Foi uma madrugada de chuva forte de norte a sul, tendo sido confirmadas dezenas de ocorrências, como inundações, em Setúbal e Lisboa — onde uma árvore caiu, na rua Nova do Calhariz, na zona da Ajuda, danificando dois carros, segundo relataram à SIC os Bombeiros Sapadores de Lisboa.

Na última quarta-feira, as autoridades tinham registado um total de 270 ocorrências devido às condições meteorológicas adversas, e prevendo um aumento na madrugada desta quinta-feira, devido a um “pico de precipitação”, segundo a Proteção Civil.

Em declarações à Lusa, o comandante Pedro Araújo, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), disse que “entre as 00h00 de dia 12 e as 00h00 desta quinta-feira registaram-se 270 ocorrências”, devido às condições meteorológicas adversas, com ventos fortes e chuvas intensas, embora nenhuma tenha causado “vítimas nem desalojados”, apenas danos, provocados sobretudo pelos ventos fortes, como quedas de árvores, que danificaram carros, ou de postes de eletricidade e telecomunicações, assim como destruição de algumas estruturas, como telhados.

Os distritos do Alentejo — Évora, Portalegre e Beja —, todavia, foram relativamente poupados, com a Proteção Civil a adiantar à CMTV que não há ocorrências a registar, tendo esta noite sido “relativamente tranquila”.

No último balanço feito por aquela entidade às 00h00 desta quinta-feira que deu o panorama global do dia de quarta-feira, foi referido que as zonas mais afetadas pelas condições meteorológicas adversas até aquela hora foram Coimbra, com 36 ocorrências, a área metropolitana do Porto, com 30, e a Grande Lisboa com 26.

Mas, para o balanço global de quarta-feira também contribuiu o aumento de quatro ocorrências até às 19h00 de quarta-feira para 18 à meia-noite, na zona do Algarve, onde se registou uma precipitação intensa nas últimas horas.

No entanto, segundo Pedro Araújo, ao longo da madrugada desta quinta-feira haveria “seguramente” um aumento de ocorrências significativo, porque “é esperado um pico de precipitação entre as 03h00 e as 06h00 da manhã” com “chuva intensa e persistente” a prolongar-se por três horas, de acordo com as previsões do IPMA, e a afetar “sobretudo as regiões de Lisboa e Setúbal”.

Por isso, a ANEPC passou o seu dispositivo de nível 1 para nível 2 “desde as 14h00 horas de quarta-feira”, para poder “dar resposta às situações que poderão ocorrer esta noite”, sublinhou   Ao longo do dia de quarta-feira, a ANEPC teve 897 operacionais no terreno, apoiados por 359 veículos, envolvidos na resposta às situações causadas pela tempestade Cláudia, que está a afetar o país. Mas este dispositivo será reforçado esta quinta-feira.

Na terça-feira, a Proteção Civil pediu à população que adotasse medidas preventivas face às previsões de chuva, vento e agitação marítima para os próximos dias.

Num aviso à população, a ANEPC advertiu que podem ocorrer inundações e deslizamentos de terras, com o agravamento do estado do tempo em Portugal continental, devido à passagem da depressão Cláudia.

Portugal continental e o arquipélago da Madeira estão sob avisos meteorológicos desde terça-feira, por diferentes motivos — agitação marítima, vento ou precipitação — , em distintos períodos entre esta quinta e e sexta-feira.