A oposição na Câmara de Coimbra questionou esta segunda-feira a “perceção de imparcialidade”, após a ex-vereadora do Chega ter passado a trabalhar na escola profissional Eptoliva, que integra um estabelecimento da autarquia para o qual tinha sido nomeada como gestora.

A vereadora na oposição Ana Cortez Vaz, eleita pela coligação Juntos Somos Coimbra (PSD/CDS-PP/IL/Nós, Cidadãos!/PPM/MPT/Volt), questionou esta segunda-feira, em reunião do executivo, “o contexto, a transparência e a perceção de imparcialidade” no “encadeamento de acontecimentos” relacionados com a ida da vereadora eleita pelo Chega no município, Maria Lencastre.

A vereadora que se desvinculou em janeiro do partido liderado por André Ventura começou em agosto a trabalhar na escola profissional intermunicipal Eptoliva, assumindo funções de assistente social no Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família. Anteriormente, a vereadora trabalhava também como assistente social na Universidade de Coimbra.

A Eptoliva passou a integrar o Instituto Técnico Artístico e Profissional (ITAP), estabelecimento da esfera municipal para o qual Maria Lencastre tinha sido indicada como gestora em março, pelo executivo liderado pela coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN).

Ana Cortez Vaz questionou quem é que pediu a mobilidade, se terá sido usado efetivamente esse mecanismo e se o município de Coimbra teve algum papel direto ou indireto nesse pedido de mobilidade.

“Estamos a falar de uma entidade cuja integração na estrutura do ITAP foi aprovada por este executivo apenas algumas semanas antes”, notou a vereadora, que assumiu a pasta da educação no anterior mandato, recordando que Maria Lencastre participou nas deliberações do executivo sobre matérias relacionadas com o ITAP.

“Não basta dizer que tudo é legal. É preciso esclarecer se tudo foi transparente. É preciso perceber se foram cumpridos todos os procedimentos aplicáveis. E é preciso afastar qualquer dúvida sobre a existência de favorecimentos, conflitos de interesses ou qualquer relação entre decisões políticas e oportunidades profissionais. Coimbra merece essa explicação”, defendeu.

Às perguntas, a vereadora não recebeu qualquer esclarecimento do executivo liderado por Ana Abrunhosa ou da vereadora Maria Lencastre, no período antes da ordem do dia.

Em abril, a ex-vereadora do Chega renunciou ao cargo para o qual tinha sido nomeada, na altura criticando o processo de adesão da Eptoliva ao ITAP, escola profissional constituída pelos municípios de Tábua e Oliveira do Hospital, mas que também tem um polo em Arganil.

Com o anunciado voto contra da vereadora e dos cinco membros da coligação Juntos Somos Coimbra, o executivo liderado por Ana Abrunhosa decidiu retirar o ponto de integração do ITAP da agenda da reunião em abril (a coligação tem apenas cinco dos 11 vereadores).

Nessa mesma reunião do executivo, Maria Lencastre votou contra várias propostas do executivo liderado pelo PS (algo inédito nos primeiros seis meses de mandato da eleita).

O processo de integração do ITAP na Eptoliva acabou por ser consumado apenas em 20 de julho, com votos favoráveis da coligação Avançar Coimbra, abstenção de Maria Lencastre e contra da coligação Juntos Somos Coimbra.

Apesar do episódio em abril, Maria Lencastre tem votado favoravelmente à maioria das propostas do executivo, focando grande parte das suas críticas à gestão e opções do anterior mandato, liderado pela coligação Juntos Somos Coimbra.