A Upwork, uma tecnológica que liga empresas a trabalhadores freelancer, é o mais recente unicórnio (empresa avaliada em mais de mil milhões de dólares) a instalar-se na Fábrica de Unicórnios em Lisboa. O anúncio foi feito esta quarta-feira na Web Summit pelo presidente da autarquia lisboeta, Carlos Moedas.
“É muito importante para nós, é um sonho que começou em 2021 e que tinha como objetivo criar oportunidades para os jovens de Lisboa e para todos nós”, começou por dizer Carlos Moedas, que sublinhou ter como “sonho” tornar Lisboa na capital mundial da inovação. “Gosto de sonhar em grande”.
O presidente da Câmara de Lisboa já tinha antecipado na noite de abertura do evento que, durante a Web Summit, ia ser anunciado o 17.º unicórnio da Fábrica de Unicórnios do Beato, sendo que, nessa altura, já estava marcada a conferência com a CEO da Upwork. Hayden Brown destacou que a empresa escolheu Lisboa para abrir o primeiro escritório fora dos EUA devido à comunidade “vibrante” da capital portuguesa, à “diversidade” e à “inclusão”. Hayden Brown não adiantou o valor do investimento da empresa em Lisboa.
O escritório da Upwork deverá abrir em Alcântara no primeiro semestre de 2026. A CEO da tecnológica norte-americana adiantou que o primeiro espaço deverá ter capacidade para cerca de cem pessoas. Essa primeira vaga de recrutamento deverá começar de imediato. Depois de 2026 “é difícil” fazer previsões”, mas o objetivo é continuar a investir.
A responsável destacou ainda que o foco da Upwork é contratar localmente, “e queremos ter portugueses no escritório”, mas não só. “Sabemos que Lisboa é um destino de toda a Europa e do mundo, portanto vai haver trabalhadores de vários países”.
Questionada sobre as dificuldades com a obtenção de vistos para trabalhadores estrangeiros, Hayden Brown assumiu estar “consciente” do problema, mas diz que a empresa recebeu um “sinal claro” que entre o presidente da câmara e o Governo português “há muito apoio para empresas que queiram instalar-se em Portugal, não estamos preocupados, estamos confiantes”.
Na conferência de imprensa que serviu para fazer o anúncio, Carlos Moedas sublinhou que o que diferencia Lisboa e que tem levado as tecnológicas a escolher a capital portuguesa é a “arte e a humanidade”. “Quando começámos não tínhamos nenhum unicórnio, como é que fomos buscá-los? Trazemos para a mesa uma cidade com alma, é o que nos diferencia e que vai atrair mais empresas como a Upwork”, sublinhou Moedas. “Queremos fazer parte da comunidade local e participar em programas locais”, acrescentou a CEO da Upwork.
O presidente da câmara de Lisboa diz que este é um bom momento para fazer um “reality check” sobre a “confiança que devemos ter como portugueses e lisboetas”. “A Upwork nunca saiu dos EUA. E quando decide sair que país escolheu? Portugal. Uma empresa desta dimensão em que a sua primeira escolha é Portugal. Imaginem se há 10 ou 20 anos isto seria possível. Foi há quatro anos que isto [a Fábrica de Unicórnios] começou. Devíamos ter orgulho nisso e é um orgulho que devia ser nacional”, destacou Carlos Moedas, que voltou a dar também como exemplo a escolha de Lisboa para o festival de cinema Tribeca.