuri, Frontières religieuses. Rejets et passages, dissimulations et contrebande spirituelle e Racisms, obras que são “uma referência no estudo da história moderna, no entendimento contemporâneo contextualizado do colonialismo e do racismo, contribuindo para enformar debates atuais sobre estas temáticas”, realça a UNL.
O historiador recebeu, recentemente, uma ERC Advanced Grant, bolsa da Comissão Europeia para apoiar investigadores de excelência numa fase da carreira em que já são líderes consolidados com um reconhecido historial de realizações em investigação, segundo se lê no seu sítio na Internet.
O Prémio Revelação Ciências Sociais foi para Joana Bordalo que, aos 22 anos, enquanto terminava o mestrado de Comunicação de Ciência na FCSH, cofundou a Associação Native Scientists, uma organização pan-europeia sem fins lucrativos que “promove a literacia científica e a redução das desigualdades educativas em Portugal e na diáspora portuguesa”.
Nesta associação, “cocriou e liderou a implementação de um programa educativo e de comunicação de ciência, Cientista Regressa à Escola, em 2021, baseado nos conceitos inovadores de Educação Circular e Capital de Ciência (2015).
Além da sua experiência na Native Scientists, Joana Bordalo recebeu uma Bolsa Fulbright para terminar o mestrado nos Estados Unidos e, durante a licenciatura, uma Bolsa Erasmus+, para estudar na Universidade de Liubliana, e uma Bolsa de Mérito por estar entre os cinco melhores estudantes do seu curso. Antes de ingressar na universidade, Joana Bordalo concluiu dois cursos de Ensino Secundário em simultâneo, Ciência e Tecnologias e o Curso Profissional de Música.
O Prémio Revelação Artes distinguiu Miguel Ribeiro, licenciado em Ciências da Comunicação pela FCSH, atual coordenador e programador da Casa do Comum, em Lisboa, tendo sido diretor do festival de cinema documental DocLisboa, entre 2020 e 2024. Fez parte do coletivo artístico Rabbit Hole entre 2013 e 2016 e fundou a produtora Filmes do Asfalto, que produziu o filme António Um Dois Três (2017), de Leonardo Mouramateus. Desempenha, atualmente, funções no Conselho Fiscal da Associação pelo Documentário (AporDoc).
O poeta, escritor e artista Samuel F. Pimenta, que este ano celebra 16 anos de carreira literária, é o distinguido com o Prémio Revelação Humanidades. Licenciado em Ciências da Comunicação pela FCSH, além da literatura, “dedica-se também, proativamente e empenhadamente, à promoção dos direitos LGBTI+ (Lésbicas, Gay, Bissexuais, Transsexuais, Intersex e outros), dos Direitos Humanos e dos direitos da Terra. Pimenta é membro da Academia Galega da Língua Portuguesa como membro correspondente, do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora como membro honorário.
A entrega dos prémios Alumni Nova FCSH desta 47.ª edição realiza-se no próximo dia 11, a partir das 14h, no auditório da Reitoria da UNL.
No ano passado os distinguidos foram o jornalista e escritor Rodrigo Guedes de Carvalho, a pianista Gabriela Canavilhas, ex-ministra da Cultura, atual presidente da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, o escritor José Luís Peixoto, a investigadora Inês Sarti Pascoal, do Grupo de Investigação Sustentabilidade e Sistemas Sócio-Ecológicos, o musicólogo e compositor Edward Ayres Abreu, fundador do Movimento Patrimonial da Música Portuguesa (MPMP) e atual diretor do Museu Nacional da Música, e o escritor Afonso Reis Cabral, vencedor em 2014 do Prémio LeYa, pelo romance O Meu Irmão.