Foi revelado esta quinta-feira o primeiro trailer de Michael, o filme biográfico que documenta a ascensão de Michael Jackson até tornar-se o “Rei da Pop” e cuja estreia internacional foi adiada de outubro deste ano para 24 de abril de 2026 devido a questões legais.

Com realização de Antoine Fuqua — responsável por filmes como Dia de Treino e a trilogia The Equalizer —, Michael acompanha toda a vida de Michael Jackson, desde a sua infância nos Jackson 5 até à sua inesperada morte em 2009. A encarná-lo está Jaafar Jackson, sobrinho da estrela pop, num elenco que também conta com nomes como os de Colman Domingo, Nia Long, Miles Teller e Laura Harrier.

“Destacando tanto a sua vida fora do palco como algumas das atuações mais icónicas do início da sua carreira a solo, este filme oferece ao público um lugar na primeira fila para ver Michael Jackson como nunca antes. É aqui que a sua história começa”, lê-se na sinopse.

Todavia, apesar de se apresentar como um filme que celebra a vida e carreira de Michael Jackson, a sua produção foi afetada por atrasos e controvérsias especificamente devido às alegações de abuso sexual de menores que marcaram a vida do cantor.

Tendo a sua rodagem originalmente terminado em maio de 2024, Michael devia ter estreado em abril deste ano, sendo depois adiado para outubro pela Liongate, a produtora do filme. No entanto, foi necessário refilmar algumas cenas, adianta a revista Rolling Stone, porque a família do cantor — que colaborou durante toda a conceção desta obra — descobriu que a história violava um acordo legal que o artista firmou com a família de Jordan Chandler, um jovem de 13 anos que acusou Jackson de abusos sexuais.

Em causa está o facto do último terço do filme alegadamente representar este caso como Jackson a ser vítima de extorsão, enquadramento narrativo que foi aceite pela família do cantor mas que trazia complicações legais. Como tal, foi necessário regressar às filmagens em junho de 2025, adiando o lançamento para abril de 2026. Foi inclusive adiantado que a primeira versão do filme, tendo quatro horas de duração, obrigaria a que fosse dividido em duas partes, mas este trailer parece sugerir que será lançado como uma única obra.

A controvérsia quanto às acusações de abuso sexual de que Jackson foi alvo ao longo da carreira não se ficam por aqui, entretanto. De acordo com o The Guardian, o realizador de Leaving Neverland — série documental de 2019 que incluiu entrevistas com dois homens que acusaram o cantor de abusá-los quando eram crianças —, Dan Reed, acusou o guião de ser “chocantemente desonesto” por desacreditar essas acusações e higienizar a sua imagem.

“Jackson só é visto a cuidar de crianças com cancro infantil, a dançar com uma menina em cadeira de rodas ou a aconchegar vários meninos, principalmente os seus sobrinhos, em festas do pijama”, afirmou, citado pelo jornal britânico.

“Não é o meu circo”. Paris Jackson critica filme biográfico sobre o pai e nega contributo para a produção

Além disso, a própria filha de Michael Jackson, Paris, distanciou-se publicamente do filme após Colman Domingo afirmar à revista People que os filhos do cantor apoiavam Michael. 

«Não digam às pessoas que eu “ajudei” nas filmagens de um filme no qual não tive qualquer envolvimento, isso é tão estranho. Li uma das primeiras versões do guião e fiz anotações sobre o que era desonesto ou não me parecia certo e, quando eles não tiveram isso em conta, segui em frente com a minha vida. Não é problema meu”, escreveu na sua conta de Instagram.

“O filme vai ao encontro de uma fação muito específica dos fãs do meu pai que ainda vivem na fantasia. E eles vão ficar felizes com isso”, concluiu.