Os registos negativos acumulam-se. Portugal não perdia um jogo de qualificação há quatro anos, desde a derrota com a Sérvia antes do Mundial 2022. Fora de casa, Portugal não perdia um jogo de qualificação há seis anos, desde a derrota com a Ucrânia antes do Euro 2020. Portugal não sofria dois golos sem resposta numa primeira parte há seis anos, não tinha uma diferença de dois golos num jogo há ano e meio e continua sem ganhar na Irlanda.

O dia indesculpável de quem tem sempre desculpas para tudo (a crónica do Irlanda-Portugal)

Pelo meio, a Seleção Nacional perdeu com os irlandeses em Dublin e voltou a adiar o apuramento para o Mundial 2026, algo que já tinha acontecido há um mês em Alvalade com o empate com a Hungria. Portugal tem a última oportunidade para a qualificação direta já no próximo domingo, contra a Arménia e no Estádio do Dragão — algo que, mesmo que aconteça, não apaga uma reta final de apuramento claramente abaixo do expectável.

Nos últimos 20 jogos com Roberto Martínez, Portugal sofreu cinco derrotas: ou seja, perdeu 25% das partidas, sendo que o treinador espanhol concedeu esta quinta-feira o primeiro desaire de toda a carreira em qualificações para o Campeonato do Mundo. Depois do apito final, num encontro em que apostou na titularidade de João Félix e só lançou Gonçalo Ramos no último quarto de hora, o selecionador nacional comentou o primeiro jogo em oito em que a Seleção ficou em branco.

“É um jogo para esquecer, acontece no futebol. Tudo aquilo que podia correr mal, correu mal. Correu bem para a Irlanda. Falámos da bola parada, transição… Faltou-nos propósito, mostrámos luta até ao fim. Os últimos 20 minutos foram cheios de coração. Temos de aceitar que a Irlanda mereceu ganhar. Agora é olhar para domingo, precisamos da força do estádio, sabemos que podemos contar com isso. É olhar para o último jogo para confirmar o apuramento”, disse.

Mais à frente, Roberto Martínez comentou a expulsão de Cristiano Ronaldo, que viu o primeiro cartão vermelho da carreira a jogar por Portugal. “Falámos, acho que é difícil para um jogador como o Cristiano, que está na área. Teve os defensores sempre com contactos, a agarrar. Não há violência, tenta afastar. Teve azar. Acho que o ângulo das imagens é pior do que o que aconteceu. É o primeiro vermelho pela Seleção, é incrível”, defendeu.

Por fim, o selecionador nacional justificou a saída de João Cancelo ao intervalo e deixou a motivação para o jogo decisivo de domingo, contra a Arménia. “Era um jogo com emoções. O Cancelo apanhou cartão amarelo. Era para anular o risco de o perder, podemos utilizar o que o jogo precisa. Estamos a preparar o próximo jogo. O que aconteceu é o que acontece no futebol. A reação foi boa, lutámos, mostrámos coragem. É preparar o próximo”, atirou.

Já Bernardo Silva, que foi titular, sublinhou “um jogo difícil”. “A Irlanda deu-nos a bola, deu-nos o controlo do jogo. E foi à procura de ser muito direta, no contra-ataque, nas bolas paradas, na forma como atacaram, muito mais rápido. E com mérito deles, e com algum demérito nosso, foi um jogo que se tornou bastante complicado, em que não conseguimos controlar as transições. Na primeira bola parada fazem o 1-0, que torna o jogo bastante mais complicado, e nunca fomos eficientes na forma como atacámos, metemos pouca gente em zonas de finalizações, fomos bastante previsíveis. Contra linhas de cinco nunca é fácil de atacar, equipas tão físicas, talvez seja o mais difícil no futebol, porque estou também habituado no meu clube também”, explicou.

“Ansiedade? Ansiedade não diria, diria claro que queríamos ganhar e garantir já a qualificação para o Mundial, mas este grupo de jogadores joga ao mais alto nível e não fica ansioso assim tão facilmente. Foram mais questões técnico-táticas em que as coisas não nos correram bem hoje. Vamos como sempre jogar para ganhar, hoje jogámos para ganhar. Não conseguimos, estamos tristes, desiludidos com o que fizemos aqui hoje”, concluiu o avançado do Manchester City.