O sistema de pagamentos brasileiro Pix, que é usado por 80% da população do Brasil, está na mira de Washington. Em julho deste ano, Donald Trump lançou uma investigação à solução usada por milhões de pessoas, alegando que o sistema brasileiro prejudica os sistemas de pagamento das gigantes norte-americanas.

Depois do elogio de Paddy Cosgrave, que disse na abertura do evento que o Pix é uma ideia “revolucionária” que ameaça os monopólios de pagamentos, o sistema teve direito a uma sessão no palco principal da Web Summit esta quarta-feira. Luís Fernandes, secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, manifestou esperança de que a investigação de Washington possa “mostrar que não há bases para ver isto como uma iniciativa anti-americana”. Não é, é só inovação

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“Temos de ver ao que leva a investigação. Se for uma investigação neutra e objetiva vamos ver que as alegações eram falsas”, disse o governante. “É só um sistema público avançado de pagamentos, com tecnologia que pode ser partilhada com outros países interessados em desenvolver o seu próprio método de pagamento digital”, declarou o membro do governo brasileiro.

“Acredito mesmo que a investigação vá mostrar que não há bases para ver [o Pix] como uma iniciativa anti-americana. Não há, é só inovação básica.”

Questionado sobre o estado da investigação, Luís Fernandes referiu “que ainda está a decorrer”, dizendo que o país “espera que tudo corra o seu curso”. Porém, notou que o Brasil “começa a ver alguma abertura por parte do Presidente Trump a negociações para pôr de lado este mal entendido“.

Em vários pontos da intervenção, o governante fez questão de sublinhar que o Pix não tem ambições de se transformar numa divisa. Mas Luís Fernandes reconheceu o papel que teve na “democratização” dos pagamentos, até porque os utilizadores não têm custos associados à transação. “Dou um caso prático: às vezes até encontramos pedintes na rua a pedir dinheiro. Quando se diz ‘ah, não tenho nada’, a resposta é um ‘não faz mal, pode pagar com Pix’ e apresentam o código QR. Isso é democratização.”

O governante considerou que, até agora, o Banco Central do Brasil tem conseguido “manter o sistema seguro”. Mas reconheceu que a inovação do Pix “naturalmente atrai o engenho dos criminosos”.

Luís Fernandes afirmou que há “outros países da América Latina interessados” no Pix e que há negociações “em Espanha, Itália, Argentina e mesmo nos EUA”. “Até os EUA podem fazer parte”, gracejou. Em Portugal, deu como exemplo a integração da possibilidade de pagamento com o Pix através da rede da UNICRE.

O Pix foi desenvolvido pelo Banco Central do Brasil e lançado em 2020. Hoje em dia, é usado por 160 milhões de pessoas. Só no primeiro semestre deste ano, assegurou 36,9 mil milhões de transações.